Programa Fala Egbé 5: Direito à Liberdade Religiosa

Neste episódio falamos sobre Direito à Liberdade Religiosa!

Conversamos com lideranças e integrantes de religiões de matriz africana e católicos, que falaram como vivenciam as suas religiões e como é preciso ter respeito para com a religiosidade do outro.

Racismo, racismo religioso, liberdade religiosa, preconceito religioso em ambientes de trabalho e em locais públicos, assim como ataques à religiosidade e os caminhos para uma vivência pacífica entre pessoas de religiões diferentes foram alguns dos temas abordados no programa.

Agradecemos as participações dos nossos convidados Alexsandro de Jesus, presidente do Centro de Umbanda Ogum de Ronda e Caboclo Itaiguara, em Camamu – BA, Aline Lima, ekedi do Terreiro Egbé Lecy Okutá Lewá, terreiro de Iemanjá, em Salvador, Emerson Mec, candomblecista da Comunidade Quilombola Santa Rita do Bracuí, no Rio de Janeiro, a companheira Ana Célia Pereira, do Quilombo do Barroso, em Camamu-BA, e praticante da religião católica, Mameto Laura, da Comunidade do Garcia, religião de matriz africana, em Salvador, a Iyalorixá Márcia de Ogum, do Ilê Axé Ewa Olodumare, em Lauro de Freitas -BA, e o Padre Lázaro Muniz, da Paróquia Santa Cruz, em Salvador.

Apresentação: Camila Chagas, advogada, educadora popular e colaboradora de Koinonia.

Gostou? Encaminhe o programa para os contatos da sua rede e ajude a divulgar! Compartilhe todas essas informações com a maior quantidade de pessoas que você conseguir.

Se quiser relatar algo sobre a sua comunidade ou sugerir um tema, basta enviar uma mensagem para o e-mail da nossa comunicação: comunica@koinonia.org.br ou comunica2@koinonia.org.br

21 anos do 21 de janeiro: e a memória ancestral de Mãe Gilda de Ogum segue viva!

Lançando Mostra Cultural, o Selo “Racismos e intolerâncias NÃO!” E realizando ato virtual, KOINONIA atua em mais uma semana de afirmação da liberdade religiosa o Dia Nacional de Combate à Intolerância Religiosa

Em 2021 marcam 21 anos do falecimento de Mãe Gilda de Ogum, Iyalorixá que deu origem ao Dia de Combate à Intolerância. No candomblé é celebrado o rito do axexê de 21 anos.

O Dia Nacional de Combate à Intolerância Religiosa, Lei 11.635/2007 é uma homenagem à Mãe Gilda de Ogum, do terreiro Ilê Axé Abassá de Ogum, localizado na Bahia.

Em 21 de janeiro do ano 2000 Mãe Gilda faleceu após sofrer um infarto, ocasionado pela intolerância religiosa provocada pela Igreja Universal do Reino de Deus, que usou o seu jornal para atacar os seus filhos de santo e chamá-la de charlatã. Ela também teve o seu terreiro invadido e depredado por fundamentalistas.

A intolerância religiosa que matou Mãe Gilda é uma das diversas faces do racismo estrutural presente no País, racismo religioso que diariamente atinge, sobretudo, os integrantes de religiões de matriz africana: umbanda e candomblé, como mostram os dados de um levantamento realizado pelo Disque 100- Ministério da Mulher, Família e Direitos Humanos, publicado no site Brasil de Fato.

Segundo a pesquisa, apenas no primeiro semestre de 2019 houve um aumento de 56% de denúncias de intolerância religiosa, em comparação com o ano de 2018. A maior parte delas realizadas por candomblecistas e umbandistas. No total, foram 354 denúncias, contra 211 do ano anterior.

Entre 2015 e o primeiro semestre de 2019 o Disque 100 registrou 2.722 casos de denúncias, uma média de 50 por dia, mostrando que apesar de uma lei que criminaliza a intolerância ela permanece se fazendo presente, e por isso, é uma das principais pautas de Koinonia: combater qualquer tipo de intolerância e preconceito.

Este ano seria um ano especial para os praticantes do candomblé, é celebrado o axexe de 21 anos da morte de Mãe Gilda, ritual funebre dentro da religião, cerimônia que também ocorre nos dias que sucedem o falecimento, após o enterro. Porém, devido à pandemia, algumas ações foram modificadas.

Ainda assim, muitos eventos acontecerão e Koinonia estará presente em vários deles, seja apoiando, seja participando ou produzindo, como temos feito em nossas redes sociais.

Iniciamos a semana com uma live, realizada no instagram da organização, na qual a coordenadora, Ana Gualberto, e o direto executivo, Rafael Soares, falaram sobre intolerância religiosa e como combatê-la.

No dia 19 lançamos o selo “Racismos e intolerâncias: NÃO!”, uma forma de marcar o nosso posicionamento contra as intolerâncias e incentivar outras organizações e pessoas da sociedade civil em geral a se posicionarem também. Durante todo o ano usaremos este selo em todas as nossas publicações, e ele já está disponível em nosso site para ser baixado por quem tiver interesse. (kn.org.br/noticias/racismo-intolerancia-nao), pois juntos somos mais fortes.

No próximo dia 21, lançaremos a Mostra Cultural Liberdade e Direito, que nesta primeira edição visa celebrar o Dia de Combate à Intolerância. A mostra se propõe a utilizar a cultura para possibilitar reflexões, sobretudo no atual momento político em que vivemos.

Contamos com as presenças encantadoras dos cantores e ativistas culturais Rebeca Tárique, Maiara Silva e Carlos Barros. Rebeca é cantora, historiadora, Sacerdotisa de Oyá e militante do Movimento Negro. Maiara é poeta escritora, mobilizadora e produtora cultural. Já Carlos, é cantor, professor de história e mestre em ciências sociais. Iniciado no Candomblé para Oxóssi, ele tem dois álbuns lançados – Cantiga vem do Céu (2009) e Antes da próxima estação (2014).

Também no dia 21 nos somamos junto à pessoas religiosas de diferentes fés, em uma celebração virtual que foi construída coletivamente, e contará com testemunhos, orações, canções e meditações de diferentes traduções. Acompanhe através da transmissão ao vivo em nossas páginas do Facebook. Uma data importante e necessária, ainda mais em tempos nos quais o fundamentalismo age para afastar e opor pessoas de fés diferentes.

Dentre os eventos que participaremos e apoiaremos, estão:

 

– Live com o ritual no busto de Mãe Gilda, na Lagoa do Abaeté, em Salvador. O evento será transmitido pelo instagram do Axé Abassa de Ogum e ocorrerá a partir das 8h do dia 21.

– Ana Gualberto, coordenadora de Koinonia, juntamente com Ìya Márcia de Ogum, participará de uma roda de conversa no CEBIC (Conselho Baiano de Igrejas Cristãs), ocasião em que falarão sobre o Candomblé. Também no dia 21, o evento será transmitido pelo canal do YouTube de CEBIC.

– Camila Chagas, advogada de Koinonia, participará de uma roda de conversa no canal do You Tube do Cuxi Coletivo Negro Evangélico, onde falará sobre O Pecado do Racismo Religioso. A roda será no dia 21 às 20h30.

-Rafael Soares, Ogan d’Oxossi da Casa Branca e diretor-executivo de KOINONIA, mediará a mesa Religiões no campo do Direito, às 11h, no IV Seminário Liberdade Religiosa, Democracia e Direitos Humanos, realizado pelo CEAP (Centro de Articulação de Populações Marginalizadas e CCJF (Centro Cultural Justiça Federal.

Toda a programação de Koinonia e divulgação de eventos nesta semana de extrema importância estará disponível em nossas redes sociais, Instagram, Facebook, Twitter e YouTube.

Um chamado à reafirmarmos: Racismos e Intolerâncias, NÃO!

As intolerâncias no Brasil têm uma base estrutural que se repete de acordo com as conjunturas. São intolerâncias religiosas, racismos, lgbtfobias, machismos e misoginias que se cruzam o tempo inteiro, discriminações presentes na sociedade que têm se perpetuado ao longo dos anos pelos sistemas de opressões.

Há 21 anos a Iyalorixá Gilda de Ogum, do Ilê Axé Abassá de Ogum, na Bahia, faleceu em decorrência da violência religiosa. Após diversos ataques aos seus filhos de santo e uma série de mentiras contra a sua casa, Mãe Gilda sofreu um infarto. Contudo, duas décadas depois do ocorrido, não houve mudanças significativas.

Um estudo publicado pelo CCIR (Centro de Promoção da Liberdade Religiosa & Direitos Humanos) mostra que dos 1.014 atendimentos realizados pelo CEPLIR (Centro de Promoção da Liberdade Religiosa & Direitos Humanos) na cidade do Rio de Janeiro, entre abril de 2012 e agosto de 2015, 71% das denúncias de intolerância religiosa foram feitas por candomblecistas e umbandistas.

Em 2019 uma pesquisa realizada pelo Ministério da Mulher e Direitos Humanos e publicada no jornal Brasil de Fato mostrou que no primeiro semestre daquele ano a intolerância religiosa teve um aumento de 56% em comparação com o ano anterior, e novamente, as denúncias realizadas por adeptos de religiões de matriz africana foram as maiores.

A constatação de que umbandistas e candomblecistas são os mais atingidos pela intolerância religiosa é, também, a evidência da perpetuação do racismo. Dados do Atlas da Violência, em um levantamento feito pelo FBSP (Fórum Brasileiro de Segurança Pública) em parceria com o Ipea (Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada) mostram que em 2018,  75,7% das vítimas de homicídio no Brasil eram negras.

De 2008 a 2018 os homicídios contra negros teve um aumento de 11,5%. Em contrapartida, o número de mortes violentas contra pessoas não negras teve uma queda de 12,9%.

É preciso ressaltar que dentro dessas estatísticas estão presentes o tocante gênero e a orientação sexual, como mostrou um estudo realizado por pesquisadores da Fiocruz (Fundação Oswaldo Cruz), em que foi constatado que entre 2015 e 2017 houve 24.564 registros de violência contra a população LGBTQI+.

69% das vítimas tinham entre 20 e 59 anos, e metade, 50%, eram negras. 46,6% eram transexuais ou travestis e 57,6%, homossexuais, dos quais 32,6% lésbicas e 25% gays, ou seja, as mulheres lésbicas são as maiores vítimas.

No geral, uma mulher é morta a cada sete horas apenas pelo fato de ser mulher, foi o que divulgou o Fórum Brasileiro de Segurança Pública, que em 2019 apresentou um levantamento mostrando que, em 2018, 1.206 mulheres foram assassinadas.

BAIXE AQUI O SELO E FAÇA PARTE DESSA REDE!

Chamar a atenção para a importância de adotarmos posturas e práticas antirracistas, anti machistas, lgbtfóbicas e anti capitalistas e contra a qualquer tipo de intolerância, sobretudo em um governo como o que vivemos, parece algo óbvio, mas os dados mostram que a cada dia a necessidade é mais urgente. Urge que sejamos contra a qualquer violência e prática negativa que nos hierarquize.

É urgente que organizações/ coletivos/ comunidades ecumênicas e a sociedade civil em geral esteja unida neste combate, reorganizando nossas lutas e ações. É por isso que estamos lançando o selo “Racismos e intolerâncias: NÃO!”. Este selo estará presente em todas as ações de KOINONIA Presença Ecumênica e Serviço no ano de 2021, mas ele não é só nosso, é de todas as pessoas que lutam contra qualquer prática discriminatória.

Por isso pedimos que se juntem a nós nessa ação em rede, e estejam livres para utilizarem este selo em suas peças de comunicações na semana de afirmação da liberdade religiosa e nas datas que marcam os direitos humanos no brasil. Ele é nosso!

Venha com a gente! Use este selo! Vamos juntes!

Junto ao selo utilize a hashtag #racismointolerancianao nas redes sociais!

Acesse a pasta para baixar as duas versões do selo:
https://drive.google.com/drive/folders/19wgILR9lX7P5_z2NiaFgogYwXeH3-08m?usp=sharing

Em caso de dúvidas, entre em contato:

Natália Blanco – comunica@koinonia.org.br
Luciana Faustine –
comunica2@koinonia.org.br

Apoiadores do candidato a prefeito de Simões Filho, Dinha Tolentino, promovem violência religiosa contra adeptos de religião de matriz africana

Por Luciana Faustine

Na última segunda-feira (09), adeptos de religião de matriz africana foram surpreendidos por um vídeo que circula nas redes sociais, o qual promove a candidatura de Dinha Tolentino (MDB) e diz que o candidato Eduardo Alencar (PSD) está indo a um terreiro de candomblé para receber a “benção do demônio”.

Com 1:53 de duração o vídeo mostra imagens da entrada do terreiro Ilê Axé Ominigê e um grupo de pessoas entrando no local. Segundo o narrador do vídeo uma das pessoas seria o candidato Eduardo Alencar, que estaria indo ali para “pedir a benção do demônio para receber a chave da cidade”.

Nos minutos seguintes o narrador afirma que evangélicos, católicos e pessoas que creem em Deus não devem permitir que Alencar  seja eleito, pois o único dono da cidade é Deus, e Deus levantou Dinha para governar a cidade.

Divulgada no último dia 7 de novembro uma pesquisa do Paraná Pesquisas demostra que Dinha está liderando as intenções de votos na cidade, com 32,4%, seguido por Eduardo Alencar, que ocupa o 2° lugar, com 23,3% das intenções de voto.

Em nota, representantes do Terreiro Ilê Axé Ominigê ressaltaram que se sentiram surpreendidos por um ato de racismo religioso, que ofende o direito de liberdade religiosa expresso na Lei nº 9.459, de 15 de maio de 1997, que configura crime a prática de discriminação ou preconceito contra religiões.

“Nós do terreiro Ilê Axé Ominigê fomos surpreendidos, nesta segunda-feira, por um ato grosseiro e covarde de racismo religioso, comportamento de perseguição e cerceamento ao livre exercício de religião com o claro intuito de desqualificar a religião de matriz africana professada por milhares de pessoas na cidade. Um vídeo que circula nas redes sociais, promovendo a candidatura à reeleição do atual prefeito da cidade, conhecido como “Dinha”, ataca o nosso terreiro. O narrador, neste vídeo, declara com desfaçatez e escárnio que o candidato visitante estava “pedindo a bênção do demônio para receber a chave da nossa cidade…”. Constata-se, assim, que seus autores têm a intenção de nos desqualificar, atacando a nossa fé em nome de uma disputa partidária. Sentimo-nos extremamente violentados”, diz a nota.

Em suas redes sociais, Dinha Tolentino se manifestou através de uma nota de esclarecimento, na qual diz que “repudia atos de intolerância de qualquer natureza e Fake News”.

“Nossa campanha, que é pautada unicamente em trabalho e propostas para dar continuidade ao desenvolvimento do município, está sendo alvejada por uma vasta produção diária de Fake News. A falta de respeito na tentativa de pautar a disputa política, em Simões Filho, está causando indignação à nossa sociedade, e nossa Coligação repudia veementemente toda forma de notícia falsa, conteúdo preconceituoso, intolerância, retaliação ou violência que possam ferir a honra ou a moral do cidadão, grupos políticos, representações sociais ou religiosas”, diz a nota do candidato.

Ekedi de Oxum do Ilê Axé Ominigê, Tassia Batista, também se disse surpreendida com o vídeo e refuta a nota divulgada por Dinha Tolentino. Segundo ela, por ser um vídeo no qual enaltece a candidatura, o candidato deveria dizer se tem ou não algo a ver com o desenvolvimento e publicação do conteúdo.

“Ele não fala que não foi ele quem fez o vídeo, que não partiu de sua candidatura, ele não menciona nada disso. Ele só fala que é contra a Fake News. Como o vídeo enaltece a candidatura dele, o mínimo que ele deveria fazer é se posicionar contra atitudes racistas e de intolerância religiosa. Meu pai ficou super abalado. A perversidade do racismo, ele atinge de várias esferas, inclusive no sentido cívico”, disse ela.

Também Ekedi do Ilê Axé Ominigê, Fernanda Silva, gravou um vídeo expressando a sua indignação com o ocorrido.

“Todos nós da casa fomos surpreendidos. Esse vídeo escarnece com o candomblé, humilha e tira a dignidade do meu babalorixá e de todos os filhos da casa. O meu pai de santo tem 50 anos de iniciado, a casa está em Simões Filho há 40, é um lugar respeitado por toda comunidade, nós nunca passamos por isso. Nós, os filhos da casa, estamos engajados na batalha, pela história do meu babalorixá, Luiz Natividade de Oxum, pela história do nosso Ilê Axé Ominigê, por Oxum e por justiça”, disse ela.

Integrantes de religião de matriz, tanto de Simões Filho quanto de outras cidades e estados, demonstraram apoio ao acontecido. Dentre eles, Dofono Hunxi e Apokan Walter Junior, integrantes do Vodun Zo Kwe, que se manifestaram em suas páginas nas redes sociais, e Jaciara Ribeiro, ativista contra intolerância religiosa e iyalorixá do Ilê Abasá de Ogum, localizado em Salvador, capital do estado.

“Isso é muito perverso, até porque qualquer iyalorixá, qualquer babalorixá tem a sua casa e livre arbítrio para receber quem quiser. Então meu repúdio a esses neopentecostais. Mesmo nesse momento de afastamento presencial, estamos aqui atentos. Vamos denunciar ao Ministério Público, ao Centro de Referência de Combate ao Racismo e vamos aclamar aos orixás que nos proteja”, disse Jaciara.

Por sua parte, o candidato Eduardo Alencar, até o fechamento desse texto, não havia se manifestado publicamente sobre o ocorrido.  

Nota de Repúdio ao racismo religioso contra o Ilê Axé Ominigê

Simões Filho, 09 de novembro de 2020

Nós do terreiro Ilê Axé Ominigê fomos surpreendidos, nesta segunda-feira, por um ato grosseiro e covarde de racismo religioso, comportamento de perseguição e cerceamento ao livre exercício de religião com o claro intuito de desqualificar a religião de matriz africana professada por milhares de pessoas na cidade. Um vídeo que circula nas redes sociais, promovendo a candidatura à reeleição do atual prefeito da cidade, conhecido como “Dinha”, ataca o nosso terreiro. Nas imagens, consta a entrada da Casa Religiosa, cuja comunidade foi visitada por um candidato à Prefeitura de Simões Filho – prática comum em campanhas políticas. O narrador, neste vídeo, declara com desfaçatez e escárnio que o candidato visitante estava “pedindo a bênção do demônio para receber a chave da nossa cidade…”. Constata-se, assim, que seus autores têm a intenção de nos desqualificar, atacando a nossa fé em nome de uma disputa partidária. Sentimo-nos extremamente violentados.

É válido rememorar que a Lei nº 9.459, de 15 de maio de 1997, considera crime a prática de discriminação ou preconceito contra religiões. Repudiamos toda e qualquer iniciativa que insista em violar a livre expressão religiosa, assegurada pela Constituição Federal Brasileira. Atitudes como essa devem ser investigadas e punidas pelas autoridades responsáveis.

Não seremos interrompidos em nossa dignidade religiosa, jamais trataremos com condescendência atos que ferem nosso Babalorixá, nossa comunidade, nossa religiosidade. O Ilê Axé Ominigê demanda respeito e, como cidadãos, seus filhos e filhas se recusam a tratar este caso como corriqueiro. Este é um crime de ódio e de racismo e usaremos todos os recursos legais para identificar e punir os autores.

Nosso povo não esquece. Não esqueceremos.

Racismo religioso foi tema central da Roda de Conversa organizada por KOINONIA na Semana de Afirmação da Liberdade Religiosa

Foto: Erin McManaway

Por Camila Chagas

Aconteceu no dia 29 de janeiro de 2020, no Espaço Vovó Conceição, localizado no Terreiro da Casa Branca, a Roda de Conversa Sobre Racismo Religioso, uma das ações organizadas por KOINONIA na Semana de Afirmação da Liberdade Religiosa.

Para tratar sobre o tema, foram convidadas as professoras Elizete da Silva, historiadora e professora da Universidade Estadual de Feira de Santana e Lindinalva Barbosa, Omorixá do Terreiro do Cobre, ativista integrante da Frente Nacional Makota Valdina e da Caminhada Contra a Intolerância Religiosa do Engenho Velho da Federação.

A professora Elizete da Silva falou sobre o racismo religioso numa perspectiva histórica, explicando como as Igrejas Cristãs se relacionaram com a escravização no Brasil e como a prática do racismo reverbera nos dias atuais.

De outra ponta, a professora Lindinalva Barbosa trouxe suas vivências como mulher negra candomblecista face ao racismo e como este criou substrato para a intolerância religiosa.

A comunidade local, religiosos e pesquisadores refletiram muito atentamente sobre as questões apresentadas. Eles partilharam suas experiências, trouxeram questões e proposições de como é possível enfrentar e combater o racismo religioso.

As abordagens apresentadas pelas docentes se complementaram e ampliaram a dimensão da discussão, na perspectiva de pensar alternativas eficazes que sigam o caminho do respeito, educação, diálogo e da convivência pacífica entre as pessoas.

As pessoas presentes abordaram a importância do incentivo à educação, na ampliação de escolas comprometidas com a formação de seus discentes. Na oportunidade, foi colocado em questão o fechamento do Colégio Estadual Odorico Tavares, localizado na Vitória, bairro nobre de Salvador.

Os participantes demonstraram sua indignação com a medida do Governo do Estado da Bahia que fortalece o racismo e a exclusão social da juventude negra.

Nesse contexto, foi proposta a criação de um museu, no espaço onde está localizada a escola, como elemento de reparação ao genocídio da população negra, constituindo um centro de memória e resgate do legado africano na cultura brasileira.

Ademais, foi apontada a necessidade da participação dos cristãos na luta contra a intolerância religiosa, ressaltando a importância da comunhão com aqueles que acreditam no diálogo como fortalecimento da cultura da paz.