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21 de janeiro contra o descaso, intolerância e agressões violentas e ambientais. Reagir é preciso!

Por Carolina Maciel

Há muito tempo já se conhece o descaso e (des)trato aos bairros onde vive a maioria negra de Salvador e onde está a maioria dos Terreiros de Candomblé.

Infelizmente são registrados casos de intolerância religiosa, expressos desde a chacota contra quem usa contas e etc. até os casos de invasão enfurecida dos espaços sagrados, por fundamentalistas que se dizem cristãos. É cada vez mais necessário isolar esses intolerantes em seu terror e unir todas as pessoas de fé na vida e na paz, para se somarem aos agredidos e se manifestarem contra a intolerância.  

Sobre o descaso destaca-se o mau exemplo da região do Engenho Velho da Federação na Muriçoca, onde o Terreiro do afamado Sr. Luiz da Muriçoca (citado na literatura de Jorge Amado) está ameaçado de liquidação por cobrança de IPTU, pasmem! Depois de todas as mobilizações de 2010, declarações e atos públicos de reconhecimento pela Prefeitura da IMUNIDADE DE IMPOSTOS constitucional dos Terreiros, uma Comunidade recebe esse presente! Ou seja, todos ainda estão ameaçados!  

Mais grave são as reclamações quase a uma só voz, dos Terreiros que conectamos na Grande Salvador sobre o crescimento da violência armada, com o domínio criminoso dos bairros. Por terem as Comunidades um espírito territorial e serem prestadoras de serviços dentro do bairro viram alvo desses criminosos, que querem o domínio de todo o território, de cada rua, de cada evento, de cada festa que acontece, impedindo a livre circulação, a liberdade litúrgica para receber seus fiéis e que difundem o terror do envolvimento dos adolescentes e jovens com esse poder local e armado.  

Some-se a esses problemas o progressivo avanço da especulação imobiliária e o descuidado com o lixo consorciado com desmatamentos, cujo grande destaque é a área de expansão na Avenida Paralela. Ali um futuro de desastre de cheias se anuncia numa próxima chuva intensa, que certamente irá atingir as comunidades das cercanias – nos bairros onde se situam Comunidades de Candomblé.   É duro admitir que após tantas conquistas dos Terreiros no Brasil e em Salvador um quadro desses se prolongue e se agrave num dos berços nacionais das Religiões Afro-brasileiras.

A questão é como seguir adiante e na fé, não desistir!   Esperar as promessas das autoridades? Resolver tudo por iniciativa própria? Parece que a resposta está dada: exigir das autoridades, fazer algo, não fazer tudo, mas fazer o quê?   Para os Terreiros enfrentarem realidades tão adversas só aumentando sua organização e capacidade de luta, com planos para o futuro de acordo com os interesses dos seus bairros e da sua vida religiosa. As comunidades são muitas, mas se comunicam pouco, são fortes em redes de comunidades filhas, irmãs e parentes, mas não se expressam…   Fica então o desafio: como fazer com que as forças das comunidades sejam aproveitadas e somadas em prol do bem comum, que é o compromisso permanente de todas as pessoas de fé.

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