Campanha Plantando Vidas incentiva recuperação da Amazônia e áreas atingidas por barragens

Foto: MAB

O índice de desmatamento na Amazônia no último ano é o maior da década, de acordo com o Instituto do Homem e Meio Ambiente da Amazônia (Imazon).

Diante do quadro desolador, iniciativas de preservação da floresta tornam-se ainda mais necessárias e urgentes.

Somando forças nesse contexto, a Campanha Plantando Vidas tem como objetivo principal discutir e denunciar o desmatamento na região amazônica e nos territórios atingidos por barragens.

Foto: MAB

Realizada por KOINONIA e a ACT Aliança junto com o Movimento dos Atingidos por Barragens (MAB), Movimento República de Emaús e a Associação de Desenvolvimento Agrícola Interestadual (Adai), o projeto está revitalizando o viveiro de mudas da sede do Emaús, localizado no bairro periférico Bengui, em Belém (PA). A ideia é que essa e outras soluções possam ser transformadas em boas práticas capazes de promover a recuperação ecossistêmica dos biomas impactados pelo desmatamento e pelas obras das barragens.

Outra proposta de melhoria para o viveiro é a instalação de um sistema de produção de energia solar para a irrigação de uma horta orgânica comunitária. O uso de tecnologias alternativas para a geração de energia como a fotovoltaica tem como objetivo popularizar seu uso e promover nas regiões a discussão sobre o projeto energético popular.

No mês de setembro, no qual se comemora o Dia da Amazônia (05) e Dia da Árvore (21), serão realizadas outras ações relacionadas à temática ambiental a fim de estimular o envolvimento de organizações, universidades, associações locais, movimentos sociais e a sociedade em geral com o tema.

Com informações do MAB

 

Quilombo na Bahia realiza evento sobre educação ambiental

A preocupação com o descarte de resíduos e seu impacto ambiental esteve no centro da Caminhada Sagrada da Resistência, realizada em 23 de maio no Quilombo Pitanga de Palmares/Caipora, Bahia. Devido à pandemia, teve frequência reduzida.

O evento, apoiado por KOINONIA Presença Ecumênica e Serviço, foi aberto com a apresentação da Dança de São Gonçalo, manifestação cultural muito popular na Bahia, principalmente na região do Rio São Francisco e no Recôncavo Baiano.

Na sequência, foi apresentado um projeto de sustentabilidade e lançada a cartilha “Akoberê Aiyê – Princípio da Terra”, sobre meio ambiente e religiões de matriz africana.

“Foi fundamental a gente falar de educação ambiental, descarte do lixo, e sobre como nós, de terreiro, devemos fazer as oferendas sem impactar o meio ambiente”, destacou Iyá Jaciara, uma das organizadoras do encontro.

Representante de KOINONIA, Ana Gualberto lembrou de uma cartilha de Abassá de Ogum, que também traz práticas sustentáveis voltadas ao povo de terreiro. Em sua fala, aproveitou para exaltar os quilombolas presentes.

“Nesse mundo que a gente está vivendo, as pessoas fazem muita homenagem em memória. A gente precisa receber homenagem em vida também. É importante que, nesse espaço, a gente reverencie a ancestralidade, mas também valorize quem está na luta hoje”.

Após a Caminhada Sagrada da Resistência pelo terreiro e seus arredores, o evento foi encerrado com a plantação de folhas sagradas e a inauguração de cestos de lixo sustentáveis.

O Quilombo Pitanga de Palmares/Caipora se localiza no município de Simões Filho, Região Metropolitana de Salvador.

Confira algumas imagens feitas no evento:

*Créditos: Acervo Abassá de Ogum

 

Lançamento: E-book “Fundamentalismos e Meio Ambiente”

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O livro “Fundamentalismos e Meio Ambiente”, organizado pelo teólogo e professor Moisés Coppe, é fruto dos debates gerados durante o seminário de mesmo nome, que reuniu diferentes perspectivas de como pensar o impacto dos fundamentalismos no cuidado com a nossa casa comum, seja no âmbito social ou ambiental. O momento político atual pede por uma compreensão de fundamentalismos que não engloba apenas o aspecto religioso, e sim ideais fundamentalistas também presentes na economia e na política. Fundamentalismos esses que impactam as realidades sociais e ambientais de maneiras atravessadas.

Em outubro de 2019, celebramos em Salvador, Bahia, os nossos 25 anos de presença ecumênica e serviço, promovendo o Seminário “Fundamentalismos e Meio Ambiente”. O seminário reuniu associados e parceiros de KOINONIA de diferentes organizações, movimentos e comunidades e lideranças religiosas. “O seminário acontece em concomitância à celebração do nosso jubileu de prata. Logo após o golpe militar de 1964, pessoas ligadas à extinta Confederação Evangélica do Brasil, atingidas pela repressão militar e eclesiástica, se reuniram para buscar formas de resistência à ditadura recém instalada. Primeiro, no Centro Evangélico de Informação (CEI), depois no Centro Ecumênico de Documentação e Informação (CEDI) e, finalmente, em KOINONIA – Presença Ecumênica e Serviço”, como relata Paulo Ayres Mattos, presidente de KOINONIA no início da publicação.

A publicação apresenta contribuições a partir de experiências de saberes e de fé, e trazem pontos de vista teológicos e políticos desde suas inserções e críticas aos desafios das situações estruturais de desigualdades, agressões ambientais e raciais. Situações em que os fundamentalismos justificam e aprofundam violações de direitos humanos de toda ordem. Não são palavras finais, mas aproximações críticas, baseadas na fé, de uma intersecção nova – com superações em luta com crueldades – entre fundamentalismos e meio ambiente.

Confira alguns temas abordados pela publicação:

  • Fundamentalismos e meio ambiente: Desafios sempre presentes, por Paulo Ayres Mattos.
  • O fundamentalismo religioso e a política institucional neoliberal no Brasi, por Zwinglio Dias
  • Fundamentalismos e meio ambiente, por Moisés Coppe
  • Por uma ética da “Casa Comum, por Moisés Coppe
  • Humanidade e subversão, por Ogan Lucas Cidreira
  • Resistência aos fundamentalismo, por Pastor Ras André Guimarães
  • Da Ancestralidade ao comprometimento com a vida, por Mãe Mameto Kamurici
  • Ações das organizações baseadas em fé, em Brumadinho, por Rafael Soares de Oliveira
  • Amazônia ameaçada! A ação de Christian Aid, por Sarah De Roure
  • Missão Ecumênica “Águas para a Vida”, por Sônia Mota

Por fim, o e-book também apresenta alguns “apontamentos para o cuidado com o Meio Ambiente e perspectivas críticas aos fundamentalismos”, moderada por Eliane Rolemberg, além de alguns relatos sobre a trajetória de KOINONIA nesses últimos 25 anos na luta contra as intolerâncias e por direitos.

Ao mobilizarmos a solidariedade da comunidade ecumênica, desenvolvemos programas de produção de conhecimento, de informação e de educação, na construção de espaços democráticos que promovem a justiça e os direitos humanos. No marco de um desenvolvimento transformador, seguimos dando continuidade à luta das três instituições que nos antecederam, como KOINONIA.

Durante esses anos temos atuado na defesa de direitos dos territórios das comunidades negras tradicionais (quer dos terreiros de religiões de matriz africana, quer dos remanescentes quilombos), das populações urbanas que vivenciam situações limites provocadas pelo preconceito e pela discriminação: mulheres, jovens e a comunidade LGBTQI+. E a partir deste compromisso ecumênico, proporcionamos reflexões e ações sobre as mais diferentes formas de exclusão e de intolerância, principalmente as religiosas e de gênero. São 25 anos de muitas lembranças que nos movem a seguir em frente, esperançando e caminhando na promoção de direitos contra quaisquer fundamentalismos!