Lançamento: Portal do Diálogo Ecumênico e Interreligioso pela Amazônia

 

A iniciativa Diálogo Ecumênico e interreligioso pela Amazônia visa fortalecer iniciativas ecumênicas e interreligiosas pela dignidade humana no Brasil, Bolívia, Colômbia e Peru, promovendo análises compartilhadas e ações conjuntas. Seus objetivos são:

– Fortalecer a ação conjunta do movimento ecumênico latino-americano em defesa da Casa Comum e o diálogo com movimentos sociais, organizações indígenas e quilombolas;

– Denunciar as violações de direitos e ameaças sofridas por comunidades tradicionais no controle sobre a terra e seus bens comuns;

– Desenvolver análises contextuais coletivas sobre os desafios à atuação de defensores e defensoras da natureza e dos direitos humanos e o papel do movimento ecumênico;

– Promover solidariedade global com os desafios enfrentados pelos povos amazônicos, convocando Igrejas e Organizações Irmãs no sul e norte global à oração e ação;

– Apoiar o desenvolvimento de uma espiritualidade ecológica que nos ajude a sentir-nos parte da Casa Comum, todo o mundo habitado, em respeito a todas as tradições de fé.

Em 2019, a iniciativa promoveu vigílias ecumênicas pela Amazônia em diversas cidades do Brasil e na COP-25 em Madrid, além de promover solidariedade ao Sínodo da Amazônia na Declaração Somos Amazônia, endossada por mais de 130 igrejas e organizações baseadas na fé em todo o mundo.

Coordenado pelas organizações baseadas na fé KOINONIA Presença Ecumênica e Serviço e Centro Regional Ecuménico de Asesoría y Servicio – CREAS, ambas fazem parte da Aliança

ACT, uma coalizão global com mais de 140 igrejas e organizações baseadas na fé, que trabalham juntas pela assistência humanitária, a promoção de capacidades e o desenvolvimento.

Convocamos igrejas, organizações ecumênicas e da sociedade civil a se somarem nessa iniciativa!

Entre em contato pela plataforma, disponível em 3 idiomas:

Português: https://koinonia.org.br/amazonia/
Español: https://koinonia.org.br/amazonia/es/
English: https://koinonia.org.br/amazonia/en/

Efeitos e desafios da pandemia na Amazônia brasileira e o papel das igrejas

 

Aldeia Santa Maria, etnia Karapãna, região do Rio Tarumã-Açú em Manaus. Foto: Comunidade Anglicana de Manaus

Por Bispa Marinez Bassotto
Bispa Diocesana da Diocese Anglicana da Amazônia

 

“Pergunte, porém, aos animais, e eles o ensinarão, ou às aves do céu, e elas contarão a você; fale com a terra, e ela o instruirá, deixe que os peixes do mar o informem. Quem de todos eles ignora que a mão do Senhor fez isso? Em sua mão está a vida de cada criatura e o fôlego de toda a humanidade. Jó 12:7-10

Estamos vivendo um tempo muito desafiador na região amazônica, esta aliás sempre foi carente de investimentos e políticas públicas, mas a situação se agravou após as últimas eleições presidenciais. O único olhar dispensado pelos governos para a Amazônia é o olhar da cobiça e do extrativismo, jamais o olhar da preservação ou da valorização da vida. Já vínhamos sofrendo, desde o início deste novo governo, com a perda de direitos e com a falta de investimentos, e em 2019 tudo se agravou com a pior onda de incêndios dos últimos tempos. De lá para cá a Amazônia concentrou 52,5% dos focos de queimadas do Brasil, incêndios esses que perduram até o presente momento. Os relatórios do INPE (Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais) seguem alertando para o aumento das queimadas na região amazônica, especialmente no Estado do Pará e no sul do Estado do Amazonas.

Todos sabemos que os incêndios na Amazônia não são fruto apenas da estiagem na região, não são resultado somente de uma ação natural, tratam-se, em grande parte, de ações orquestradas por pessoas representantes do agronegócio, por grileiros e garimpeiros. Também são resultado do sucateamento e desmonte das Políticas Socioambientais e das instâncias de proteção ambiental, bem como da escolha de pessoas inadequadas para assumirem a pasta do Meio Ambiente. Somam-se a isso a violação de direitos e morte das populações indígenas, e o sofrimento das comunidades ribeirinhas e quilombolas. Ou seja, as populações que já vinham sofrendo com a falta de ações protetivas e de políticas voltadas para suas necessidades tornaram-se ainda mais vulneráveis nos últimos 2 anos.

A pandemia de Covid-19 escancarou ainda mais essas desigualdades existentes na região amazônica, e me refiro a desigualdades em todos os aspectos. Há um número enorme de pessoas desempregadas, e um número crescente de pessoas famintas. A Covid-19 chegou nas aldeias indígenas mais afastadas dos centros urbanos e causou a mortes de muitas pessoas, especialmente as lideranças e pessoas mais idosas, que na tradição destes povos carregam o conhecimento e a sabedoria. Então, além de todas as dificuldades, há o sentimento de perda da identidade e de orfandade.

Os povos indígenas que vivem em regiões urbanas também estão em grande vulnerabilidade. Faltam alimentos, medicamentos, materiais de higiene e proteção, e várias lideranças morreram este ano sem a devida assistência. A situação é realmente muito preocupante.

Aldeia Yupirungá, etnia Karapãna, região do Rio Tarumã-Açú em Manaus. Foto: Comunidade Anglicana de Manaus

Segundo o site da APIB (Articulação dos Povos Indígenas do Brasil), em 26 de outubro havia 37.777 casos confirmados de Covid-19 entre pessoas indígenas, 862 indígenas morreram e 158 é o número de Povos indígenas afetados pela Covid-19 até esta data. O Estado com o maior número de pessoas indígenas contaminadas e também com o maior número de mortes é o Estado do Amazonas.

Nas Comunidades Quilombolas na região da Amazônia, segundo pesquisa da Universidade Federal do Amazonas (Ufam) a taxa de letalidade da doença chega a 17%, enquanto a média mundial fica entre 0,9% e 1,2%. Isso torna visível o fato de que o discurso irresponsável e a tentativa de minimizar as consequências da Covid-19, bem como a falta de ações rápidas, têm um impacto direto nas vidas das comunidades mais empobrecidas.

Os dados acima denotam um processo de necro-política (política de morte) voltado a matar simbólica e fisicamente as populações vulneráveis. Como se já não bastasse, estamos agora às portas do julgamento do Marco Temporal pelo STF. Precisamos mais do que nunca ter consciência de que o que está em jogo é o reconhecimento ou a negação do direito à terra, que é o direito mais fundamental para os povos indígenas. Essa decisão irá impactar o futuro de centenas de populações indígenas, e pode dificultar ainda mais as demarcações, indispensáveis à sobrevivência das populações indígenas. Nos aproximamos deste julgamento sabendo que o silêncio, as ironias, a intenção de minimizar as consequências de um julgamento favorável à tese defendida por ruralistas se configuram em uma estratégia sistemática de um governo que defende a flexibilização das leis e faz vistas grossas para a violência resultante de invasões e atividades ilícitas, como grilagem de terras, garimpo e extração madeireira em terras ora protegidas.

Como resultado desta conjuntura o mundo está assistindo as labaredas consumirem parte da floresta que contém a maior diversidade biológica e cultural do planeta, bem como a morte das populações da floresta.

Como Igreja cristã, encravada neste chão amazônico, a Igreja Episcopal Anglicana do Brasil, através da Diocese Anglicana da Amazônia, repudia essa conjuntura de morte, denuncia todas as atitudes de desrespeito socioambiental, e busca testemunhar por palavras e obras a vivência do amor e a busca de vida plena para todas as pessoas segundo o mandamento de Cristo. Por isso tem buscado se solidarizar com a dor e o sofrimento dos povos na Amazônia, sendo presença amiga e consoladora para as famílias indígenas enlutadas, e para comunidades em extrema vulnerabilidade. E isso significa ter coragem e ousadia de colocar-se como voz profética em defesa da vida e somar forças para que os direitos das populações mais vulneráveis sejam respeitados, bem como acompanhar essas comunidades de forma amiga e solidária.

Foi o que aconteceu durante o funeral de uma liderança indígena que faleceu por complicações da Covid-19 nos arredores de Manaus. O Senhor Paulino, da etnia Karapãna, era membro de uma outra igreja e seus pastores se recusaram a acompanhar o seu funeral e seus familiares por conta da distância, haja vista que seu corpo teria de ser transladado para sua aldeia afim de ser enterrado ali, no meio da selva, oito horas de viagem subindo o Rio Negro até chegar ao Rio Cuieiras. Mas o irmão Iuri Lima, anglicano de Manaus, cheio de ardor missionário se dispôs a ir, a orar com a família do cacique que havia morrido, a consolá-los e ser um signo da presença anglicana naquele local e naquele momento de tristeza. Encontrar e contemplar a vida divina no mais profundo da realidade é uma missão de esperança, confiada aos anglicanos e anglicanas.

A presença e a missão da Diocese Anglicana da Amazônia nos fazem entender que Amazônia é uma terra de sofrimento e redenção. Estar junto ao povo de Deus é uma experiência de seguimento ao Cristo que carrega a cruz, e isso significa que devemos abrir-nos, com Ele, a todo tipo de sede que aflige, hoje, a humanidade. Cristo é o alimento por excelência, a resposta a toda fome e a toda sede. É o pão da vida que ao saciar os famintos os congrega e os põe em comunhão. Junto a Jesus ninguém passa fome. E ele nos chama, nos envia aos mais empobrecidos e nos manda: “Dai-lhes vós mesmos de comer!” (Lucas 9. 13).

No dia 31 de agosto, a Comunidade Anglicana de Manaus, com a ajuda do Fundo do Arcebispo da Cantuária, o intermédio do Serviço Anglicano de Diaconia (SADD) da Igreja Episcopal Anglicana do Brasil e o aporte logístico da Diocese Anglicana da Amazônia, realizou a entrega de cestas básicas à famílias indígenas do entorno da capital amazonense que ainda estão sofrendo com os grandes impactos da pandemia da Covid-19. Com esta ação social e missionária a diaconia Anglicana em Manaus conseguiu contemplar famílias de cinco (5) comunidades indígenas de diferentes etnias: Associação de Mulheres Indígenas do Alto Rio Negro, Comunidade indígena Wotchimaücü (Tykuna), Parque das Tribos (Tarumã), Comunidade Indígena do Tarumã-Açú (Aldeia Gavião e Aldeia Yupurangá) e algumas famílias indígenas que habitam a região do Rio Cuieiras.

A missão anglicana na Amazônia supõe o serviço da fé e a promoção da justiça; nunca uma sem a outra. As pessoas necessitam de alimento, de alojamento, de amor, de verdade, de relacionamento, de significado para as suas vidas, de promessa, de esperança. Os seres humanos precisam de um futuro no qual possam assegurar a sua plena dignidade. Isso já está presente no centro da missão de Cristo, missão que, como era particularmente evidente no Seu ministério de curar, era sempre mais que física. A nossa missão de anglicanos e anglicanas no coração da Amazônia encontra a sua inspiração neste ministério de Jesus.

Seguindo a Jesus, nos sentimos chamadas e chamados não somente a levar ajuda direta às pessoas que sofrem, mas também a restaurar a integridade das pessoas, reincorporando-as na comunidade e oferecendo apoio pastoral. É aqui que, ajudados e ajudadas pela graça e pondo em ação todas as nossas capacidades, dons e talentos disponíveis, procuramos oferecer-nos totalmente, a Deus, para o Seu maior serviço.

* A publicação desse texto faz parte das ações parte das ações da iniciativa Diálogo ecumênico e interreligioso pela Amazônia, coordenado por Koinonia e CREAS e visa fortalecer iniciativas ecumênicas e interreligiosas pela dignidade humana no Brasil, Bolívia, Colômbia e Peru, promovendo análises compartilhadas e ações conjuntas.

Dia Da Amazônia – La creación gime desde la Amazonia

Arde el Amazonas (Nacho Yuchark/La Vaca)

 

Publicado em ALC notícias

BRASIL

Mara Manzoni Luz

En las últimas semanas de intensa movilización por la Amazonia, tuvo lugar el conversatorio ecuménico “La Creación Gime desde la Amazonia”, organizado por QONAKUY (Red de Universidades Evangélicas de América Latina, Central y el Caribe) y AIPRAL (Alianza de Iglesias Presbiterianas y Reformadas de América Latina).El conversatorio ha endosado la campaña Amazoniza-te, una iniciativa conjunta de la Red Eclesial Panamazónica y otras organizaciones, y tuvo el apoyo de la UniReformada.

Aquí destacamos la contribución de Mara Manzoni Luz, directora regional de CREAS (Centro Regional Ecuménico de Asesoría y Servicio) en el evento, que se puede acceder por completo en ese enlace. El debate ha sido mediado por Humberto Shikiya (QONAKUY) y tuvo la participación de João Gutemberg Sampaio (REPAM), Darío Barolín y Agnaldo Gomes (AIPRAL), Milton Mejía (UniReformada) y Gerardo Oberman (Red Crearte). En ese día de la Amazonia hacemos eco a las voces de Mara y de todas las personas que actúan por la dignidad humana en la región.

La Amazonia

Esta vasta área que cubre 9 países en Sudamérica posee la mitad de los bosques tropicales del mundo y alberga el 15% de la biodiversidad terrestre. Viene siendo expoliada hace siglos, lo que no es una novedad. Yo me acuerdo de la primera vez que la pisé en 1983, como estudiante de antropología, en mi visita a la comunidad indígena Gavião Pykobjê. En aquel entonces, ese lejano pedazo del estado de Maranhão ya era de mucho interés de empresas para el transporte de sus productos mineros del vecino estado de Pará hacia el Atlántico. En los últimos años, estuve acompañando a las comunidades quilombolas de Oriximiná, Pará, que sufren los impactos sociales y ambientales de la minería de bauxita, y visitando las comunidades indígenas Tacana de Rurrenabaque, Bolivia, unidas frente ala construcción de una presa, y veo que las amenazas de los 80, aunque terribles, no eran tan sofisticadas como la devastación que vemos hoy.

En los últimos años, la Amazonia ha sufrido, con diversas intensidades, el crecimiento de las desigualdades estructurales, las invasiones de tierras, la explotación minera, la flexibilización de las leyes ambientales, la criminalización de sus defensores y defensoras, el asesinato de liderazgos locales, muchas veces con el apoyo de los gobiernos y de grandes transnacionales. Hechos pasaron a ser manipulados, como por ejemplo los incendios, que nos quieren hacer creer que son fruto de sequias o aún culpa de las comunidades porque quieren quemar para plantar. Esas son mentiras, para que no se vea que son resultados de acciones criminales orquestadas por el agronegocio y el extractivismo. Son acciones muchas veces motivadas por los propios discursos de las autoridades de los países – sea por una política llamada “desarrollista”, por el entreguismo a intereses económicos de las potencias del norte, por ganancias, por total falta de respeto no solo a la floresta, sino a los 34 millones de personas que la habitan. Entre ellas, 380 pueblos indígenas, de los cuales 140 viven en aislamiento voluntario. Son pueblos que ya pasaron por todas las amenazas posibles, resistieron a todo, y eligieron vivir y proteger sus tierras ancestrales, sus ríos, sus florestas.

Ahora, esos pueblos tienen sus vidas, más una vez, arriesgadas por la pandemia del Covid-19 que está afectando, indistintamente, bebes (el caso Yanomami), la juventud y, principalmente, a ancianas y ancianos. Como dijo un líder Waorani de Ecuador, “Si nuestros ancestros mueren, nuestro pueblo dejará de existir”.  A cada día es devastador ver las noticias de lideresas y líderes muertos por la pandemia y los riesgos a las poblaciones en aislamiento voluntario. Como dice el líder Ashaninka Francisco Pikãyo, coordinador de la Organización de los Pueblos Indígenas del Rio Juruá, “la pandemia es la nueva arma química de la conquista”. A la vez, ¡nos llena de esperanza ver la cantidad de lideresas y líderes jóvenes, ocupando sus espacios en la defensa de sus pueblos!

Según la Coordinadora de las Organizaciones Indígenas de la Cuenca Amazónica (COICA) y la Rede Eclesial Pan Amazónica (REPAM), hasta el miércoles 19 de agosto, la población de pueblos indígenas contagiada era de 44.881; la población de pueblos indígenas fallecida de 1.442 y cerca de 221 pueblos/nacionalidades fueron afectadas en la región Pan Amazónica. Brasil, Perú y Colombia lideran esta triste estadística.

En Brasil[1], no se trata de más una pandemia en los últimos 520 años, pero de un intencionado genocidio, vía vetos del presidente de la Republica a la ley que pretendía disponer sobre medidas de emergencia para el enfrentamiento de la pandemia entre los pueblos indígenas, quilombolas y comunidades tradicionales. Eso afecta a todo el territorio nacional, pero en la Amazonia, con las distancias y las existentes vulnerabilidades, la negación del acceso a agua potable, del atendimiento diferenciado a la salud, del derecho a la conectividad para la comunicación con las áreas más aisladas, asociada a la lentitud de las acciones de ayuda, son una explicita violación de los derechos humanos. Lo que siglos de expoliación no han logrado, por la resistencia de los pueblos amazónicos, se intenta ahora usando la pandemia para avanzar la deforestación y así las fronteras agrícolas y el extractivismo.

Imagen: Amazonízate-Yurimaguas

¿Y el movimiento ecuménico?

Históricamente ha habido numerosas iniciativas en torno a la defensa de la Amazonia por parte del mundo ecuménico local, regional e internacional, no se podría nombrar a todas. Más recientemente, en 2019, previo al Sínodo Panamazónico de la Iglesia Católica, la iniciativa ecuménica de “Acción Solidaria Global por la Amazonia”[2] impulsada por Christian Aid América Latina y el Caribe y acompañada por CONIC – Brasil, ISEAT – BoliviaComisión Intereclesial de Justicia y Paz – Colombia, CREAS, Fórum de la Alianza ACT de Brasil, entre otras entidades, fue una iniciativa importante para fortalecer, de manera más amplia, las voces proféticas en defensa de la Amazonia.

Hoy CREAS y Koinonia de Brasil, juntamente con Christian Aid, desarrollan un proyecto cuyo objetivo principal es fortalecer la capacidad del diálogo interreligioso y ecuménico en la región amazónica – con prioridad para Bolivia, Brasil, Colombia y Perú – para la dignidad humana y los derechos de las comunidades indígenas y negras. Las Iglesias Latinoamericanas y las organizaciones ecuménicas y basadas en la fe han sido históricamente cruciales para acompañar a estas personas para una vida plena, con justicia, igualdad y sostenibilidad. Ahora, con las crecientes amenazas económicas y sociales, el conservadurismo religioso y la violencia, es fundamental un nuevo vigor al diálogo ecuménico e interreligioso en la región.

En nuestro plan de acción 2020, la Alianza Interreligiosa para la Agenda 2030 tiene el objetivo de incidir para que los pueblos indígenas y las comunidades tradicionales de la Amazonia garanticen el control de la tierra, sus bienes comunes y su salud, en la perspectiva de la Casa Común. Estamos trabajando en el sentido de amplificar las iniciativas en red basadas en la fe, en la defensa de los pueblos indígenas de la Amazonia, frente al incremento de los impactos de la pandemia y la explotación de los territorios y la floresta.

Según la Encíclica Laudato Si, la Amazonia u otro espacio territorial indígena o comunitario no es solo un espacio geográfico, sino que también es un lugar de sentido para la fe o la experiencia de Dios en la historia… “En la Amazonía se manifiestan las “caricias de Dios” que se encarna en la historia (cf. LS 84).”[3] Teniendo esto como inspiración y siendo partes de una comunidad ecuménica e interreligiosa en solidaridad con las comunidades de la Amazonia, debemos fortalecer nuestro compromiso en el sentido de seguir:

1) Presionando a los Estados para que garanticen que los pueblos indígenas, quilombolas y las comunidades tradicionales amenazadas tengan acceso y control sobre la tierra y sus bienes comunes y a garantías de acceso a la salud en tiempos de pandemia;

2)  Denunciando la acción nefasta de misioneros proselitistas que ya tanto mal han traído a las generaciones pasadas y que hoy, como parte de un proyecto fundamentalista económico, social, cultural y religioso, aliado del agronegocio, buscan apoderarse de los territorios;

3) Defendiendo a las defensoras y defensores de Derechos Humanos y de la naturaleza que vienen siendo constantemente amenazados, mediante mecanismos eficaces de denuncia y protección y en contra de los intentos de criminalizar las luchas de los pueblos de la Amazonia

4) Apoyando a las comunidades locales en la promoción de alternativas económicas sostenibles y a hacer frente al sistema económico vigente enfrentando los desafíos de la crisis climática en la región;

5) Desarrollando una espiritualidad ecológica que nos ayude a escuchar lo que el Espíritu nos dice, sintiéndonos parte de la Casa Común y todo el mundo habitado, empezando por nuestras congregaciones y comunidades de fe;

6) Apoyando a organizaciones locales e iniciativas basadas en la fe en el desarrollo de estos objetivos, manteniéndonos siempre informados, desafiantes y activos en lo que es para nosotros un imperativo de fe: ¡la defensa de los pueblos indígenas, de la Amazonia y del medio ambiente!

Por eso, es esencial que las Iglesias, organizaciones ecuménicas e interreligiosas del Sur y del Norte global continúen sus labores proféticas de fe en acción. Necesitamos reforzar las consciencias de que los peligros de extinción de la Amazonia y sus pueblos están ante todos y todas. Solamente en la solidaridad y la defensa de la Casa Común, podremos evitar que las pérdidas de los pueblos indígenas, las bibliotecas vivas, sea una pérdida para toda la humanidad, pues son ellos los responsables por el equilibrio ambiental en su totalidad y por las florestas que aún nos restan.

Termino con la Coleta de Responsabilidad Ambiental del Libro de Oración Común de la Iglesia Episcopal Anglicana de Brasil: “Aliento de vida, que creaste en tu seno todo el orden creado, nos enseña a respetar a todas las criaturas, en testimonio vivo del Evangelio, que nos anima a luchar por la preservación de la naturaleza, restaurando el ideal del Edén y la perfección de lo que nos ha dado como regalo”.

La autora es científica social y educadora popular brasileña, directora regional de CREAS, integrante de la Alianza Interreligiosa para la Agenda 2030 y laica de la Iglesia Episcopal Anglicana de Brasil.


[1] En junio pasado, según estudio de la Coordinadora de Organizaciones indígenas de la Amazonia Brasileña (COIAB) y del Instituto de Pesquisa Ambiental da Amazonia (IPAM) la tasa de contaminación (de 759) era 84% más alta para los pueblos indígenas, en comparación al promedio del país (de 413); la mortalidad (52 para cada 100 mil) era 150% más grande que el promedio brasileño, de 21 a cada 100 mil habitantes.

[2] Ver el Documento “Somos la Amazonia”

[3] Instrumentum Laboris. Sínodo Especial para la Amazonía. N°19

Entidades lançam campanha para combater fundamentalismo religioso

Na última segunda-feira, 17 de agosto, foi lançada a campanha Tire os Fundamentalismos do Caminho! Pela Vida das Mulheres. Para dar o pontapé inicial, organizações feministas e entidades religiosas – cristãs, afro brasileiras e indígenas – organizaram uma live que discutiu, entre outros assuntos, o papel do fundamentalismo no cerceamento dos direitos das mulheres.

O caso da menina de 10 anos estuprada pelo próprio tio pautou parte das discussões. “O lançamento da campanha faz ainda mais sentido, mostra a sua relevância e a sua urgência diante do que vivemos nos últimos dias com uma menina de 10 anos. Mostra toda a fúria e a violência dos grupos fundamentalistas e a desumanidade que esses grupos impões a nós mulheres contra a nossa vida, como se mostrou no caso dessa menina já submetida desde tão cedo à violência dos homens e do patriarcado, por meio do estupro. Foi também submetida à violência do Estado e à violência da ação dos grupos fundamentalistas. Essa situação nos provoca e nos conclama organizar a nossa revolta, organizar a nossa indignação contra os fundamentalismos, sua força e sua fúria contra nossas vidas e nossos corpos”, declarou Verônica Ferreira pesquisadora e educadora do SOS Corpo.

A campanha tem como objetivo alertar a sociedade brasileira sobre o avanço dos fundamentalismos e o risco que isso representam à vida das mulheres. A ação também tem como finalidade reafirmar a importância da pluralidade de crenças e apontar caminhos e práticas que levem à uma cultura de respeito e de valorização da diversidade.

Para a advogada e militante Vera Baroni, “o fundamentalismo hoje se transformou em política de governo”, e acrescenta que essa é uma “violência que não é nova, mas que vem crescendo a cada dia em nosso país”. Ela também afirma que vivemos um fundamentalismo escondido por trás do evangelho de Jesus de Nazaré, “que na verdade é um fundamento político, um projeto de poder que se funda no racismo presente em nossa sociedade”.

Representando as tradições indígenas, Elisa Pankararu lembra que o fundamentalismo religioso esteve presente em todas as épocas da história, e que Brasil, em relação aos povos indígenas, trouxe enormes prejuízos. “Esse fundamentalismo religioso, que tem como base o monoteísmo, quando chega aos nossos territórios traz uma imposição, uma invasão uma violação às nossas formas harmônicas de viver. Ele atinge diretamente as harmonias dos nossos coletivos, agride e viola os nossos territórios, corpos e espíritos”, pontuou.

Romi Bencke, secretária-geral do Conselho Nacional de Igrejas Cristãs do Brasil (CONIC), disse que a campanha era uma boa oportunidade para a autocrítica. “São as mulheres negras, as mulheres indígenas as que mais cotidianamente são atingidas pelos fundamentalismos. É um fundamentalismo que tem base religiosa, mas que também é político, econômico, racista e patriarcal. Infelizmente, no continente latino-americano têm se manifestado por uma matriz religiosa cristã. Então, para nós cristãs e cristãos, essa campanha serve como chamado à autocrítica, mas não uma autocrítica momentânea, uma autocrítica permanente. Será que nos identificamos realmente que a fé em Jesus Cristo seja associada com atitudes de racismo, de violência, de exclusão, de apedrejamento público? Será que isso mesmo que nós queremos?”.

GT de Comunicação da Campanha

Leia o manifesto “Não, meu irmão, não me violentes”

Fórun ACT Aliança FESUR: Um compromisso por ações que iluminem o caminho

Por

ARGENTINA – De 19 a 21 de agosto, organizações membros da ACT Alianza na América do Sul, realizaram o Seminário Internacional “Fundamentalismos, Democracia e Direitos Humanos: fé na ação por uma vida plena e digna na América do Sul”. Estiveram presentes 60 representantes de organizações religiosas e igrejas da América do Sul, que fazem parte da ACT Alianza e seus aliados, bem como agências ecumênicas internacionais, que emitiram uma Declaração de Compromisso.

Leia na íntegra:

Com profunda gratidão aos sinais divinos que vêm do trabalho a partir da paz, que nos une com amor e justiça em lutas e esforços compartilhados que fazem sentido em nossa América do Sul, e a partir do espírito ecumênico que nos estimula a novos desafios, assumimos com responsabilidade e esperança a criação do FESUR, como um espaço coletivo de ação, que está gestando novas e melhores ideias e projetos para responder o que está acontecendo na região com uma FÉ viva e desafiadora.

Nossa jornada compartilhada como FESUR é parte de um longo processo que teve, como ponto importante, a Conferência Global sobre América Latina e Caribe em março de 2019 na Guatemala. Foi quando membros dos Fóruns ACT da Argentina, Brasil, Colômbia e Peru concordaram sobre a validade e importância da consolidação do Fórum Ecumênico ACT Sulamericano (FESUR), como instrumento de ação e incidência na realidade sociopolítica de um continente encurralado devido ao aprofundamento das desigualdades estruturais, a redução dos espaços de participação da sociedade civil, ao aumento da violência e dos assassinatos de
defensores e defensoras dos direitos humanos e pelo enfraquecimento das democracias.

É essencial uma ação determinada com uma agenda de trabalho definida para os contextos onde crescentes fundamentalismos religiosos, políticos e econômicos invisibilizam e restringem os direitos de setores e comunidades já vulneráveis: grupos LGBTIQ +, povos indígenas e Quilombolas, população negra, crianças e adolescentes , mulheres de todos os grupos étnicos e
condições e milhões de pessoas criminalizadas por sua condição de migrantes. Esta ação é chamada a contestar não só as narrativas de medo predominantes, onde “o outro” é alguém a temer e odiar, mas também a estabelecer com certeza que qualquer construção de uma sociedade mais justa e solidária depende – em todos os momentos – de a atuação conjunta de todos os setores sociais e da FE de nossa região.

Abraçamos o sonho de um continente melhor, onde:
✓ A diversidade de pessoas e a pluralidade de seus pensamentos sejam uma riqueza a ser mantida.
✓ As múltiplas desigualdades, sejam um desafio a ser superado cotidianamente.
✓ Os projetos empreendidos coletivamente e em comunidade, sejam a referência para o caminho, mas também um lugar compartilhado, para caminhar com outras pessoas.

Que nossos compromissos sejam fortes e duradouros. Nossas vozes, firmes e de apoio. E nossos gestos, de amor e esperança.

ACT Aliança apoia populações afetadas pelo fogo na Amazônia por meio do Fórum Ecumênico ACT Brasil

ACT Aliança respondeu ao pedido de ajuda humanitária emergencial do Fórum Ecumênico ACT-Brasil, através da CESE, para apoio a povos indígenas da Amazônia afetados pelos incêndios iniciados em agosto deste ano e que ainda estão ocorrendo naquela região.
O apoio é para equipar as brigadas indígenas de combate ao fogo, possibilitar a essas brigadas os meios para chegarem até os locais onde os focos de incêndio persistem, bem como para fiscalizar as áreas queimadas, que ficam vulneráveis a invasões.
Alimentação e ações de incidência
A segurança alimentar das brigadas e das famílias que perderam suas roças e suas áreas de coleta e caça também faz parte das ações desta ajuda emergencial, que prevê a entrega de gêneros alimentícios a essa população. Outra ação será o apoio a ida de lideranças indígenas a Brasília para ações de incidência junto aos órgãos do governo e a sociedade civil.
Povos indígenas contemplados
Os povos indígenas que receberão o apoio são os Tenharim, da Terra Indígena Tenharim Marmelo, no sul do Amazonas; os Uru Eu Wau Wau, em Rondônia; e o Centro Haru Yuxibu dos Huni Kuin, no Acre. Para melhor garantir a rápida execução das ações previstas, a CESE está articulada com a Coordenação das Organizações Indígenas da Amazônia Brasileira (COIAB), e contará com a colaboração de parceiros na região, como o IEB, o COMIN e a Kanindé.