Articulação de Mulheres do Baixo Sul e Koinonia seguem com entrega de cestas de alimentos

Por Ana Celsa Souza, voluntária de KOINONIA
Edição Natália Blanco, KOINONIA

A existência de vacinas contra a covid-19, sendo uma delas desenvolvida no Brasil, ainda não é suficiente para conter os impactos e efeitos da pandemia na população brasileira.

As ações de solidariedade seguem tendo papel fundamental na manutenção da vida de comunidades e famílias vulnerabilizadas diante do atual cenário.

KOINONIA e a articulação de Mulheres do Baixo Sul da Bahia desde o início da pandemia, em março de 2020, vem organizando e realizando entregas de cestas de alimentos e matérias de segurança como as máscaras, para famílias de comunidades quilombolas e negras da região do Baixo Sul.

Na última ação, foram entregas 50 cestas de alimentos para comunidades do município de Camamu e Igrapiúna. A metodologia das entregas consistiu da seguinte forma: Cada mulher liderança comunitária informou os nomes das famílias mais vulneráveis neste momento de pandemia. Foi dada uma especial atenção para famílias de mulheres mães solteiras e de terreiro.

Além disso, foi dado um apoio ao acampamento de pescadores de Camamu com cestas básicas que se encontram acampados atualmente. Vale ressaltar que todas as comunidades beneficiárias fazem parte da Articulação de Mulheres do Baixo Sul.

Como as ações de solidariedade não são únicas, devido a entrega das cestas básicas pela Fundação Palmares, houve também um cuidado na escolha das datas, para que não fossem gerados conflitos . Outro fator que também impactou as ações foram as chuvas que se estenderam nos meses de dezembro e janeiro. Mas felizmente todas as entregas programadas foram realizadas.

Lista de Comunidades Quilombolas e Negras beneficiarias das 50 cestas básicas:

  • Abobora
  • Barroso
  • BoaVista
  • Beija Flor
  • Dandara
  • Jetimana
  • Pescadores
  • Ronco
  • Manjerona
  • Povos de Tereiro
  • Limoeiro

KOINONIA e EIG realizam formatura e lançamento da cartilha da Formação em Escuta Ativa e Empática

 

Marcando o encerramento dos 21 dias de ativismo pelo fim da violência contra as mulheres e o dia Internacional dos Direitos Humanos, no último dia 10 de dezembro realizamos uma celebração online de formatura com as mulheres/pessoas que participaram do Curso de Formação em Escuta Ativa e Empática “Mulher, vai tudo bem contigo?”.

Fruto de um processo de construção coletiva, entre KOINONIA e Evangélicas Pela Igualdade de Gênero, o curso e campanha de mesmo nome tiveram sua primeira edição entre julho e agosto deste ano.  E os planos de parceria entre EIG e KOINONIA é que em 2021 aconteçam novas edições da formação

O evento também teve o caráter simbólico de reafirmar nosso compromisso na luta pela igualdade e justiça de gênero, pelo fim das violências contra as mulheres no Brasil e no mundo; sobretudo em tempos de pandemia, em que os índices de violência contra as mulheres bateu recordes em todo o país.

Durante o encontro, escutamos falas de duas participantes representando as formandas. Para Maria Mariana, evangélica do Paraná, “é uma felicidade ter participado do curso, deste momento… pra mim é um prazer conhecer mulheres tão inspiradoras e de tantos lugares diferentes!”.

A baiana e católica Marli completa, “que vocês continue inspirando as boas novas em vossos corações, para que mais projetos como esse possam surgir, e que possamos ter mulheres mais fortes e preparadas para enfrentar esse mundo tenebroso com desassombro, com garra e Fé.” Marli antes mesmo de anunciarmos a sistematização do curso através da Cartilha, teve o cuidado em imprimir todos os textos utilizados no curso de forma independente, encadernado as páginas e lavado até a paróquia onde comunga para mostrar a seu padre e se colocar a disposição para ser uma multiplicadora em sua comunidade.

LANÇAMENTO DA CARTILHA DE ESCUTA ATIVA E EMPÁTICA

E por fim, a celebração também marcou o lançamento da Cartilha, com todos os conteúdos do curso sistematizados e também indicações onde as pessoas podem encontrar os materiais produzimos pela campanha, como cards/ imagens e vídeos.

A cartilha está disponível gratuitamente, clique aqui para acessar.

Acesse os vídeos usados na campanha clicando aqui.

Acesse os cards utilizados na campanha clicando aqui.

Por Natália Blanco/ Koinonia

Fluxo solidário e KOINONIA entregam recomendação ao CNDH sobre a pobreza menstrual

Por Alexandre Pupo/ KOINONIA

No último dia 02 de dezembro, KOINONIA Presença Ecumênica e Serviço recebeu em São Paulo o presidente do Conselho Nacional dos Direitos Humanos – CNDH, Renan Sotto e o vice-presidente Leonardo Pinho. Eles receberam de Vivi Mendes, do coletivo Fluxo Solidário, uma recomendação ao CNDH sobre a pobreza menstrual. O Fluxo Solidário é um coletivo que surgiu da militância de um grupo de mulheres que se organizam para lutar contra a pobreza menstrual, e que tem sido apoiado por KOINONIA.

Pobreza menstrual se refere à falta de acesso que pessoas em situação de vulnerabilidade social enfrentam durante sua menstruação. Essa vulnerabilidade está associada a condições de higiene, saneamento básico e em larga medida ao acesso a absorventes.

No Brasil, estima-se que 23% das jovens entre 15 e 17 anos não tem dinheiro para comprar absorventes. Enquanto pastas de dente e papel higiênico são corretamente isentos de impostos, absorventes têm em média 1/3 de seu valor composto por tributos. A falta destes utensílios faz com que soluções inadequadas e arriscadas do ponto de vista de saúde se tornem a única saída para diversas pessoas durante o seu fluxo menstrual. Saco plástico, panos velhos, papelão, miolo de pão são algumas das alternativas recorridas na vulnerabilidade.

Mulheres encarceradas, em situação de prostituição e de rua ou em extrema pobreza, pessoas ovariadas em vulnerabilidade enfrentam cotidianamente as angústias e perigos da falta de absorventes. A pandemia tem escancarado as desigualdades múltiplas existentes na sociedade brasileira. A pobreza menstrual é uma face da desigualdade profunda de gênero que enfrentamos e que se acentuou diante do crescimento da miséria e da escassez por conta da crise atual e da pandemia.

Mães não devem ter que escolher entre comprar absorventes ou comidas. Presas não devem ser submetidas a situações de insalubridade por falhas do Estado. Pessoas em situação de rua devem poder acessar itens básicos de higiene.

Um fenômeno biológico e natural que acompanha mais de 50% da população brasileira durante anos de suas vidas, não pode ser visto como um tabu. Refletir sobre a construção de estigmas em torno da menstruação contribui para a defesa dos direitos sexuais e reprodutivos das mulheres.

Através de uma arrecadação online, o Fluxo Solidário recebeu mais de R$40.000,00 em doações e montou kits de higiene que foram distribuídos através de organizações parceiras e movimentos sociais que já trabalham com pessoas que menstruam e que estão situação de vulnerabilidade social, como a casa de acolhida LGBT Casa 1, na Reserva Indígena Tekoa Pyau no Pico do Jaraguá, a pastoral do Povo de Rua junto ao Padre Julio Lancelotti, a cooperativa da catadoras e catadores COOPAMARE e o Movimento dos Atingidos por Barragens. Onde é possível, a entrega é feita junto com uma palestra e roda de conversa com profissionais da saúde que orientam e trocam informações com as mulheres sobre saúde menstrual.

A ação junto ao CNDH faz parte de uma outra área de atuação do Fluxo Solidário, de incidência pública para mudanças na legislação sobre o tema. Os absorventes são considerados bens supérfluos pela legislação tributária, o que faz com que tenha um peso alto dos impostos no preço final desse produto essencial para todas as pessoas que menstruam. A luta política do Fluxo Solidário gira em torno de duas propostas: a isenção tributária e a distribuição gratuita de absorventes nas UBS’s e escolas.

Siga no instagram: @fluxosolidário

Programa Fala Egbé 3: Funções dos vereadores e prefeitos

Você já pode escutar o 3º episódio do programa em áudio Fala Egbé: Funções dos vereadores e prefeitos

Neste terceiro episódio, representantes das comunidades quilombolas do Baixo Sul da Bahia falam sobre suas visões em relação às funções dos vereadores e prefeitos, e como elas querem ser representadas.

Quais as obrigações do prefeito, quais as obrigações dos vereadores, como eles devem agir para atender às necessidades das comunidades, quais comportamentos são inadequados, como escolher um candidato são alguns dos assuntos debatidos no programa.

Agradecemos a participação das nossas companheiras de Camamu: Maria Andrelice (Comunidade Dandara dos Palmares), Maria Jacinta (Dandara dos Palmares), Ana Célia Pereira (Barroso) e Maria Lúcia (Barroso).

Apresentação: Camila Chagas, advogada, educadora popular e colaboradora do Koinonia.

Gostou? Encaminhe o programa para os contatos da sua rede e ajude a divulgar! Compartilhe todas essas informações com a maior quantidade de pessoas que você conseguir.

Se quiser relatar algo sobre a sua comunidade ou sugerir um tema, basta enviar uma mensagem para o e-mail da nossa comunicadora, Natália Blanco: comunica@koinonia.org.br

Ouça o podcast:

Fórun ACT Aliança FESUR: Um compromisso por ações que iluminem o caminho

Por

ARGENTINA – De 19 a 21 de agosto, organizações membros da ACT Alianza na América do Sul, realizaram o Seminário Internacional “Fundamentalismos, Democracia e Direitos Humanos: fé na ação por uma vida plena e digna na América do Sul”. Estiveram presentes 60 representantes de organizações religiosas e igrejas da América do Sul, que fazem parte da ACT Alianza e seus aliados, bem como agências ecumênicas internacionais, que emitiram uma Declaração de Compromisso.

Leia na íntegra:

Com profunda gratidão aos sinais divinos que vêm do trabalho a partir da paz, que nos une com amor e justiça em lutas e esforços compartilhados que fazem sentido em nossa América do Sul, e a partir do espírito ecumênico que nos estimula a novos desafios, assumimos com responsabilidade e esperança a criação do FESUR, como um espaço coletivo de ação, que está gestando novas e melhores ideias e projetos para responder o que está acontecendo na região com uma FÉ viva e desafiadora.

Nossa jornada compartilhada como FESUR é parte de um longo processo que teve, como ponto importante, a Conferência Global sobre América Latina e Caribe em março de 2019 na Guatemala. Foi quando membros dos Fóruns ACT da Argentina, Brasil, Colômbia e Peru concordaram sobre a validade e importância da consolidação do Fórum Ecumênico ACT Sulamericano (FESUR), como instrumento de ação e incidência na realidade sociopolítica de um continente encurralado devido ao aprofundamento das desigualdades estruturais, a redução dos espaços de participação da sociedade civil, ao aumento da violência e dos assassinatos de
defensores e defensoras dos direitos humanos e pelo enfraquecimento das democracias.

É essencial uma ação determinada com uma agenda de trabalho definida para os contextos onde crescentes fundamentalismos religiosos, políticos e econômicos invisibilizam e restringem os direitos de setores e comunidades já vulneráveis: grupos LGBTIQ +, povos indígenas e Quilombolas, população negra, crianças e adolescentes , mulheres de todos os grupos étnicos e
condições e milhões de pessoas criminalizadas por sua condição de migrantes. Esta ação é chamada a contestar não só as narrativas de medo predominantes, onde “o outro” é alguém a temer e odiar, mas também a estabelecer com certeza que qualquer construção de uma sociedade mais justa e solidária depende – em todos os momentos – de a atuação conjunta de todos os setores sociais e da FE de nossa região.

Abraçamos o sonho de um continente melhor, onde:
✓ A diversidade de pessoas e a pluralidade de seus pensamentos sejam uma riqueza a ser mantida.
✓ As múltiplas desigualdades, sejam um desafio a ser superado cotidianamente.
✓ Os projetos empreendidos coletivamente e em comunidade, sejam a referência para o caminho, mas também um lugar compartilhado, para caminhar com outras pessoas.

Que nossos compromissos sejam fortes e duradouros. Nossas vozes, firmes e de apoio. E nossos gestos, de amor e esperança.

Celebrando duas décadas da Marcha das Margaridas, mulheres do Baixo Sul da Bahia e religiosas do FEACT relembram a experiência vivida em 2019

Por Camila Chagas e Natália Blanco/ Koinonia

 

Na última edição do evento, realizada em Brasília, mais de 100 mil mulheres de todos os locais do país se juntaram para marchar em busca de soberania popular, democracia, justiça, igualdade e pelo fim violência.

A última quarta feira, 12 de agosto, foi marcada pela celebração dos 20 anos da Marcha das Margaridas, ato de resistência que ocorre a cada quatro anos e é uma em homenagem à Margarida Maria Alves, presidenta do Sindicato dos Trabalhadores e Trabalhadoras Rurais de Alagoa Grande, na Paraíba, assassinada em frente à sua casa, no dia 12 de agosto de 1983.

Devido aos protocolos de combate à pandemia de coronavírus a comemoração da data não pode ser realizada presencialmente, sendo feita por meio de um encontro online, que contou com uma transmissão ao vivo no canal da Confederação Nacional dos Trabalhadores na Agricultura (CONTAG).

Em 2019 a marcha foi realizada no dia 14 de agosto, em Brasília, reunindo mais de 100 mil mulheres de todos os cantos do Brasil, do campo e da cidade, da terra e das águas em busca de justiça, igualdade de direitos e pelo fim da violência, levando para as ruas da capital do País o tema “Margaridas na Luta Por Um Brasil Com Soberania Popular, Democracia, Justiça, Igualdade e Livre de Violência”. O evento contou com a presença de diversas representantes das comunidades do Baixo Sul da Bahia e de Koinonia, que esteve presente em dois blocos.

Para Eridan Strubi, da Comunidade da Aldeia de São Fidelis, localizada em Valença, município do Estado da Bahia, que esteve no ato em 2019, a experiência na participação lhe fez sentir uma energia tão boa que mesmo com um grupo tão diversificado de mulheres não houve nenhum problema que pudesse atrapalhar o evento.

Outra participante que se encantou com a energia do ato foi Aurea, também da comunidade de Aldeia de São Fidelis, que além de participar do evento fez a sua primeira viagem para “um lugar distante”.

“Eu amei! Conheci pessoas novas, gente de um monte de lugares diferentes, muita coisa boa. As palestras das companheiras foi uma coisa muito boa”, explica.

Para Antônia, também de Valença, participar do evento “foi um sonho que estava se realizando”.

“Eu me senti muito feliz com os conhecimentos, com as minhas novas amigas, foram dias maravilhosos, com a presença de todos. A carreta em benefício de todas as guerreiras, as guerreiras que estou falando, somos nós mulheres que participamos do nosso Brasil”, conta ela.

Outra representante da região do Baixo Sul, que esteve presente na marcha de 2019, foi Luciene, presidente de Tancredo Neves. Para ela, a energia provocada pelo encontro e resistência das mulheres não é possível ser colocada em palavras, pois o “vivido e sentido não dará pra colocar em papel ou algo do tipo”.

“O mais importante a ressaltar é a energia das mulheres, a vontade de lutar por algo maior, algo que vai muito além do ontem ou do agora. Fiquei honrada em conhecer margaridas que saíram do cômodo dos seus jardins para marcharem rumo a uma floresta vasta e completa, não se preocupando com obstáculos e pedras sobre o caminho”, finaliza.

“Terrivelmente evangélicas e feministas”

Durante a Marcha das Margaridas de 2019 um grupo de mulheres religiosas membras do Fórum Ecumênico ACT Brasil (FEACT) marcharam ao lado das milhares de companheiras em defesa dos corpos-territórios. As mulheres da equipe de Koinonia também estavam presentes.

O grupo de mulheres, carregando placas e vestindo camisetas que diziam “Terrivelmente evangélicas e feministas”, chamava a atenção por onde passavam. Até mesmo da Deputada Federal Benedita da Silva (PT), que se juntou a elas no meio do caminho.

O termo “Terrivelmente Evangélicas e Feministas” foi uma forma de resistir à fala da Ministra da pasta “Mulher, Família e Direitos Humanos”, Damares Alves, que em janeiro daquele ano proferiu a frase: “O Estado é laico, mas esta ministra é terrivelmente cristã”.

“Também marchamos por nós mesmas, porque somos impactadas por todos esses reveses que estão acontecendo no país. Como mulheres de fé, evangélicas ou de outras religiões, e feministas, queremos denunciar este governo que promove a morte, e anunciar que não daremos um passo atrás em defesa de nossas conquistas e lutas por nossos direitos”, disse a pastora e diretora executiva da Coordenadora Ecumênica de Serviço (CESE), Sônia Mota.

 

 

Campanha de enfrentamento à violência com foco em mulheres evangélicas durante a pandemia da covid-19

 

“Mulher, vai tudo bem contigo?”
 
Essa é a pergunta que norteia a campanha de enfrentamento à violência contra as mulheres evangélicas nestes tempos de pandemia.
 
Fruto de uma parceria entre o projeto Rede Religiosa de Proteção à Mulher Vítima de Violência de Koinonia Presença Ecumênica e Serviço e as Evangélicas pela Igualdade de Gênero, a campanha surge para colaborar com tantas outras iniciativas de enfrentamento às violências contra as mulheres, que principalmente neste tempo de pandemia tem crescido absurdamente.
 
Quantas mulheres em nossas igrejas têm respondido “está tudo bem” mas na verdade tem vivido situaçãoes em que seus lares estão destruídos, sofrendo humilhações, isolamentos, violências. Há mulheres em nossas igrejas que nem são perguntadas se estão bem ou não, não há interesse ou credibilidade, sofrem caladas.
 
Sendo assim, como você pode contribuir?
É simples:
 
A CAMPANHA É FORMADA PELOS SEGUINTES MATERIAIS:
 
Compartilhando,
 
– IMAGENS, que vão servir para que as mensagens circulem facilmente;
– VÍDEOS com Comentários bíblicos para que você perceba como a bíblia pode ser instrumento para a opressão OU libertação.
 
MAS NÃO É SÓ ISSO!
 
Vamos oferecer um pequeno CURSO DE FORMAÇÃO DE ESCUTA ATIVDA para você que deseja aprender como acolher as mulheres evangélicas vítimas de violência pela escuta ativa e empática, além de conhecer a rede pública de enfrentamento e como acessá-la.
 
Para você mulher, que deseja participar do curso, inscreva-se no link:
 
 
Nós cremos que tudo pode ser diferente! É preciso transformação no nosso modo de pensar e de agir!
 
 
Sobre o título da campanha:
 
Nós perguntamos “Mulher, vai tudo bem contigo?” porque fomos inspiradas pelo texto bíblico de 2 Reis 4:8-37, que relata sobre uma Mulher que era da cidade de Suném que ofereceu comida e abrigo ao profeta Eliseu. Nós a conhecemos apenas como Mulher Sunamita porque infelizmente o escritor desse texto bíblico não achou que era importante informar seu verdadeiro nome.
 
A Mulher Sunamita era uma mulher forte, determinada, serena, equilibrada. Ao constatar que seu filho estava morto, leva seu corpo até o quarto do profeta, fecha a porta do quarto e vai ao encontro do profeta.
O profeta ao ver a Sunamita, fala para o moço Geazi perguntar: “ Mulher, está tudo bem com você? Tudo bem com seu marido? E com seu filho?” E olha só, a Sunamita responde: “Está tudo bem”.
 
Neste texto bíblico é possível perceber que a Sunamita respondeu que estava tudo bem, mas estava profundamente angustiada! E o profeta percebeu isso.
 
Claro! Seu filho estava morto!
 
Em nosso país, a cada DUAS horas UMA mulher é morta. Por ser mulher. Nosso país ocupa o 5º lugar no ranking MUNDIAL de países mais violentos contra as mulheres.
 
A EIG e Koinonia vão trabalhar intensamente neste próximo mês para que essa campanha alcance o máximo de irmãs, irmãos e igrejas.
Se você também entende que nós, como cristãs e cristãos, temos a responsabilidade de enfrentar TODO TIPO DE VIOLÊNCIA CONTRA AS MULHERES, VOCÊ PODE NOS AJUDAR COMPARTILHANDO ESSA CAMPANHA!

Organizações do Feact-Brasil atuam no fortalecimento da Justiça de Gênero em meio à pandemia da covid 19

Dados da ONU Mulheres apontam que o número de mulheres vítimas de violência está aumentando como resultado da pandemia do novo coronavírus

Coletivo de Comunicação Feact-Brasil

Com vários países adotando as medidas de isolamento social, cerca de quatro bilhões de pessoas agora estão se abrigando em casa contra o contágio global do novo coronavírus. É uma medida protetora, mas que traz outro perigo mortal. Vemos uma pandemia crescente, a da violência contra as mulheres.

Uma em cada três mulheres em todo o mundo já sofreu violência . Os números crescem como resultado da pandemia do novo coronavírus (Sars-CoV-2), aponta o relatório “A sombra da pandemia: violência contra mulheres e meninas e Covid-19”. O documento foi divulgado em abril pela ONU Mulheres, entidade da Organização das Nações Unidas para igualdade de gênero e empoderamento.

Em países profundamente desiguais como o Brasil, períodos de quarentena deflagram outras realidades — violações de direitos ainda mais aviltantes no acesso à terra, território, moradia, trabalho, saneamento básico, comunicação e segurança alimentar por parte de populações vulnerabilizadas. A violência de gênero é uma delas.

As mulheres negras estão mais vulneráveis à infecção e aos impactos socioeconômicos da pandemia, visto que elas são a maioria das pessoas vivendo abaixo da linha de pobreza no Brasil. Mulheres são a maioria trabalhando nas áreas de enfermagem, mulheres são maioria nos trabalhos domésticos, estes, nunca valorizados ou remunerados como deveriam. O racismo e o machismo são vetores de mortes acentuadas pelo cenário da pandemia. Confira a matéria clicando aqui.

Na cidade de São Paulo, houve um aumento no número de prisões em flagrante de violência doméstica — passaram de 177 em fevereiro para 268 em março.

Outro exemplo desse aumento se percebe em Blumenau (SC), onde as ocorrências de violência doméstica subiram 39%. Dados do Fórum Brasileiro de Segurança Pública mostram que houve aumento expressivo de feminicídio dentro de casa em março, em São Paulo (46%), Acre (100%), Rio Grande do Norte (300%) e Mato Grosso (400%). A comparação foi realizada com março de 2019.

A diaconia ecumênica com justiça de gênero alerta as organizações baseadas da fé sobre a urgência de pensar ações que reduzam o sofrimento de mulheres, crianças, adolescentes e pessoas idosas forçadas a viver diuturnamente na presença de seus agressores.

Compartilhamos com vocês algumas ações de enfrentamento à violência de gênero, de emergência e ajuda humanitária por meio deste medium que pode ser acessado em português ou inglês.

Boa navegação!

MEDIUM EM PORTUGUÊS AQUI.

MEDIUM IN ENGLISH HERE.


FEACT Brazil organizations act to strengthen Gender Justice in the midst of the COVID-19 pandemic

Communication from FEACT Brazil

May 8

Data from UN Women suggests that the number of female victims of violence is increasing as a result of the new coronavirus pandemic.

FEACT Brazil Collective Communication

With a number of countries adopting social isolation measures, approximately four billion people are now sheltering at home against the global contagion of the new coronavirus. This is a protective measure, but one that leads to another mortal danger. We are seeing a growing pandemic — violence against women.

One in every three women around the world has experienced violence. These numbers have grown as a result of the new coronavirus (Sars-CoV-2) pandemic, as noted in the report “The Shadow Pandemic — Violence Against Women and Girls and COVID-19”. The document was published in April by UN Women, a United Nations organization for gender equality and the empowerment of women.

In profoundly unequal countries such as Brazil, periods of quarantine reveal other realities — even more appalling violations of the rights of vulnerable populations to access land, territory, housing, work, basic sanitation, communication and food security. Gender violence is one more of these.

Black women are even more vulnerable to infection and to the socio-economic impacts of the pandemic, given that they form the majority of people living below the poverty line in Brazil. Women make up the majority who work in nursing, women make up the majority in domestic work, and are never valued or remunerated as they should be. Racism and sexism are vectors of death accentuated by the pandemic situation.

Click here to check out the report

The city of São Paulo saw an increase in the number of arrests for acts of domestic violence — rising from 177 in February to 268 in March.

Another example of this increase was seen in Blumenau (SC), where the incidence of domestic violence rose by 39%. Data for March 2020 from the Brazilian Forum of Public Security demonstrate a significant increase, compared to March 2019, in femicide within the home in São Paulo (46%), Acre (100%), Rio Grande do Norte (300%) and Mato Grosso (400%).

The ecumenical diakonia for gender justice has warned faith-based organizations about the urgent need to consider actions that reduce the suffering of women, children, adolescents and the elderly forced to live with their aggressors on a daily basis. We would like to share some emergency and humanitarian activities to combat gender violence.

Happy navigating!

MEDIUM EM PORTUGUÊS AQUI.

MEDIUM IN ENGLISH HERE.

Terreiros e KOINONIA na luta pela vida durante a pandemia da Covid 19 em Salvador

Por Ana Gualberto
com contribuições de Natália Blanco

Com o início das medidas de isolamento social em 17 de março, estamos monitorando o impacto da pandemia junto às comunidades negras tradicionais com as quais atuamos. Diante do desafio da manutenção da vida durante a pandemia, por saber que nossas casas de candomblé são espaços de acolhimento e referência para a comunidade, por compreender e valorizar sua ação junto à sua comunidade e por ter sua casa como parceira de nossas ações e sonhos de uma sociedade com mais equidade. Nos juntamos para atuar de forma direta na garantia da sobrevivência do nosso povo negro periférico e de religião de matriz africana.

Historiador e educador social, o Ogan Lucas Cidreira compartilha sua breve análise sobre como o que a história nos revela sobre os processos de resistência do povo de axé, olhando para essas ações dos terreiros durante a pandemia, principalmente com as lideranças das mulheres:

“Não podemos perder a perspectiva de toda a odisseia que cerca a sobrevivência da identidade ancestral em nós, essa medida é a condição singular para a nossa continuidade.
Tudo existe a partir do corpo, local onde nos é depositada pelas experiências a memória. A minha traz a resistência da manutenção e práticas dos ritos nas senzalas e na força das mulheres que lutaram e tornaram possível o candomblé entre outras denominações e manifestações ancestrais africanas. Em minha opinião primeiro espaço de resistência institucional da população negra, basilar para o resgate identitário de negras e negros em todo país.
A título de exemplo não seria possível a nossa sobrevivência quando o estado recém brasileiro institui leis que tornam crime ser negro e senão pela força das mulheres que sempre sustentaram e tornaram possível a nossa existência como grupo, o sustento da família, ao lado do homem negro perseguido e violentado, estão as mulheres sempre a lhes prover a vida, o resgate, a resistência e os caminhos para libertação, em seu pleno exercício de poder.
Assim, as ações que os terreiros de candomblé praticam em seu cotidiano de luta e resistência, o têm por inspiração dessa luta matriarcal, por alteridade, por entender o valor da vida e num momento como este jamais estaríamos eximidos do nosso papel e responsabilidade fraterno de cuidar. Mais uma vez vítimas de um processo irresponsável de globalização e usura, que não só globaliza as “conquistas” contemporâneas, mas também as suas mazelas.”

Olhando para realidade, algumas questões são importantes serem afirmadas:

  • Mais de 70% destas populações não tem vinculo empregatício, o que as coloca em situação de vulnerabilidade econômica;
  • Mais de 60% destas comunidades estão em áreas com saneamento básico insuficiente ou inexistente;
  • A crise econômica e social não se resolverá em curto prazo, o que nos coloca a necessidade de pensar mais ações de manutenção de sobrevivência;
  • As lideranças de terreiro e das associações quilombolas são referencias para buscar auxílio imediato para sanar falta de alimento, itens de higiene, compra de gás de cozinha, remédios entre outros itens.
  • Há redes articuladas pela Sociedade Civil em processos de distribuição de alimentos, com as quais estamos conectando as comunidades onde há esse tipo de intervenção. Porém a distribuição de alimentos tem se tornado cada vez mais complexas a partir de grandes entregas a partir de um lugar central. Uma solução é a compra local e a distribuição família por família, evitando assim as aglomerações que são de alto e de maior risco para as populações.

Como parceiros, KOINONIA foi procurada pelas lideranças de comunidades de terreiro de candomblé e iniciativas que contemplam este público para contribuir no que pudesse. Assim iniciamos diálogo com nossos financiadores para contribuir de alguma forma. Conseguimos destinar uma parte de nossos recursos que transformamos em alimentos e itens de limpeza.

Nós reportamos aos alguns terreiros que nos procuraram, que realizam atividades em parceria com KOINONIA nos últimos anos e que oferecem ações sociais em suas casas, buscamos também chegar em áreas diversas da cidade de Salvador. Chegamos à seguinte lista de comunidades de terreiro de candomblé e iniciativas:

Ilê Axé Okutá Lewá, Abassá de Ogum, Ilê Axé Torrun Gunam, Ilê Axé Omo Omim Tundê, Ilê Axé Obá Tossi, Ilê Axé Tafá Oyá, Egbé Onã Osun, Casa Branca, Comissão de Terreiros do Engenho velho, Coletivo pelo Nordeste de Amaralina, Espaço Vovó Conceição/Ong Dendê do Aro Amarelo e Rede de Mulheres Negra. Estes grupos receberam as doações e organizaram a distribuição a partir de seus espaços sagrados, reafirmando assim o papel da religião de matriz africana na promoção da vida.

Conseguimos alcançar aproximadamente 200 famílias. Compartilhamos algumas imagens e depoimentos para encher seu coração de alegria e esperança de uma sociedade mais solidária e amorosa.

Mãe Rose do Ilê Axé Obá Tossi:

“A situação é complicada, porque a gente vive de jogo, e através desse jogos que a gente compra cimento pra fazer uma obra na casa. Não para fazer do nosso axé um comercio, mas para suprir as necessidades da casa, para as contas de luz, agua, telefone etc. Só que neste momento sem poder atender clientes estamos vivendo na misericórdia de Deus e dos orixás. Mas uma coisa temos que agradecer, nossa vida, ficar cada um dentro de casa e pedir misericórdia para que isso acabe logo. Todo nosso povo ficou muito emocionado com a iniciativa.”

Iyalorixá Odara Bomfim do Egbé Onã Osun:

“Minha avaliação de organizações, que apoiam, que visam atuar no maior conhecimento de cultura de grupos históricos, e essa importância de ser uma organização ecumênica, de entender que a diferença não nos faz diferente, ela nos aproxima e nos traz conhecimento. Então ter a disposição de Koinonia auxiliando em nossa campanha para as doações, faz a sensação de caminho, de caminhar, de positividade, existe.

Diante de toda a trajetória histórica que nós povos e comunidades de matriz africana temos, neste caminho o que mais nos deparamos é com solidão. Então você se deparar com uma organização que categoricamente visa, entende, respeita, acolhe e aceita seus projetos, isso faz com que você tenha um sentimento de pertença. De que de fato essa terra é sua, esse caminho é seu, a liberdade, de fato, essa liberdade religiosa, ela é positiva. Então eu vejo de suma importância todas as atividades de Koinonia e essa disponibilidade acolhedora que todas as pessoas envolvidas nesta grande organização tem.”

 

Seu Antônio não morreu. Ele foi morto! Seu Antônio presente! Sempre!!!

Acervo Observatório Quilombola

 

KOINONIA chegou ao baixo sul da Bahia em 2008 e uma das pessoas que apresentaram a história de Camamu foi seu Antônio Correia dos Santos, o seu Antônio do Barroso. Ele contou a história negra de toda a região, dos conflitos, dos usos dos espaços, das ações do estado em tentar controlar os negros da região. Ele possuía e transmitia o conhecimento que não se encontrava nos livros, como Griot, era exemplo e referência para os mais novos da comunidade.

Seu Antonio foi uma das primeiras pessoas a acreditar no direito das comunidades quilombolas, a acreditar que a titulação coletiva protege e protegerá da expropriação e garantirá a permanência da vida quilombola. Ele foi um homem de fé, que lutou por seus ideais, acreditou na justiça, acreditou nas pessoas, mas principalmente tinha certeza da luta que travava. A luta pela permanência no território, a luta pela vida.

Desde 2014 se arrasta um conflito com pessoas da comunidade do Varjão referente ao uso de uma casa de farinha que está localizada numa área da comunidade quilombola do Barroso. Essa área era da família de seu Antonio e foi doada para a associação para ser de uso coletivo da comunidade. Nesta área estão, alem da casa de farinha, uma horta comunitária, museu e cozinha comunitária. Pessoas da outra comunidade alegam que a casa de farinha seria de propriedade deles e questionaram a doação da área. Foram diversas as tentativas para resolver o conflito e denúncias aos órgãos do Estado sem que houvesse respostas.

Se o problema é a casa de farinha, constrói-se outra, na área do Varjão pondo fim a questão. Este diálogo foi feito em 2016 com a presença de representantes do governo do estado da Bahia, SEPROMI, CAR, SDR, lideranças das comunidades, STTR onde o governo afirma que poderá construir a casa de farinha se algumas questões técnicas fossem sanadas: espaço possível e acordos de financiamento para a obra. Estamos acompanhando este conflito desde 2015, conforme noticia em nosso site OQ: “KOINONIA alerta a CDA da Bahia e o INCRA sobre violações de direitos de quilombolas do Baixo Sul”[1]

No inicio deste ano, no dia 2 de março, estivemos em uma reunião na sede da SDR aqui em Salvador onde estiveram presentes SEPROMI, CAR, SDR, Conselho Quilombola da BA, KOINONIA e seu Antonio para mais uma vez falar da gravidade do conflito. Seu Antonio afirmou textualmente, “Vão me matar” falando do não cumprimento do que foi acordado. Saímos dali com o compromisso da CAR em realizar a obra via Consorcio de Municípios do Baixo Sul.

Com a inércia do Estado, o conflito se intensificou e Seu Antônio, passou a ser insultado e ameaçado de morte. Percebendo a situação de abandono do Estado, KOINONIA passou a mobilizar diversos órgãos que compõem o executivo estadual, o Ministério Público do Estado da Bahia e o Poder Judiciário.

Das diversas ocorrências policiais registradas e ações penais em curso, em um dos processos foi deferida liminar proibindo o acesso à área da comunidade, bem como a proibição de manter contato com Seu Antônio. Mesmo cientes da decisão judicial, membros do Varjão continuaram a entrar no terreno onde está localizada a casa de farinha.

Seu Antonio e a comunidade quilombola do Barroso seguiram todas as etapas do ordenamento para resolver este conflito. Seu Antonio passou a esperar o juiz chegar em Camamu para fazer sua “incidência” de forma bem direta. Ele diligenciava o processo da comunidade com garra, empenho e coragem e já era conhecido pelo Magistrado e Promotora de Justiça da comarca.

No início da noite de ontem, por volta das 19h, homens armados invadiram a casa de seu Antonio e o alvejaram com 3 tiros: 2 no abdômen e um na cabeça. Ele foi socorrido por seus vizinhos e levado para Camamu, aproximadamente 40 minutos de viagem. O hospital de Camamu que não atende casos graves mandou para Itabuna, mais uma hora de viagem. Nosso guerreiro deu depoimento em Camamu antes da transferência e reconheceu uma das pessoas que atiraram nele. Ele chegou a ser operado, mas não resistiu, morreu na madrugada do dia 9 de maio de 2020.

A vida do seu Antonio nestes últimos anos foi dedicada a resolver esta questão e garantir as áreas comuns do quilombo do Barroso, e ele foi morto por isso. O conflito existente desde 2014, se arrastando por 6 anos, com tantos atores envolvidos e sem resolução, serviu para acirrar os ânimos e mostrar que a causa quilombola não está e nunca esteve nas prioridades do Estado da BA. Muitas casas de farinha foram construídas pelo Estado, mas não uma que resolveria este conflito.

O sangue do Seu Antonio esta em todas as mãos que se omitiram, que fizeram ouvidos de mercador pra seu pedido de ajuda, pras suas denuncias. As mortes em conflitos de terra tem se acirrado nos últimos anos pelo contexto de violência extrema que o país tem vivido e pela permissividade do governo federal na criminalização dos defensores de direitos. Seu Antonio era um defensor dos direitos quilombolas. E foi morto por isso.

O que podemos fazer agora? Primeiro, é lutar por justiça, pela prisão e condenação de seus assassinos. Segundo, garantir que não haja mais mortes, colocando fim ao problema entre as comunidades vizinhas. Terceiro, é que o governo da Bahia trate com seriedade os conflitos de terras, as denúncias feitas pelas lideranças. Não queremos que os movimentos sociais tenham mais mártires, queremos lideranças vivas!

Que a luta de seu Antonio continue a nos inspirar e a acreditar!

Obrigada por seu exemplo de luta e resistência! Cuide de nós, meu velho!!!

Ana Gualberto e Camila Chagas

KOINONIA

 

[1] https://koinonia.org.br/oq/2015/11/19/koinonia-alerta-a-cda-da-bahia-e-o-incra-sobre-violacoes-de-direitos-de-quilombolas-do-baixo-sul/