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Deputada exige fim do convênio entre Sedu e Aracruz

Deputada exige que Sedu rompa convênio com Aracruz Celulose

Ubervalter Coimbra

A presidente da Comissão de Direitos Humanos da Câmara dos Deputados, Iriny Lopes (PT-ES) exigiu que a Secretaria de Estado da Educação (Sedu) rompa o convênio com a Aracruz Celulose para desenvolvimento do programa Identidade Cultural do Negro. A deputada afirmou que se for necessário irá com os quilombolas até ao Ministério da Educação (MEC) denunciar o convênio.

Através de sua assessoria, a deputada Iriny Lopes afirmou nesta quarta-feira (10) que considera o acordo um absurdo. Isto porque, há um ano, em audiência pública na Comissão de Direitos Humanos, o representante da Aracruz Celulose disse textualmente que não reconhecia a tradição cultural quilombola. Da mesma forma, ignorava a tradição cultural indígena.

A deputada do PT afirmou que a Sedu não tem necessidade de buscar recursos da Aracruz Celulose para formação de professores sobre cultura negra, pois há recursos suficientes no MEC para programas desta natureza.

Informou ainda que aguarda contatos das lideranças quilombolas para ir ao MEC para pedir o cancelamento do convênio da Sedu com a Aracruz Celulose.
A representação quilombola informou que o convênio da Sedu com a multinacional Aracruz Celulose para o desenvolvimento do programa Identidade Cultural do Negro será denunciado ao MEC e outros órgãos, como a Fundação Palmares, entre os dias 17 a 19 próximos.

A denúncia ao MEC será feita antes durante o 1º Encontro Nacional de Comunidades Tradicionais, que tem como parceiro o próprio Ministério da Educação, segundo informou Domingas dos Santos Dealdina, representante do Espírito Santo na Coordenação Nacional de Articulação das Comunidades Negras Rurais Quilombolas (Conaq). O convênio provocou indignação dos quilombolas.
Com o acordo entre a Sedu e Aracruz Celulose, 293 profissionais do magistério que lecionam as disciplinas de História, Língua Portuguesa e Educação Artística nos municípios de Jaguaré, Conceição da Barra, São Mateus e Pedro Canário vão receber instrução com visão da multinacional para trabalhar junto a 24.857 jovens do ensino fundamental e médio, em 48 escolas, 30 estaduais e 18 municipais. As prefeituras destes municípios também são parceiras no projeto.

O Espírito Santo tem 75 comunidades quilombolas já identificadas, com 4.000 famílias. Destas, 34 comunidades e 1.500 famílias são de Sapê do Norte, formado pelos municípios de Conceição da Barra e São Mateus.

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