Evento debaterá intolerância, direitos, fundamentalismos e exclusão

Por CONIC

Será realizado na próxima quarta-feira, 17/03, às 10h de Brasília, o evento online “Intolerância Religiosa no Brasil: Direitos Humanos – Novos Fundamentalismos – Exclusão”. A
atividade, que ocorrerá em paralel
o à 46ª sessão ordinária de Direitos Humanos das Nações Unidas, tem por objetivo analisar e debater os impactos das agendas fundamentalistas na vida das mulheres, povos originários e comunidades tradicionais.
Assista a gravação:
 
Organizações religiosas e de direitos humanos, entre elas o CONIC, são proponentes desta ação, que também tem como objetivo é ouvir experts da ONU sobre liberdade religiosa, os standards internacionais aplicáveis em matéria de intolerância religiosa e os caminhos práticos para superá-los. 
 
Os organizadores esperam identificar as interconexões entre os diferentes fundamentalismos para a articulação e formação de alianças estratégicas entre diferentes grupos e movimentos. Compreende-se que os fundamentalismos resultam de estratégias que ameaçam e buscam controlar as democracias, afetando diretamente a defesa e ampliação dos direitos humanos, econômicos, sociais, ambientais e culturais. Os fundamentalismos desafiam as respostas desenvolvidas por organizações de direitos humanos e reduzem o espaço de participação da sociedade civil organizada.
 
A mesa será composta por:
 
  • Ahmed Shaheed, relator Especial das Nações Unidas sobre Liberdade de Religião ou Crença; (a confirmar)
  • Adelaide Lopes, Ñandesy Kaiowá (Pajé) membra da Aty Guasu Kaiowá e Guarani no Mato Grosso do Sul e do movimento de mulheres indígenas; 
  • Wania Sant’Anna, historiadora, membro da Coalizão Negra por Direitos, com pesquisas no campo das relações de gênero e relações étnico/raciais. Ex-Secretária de Direitos Humanos do Estado do Rio de Janeiro e atualmente vice-presidente do Conselho do Instituto Brasileiro de Análises Sociais e Econômicas (IBASE);  
  • Magali do Nascimento Cunha, doutora em Ciências da Comunicação pela Universidade de São Paulo, coordenadora do Grupo de Pesquisa Comunicação e Religião da INTERCOM (Sociedade Brasileira de Estudos Interdisciplinares da Comunicação). Coordenou a pesquisa Fundamentalismos, crise da democracia e ameaça aos direitos humanos na América do Sul;
  • Romi Márcia Bencke, pastora, bacharel em Teologia pelas Faculdades EST, mestre em Ciência da Religião pela Universidade Federal de Juiz de Fora, secretária-geral do Conselho Nacional de Igrejas Cristãs do Brasil (CONIC). 
 
A mediação será realizada por Paulo Lugon, do Conselho Indigenista Missionário (Cimi). O evento será transmitido pelas redes sociais das organizações proponentes, o que possibilitará aos internautas acompanhar o debate, comentar e enviar perguntas aos palestrantes. A Pa. Dra. Elaine Neuenfeldt, do Programa Global de Justiça de Gênero da Aliança ACT, e a Irmã Lúcia Gianesini, vice-presidente do Cimi, farão a abertura do evento.
 
Organizações proponentes:
 
  • Conselho Indigenista Missionário – Cimi
  • Conselho Nacional de Igrejas Cristãs do Brasil – CONIC (no dia do evento, clique aqui para assistir)
  • Articulação para o Monitoramento dos Direitos Humanos no Brasil – AMDH
  • Movimento Nacional de Direitos Humanos – MNDH
  • Coalizão Negra por Direitos
  • Fórum Ecumênico ACT Brasil – FE ACT Brasil
  • ACT Alliance
  • Instituto Brasileiro de Análises Sociais e Econômicas – Ibase
  • Fundação Luterana de Diaconia – FLD
  • Sinfrajupe – Serviço Inter-Franciscano de Justiça, Paz e Ecologia
  • Coordenadoria Ecumênica de Serviço – CESE
  • Processo de Articulação e Diálogo Internacional – PAD
  • KOINONIA Presença Ecumênica e Serviço
  • Red Latinoamericana Iglesias y Minería – IyM
  • DIACONIA
  • Misereor
 
Serviço:
 
O quê: Evento para debater intolerância religiosa, direitos humanos, novos fundamentalismos e exclusão.
Quando:  Quarta-feira, 17 de março, às 10h (horário de Brasília). Durante a 46º sessão do Conselho de Direitos Humanos das Nações Unidas.
Quem: Organizações proponentes do evento.
Por onde acompanhar: Pelas redes sociais das organizações proponentes.

Racismo religioso foi tema central da Roda de Conversa organizada por KOINONIA na Semana de Afirmação da Liberdade Religiosa

Foto: Erin McManaway

Por Camila Chagas

Aconteceu no dia 29 de janeiro de 2020, no Espaço Vovó Conceição, localizado no Terreiro da Casa Branca, a Roda de Conversa Sobre Racismo Religioso, uma das ações organizadas por KOINONIA na Semana de Afirmação da Liberdade Religiosa.

Para tratar sobre o tema, foram convidadas as professoras Elizete da Silva, historiadora e professora da Universidade Estadual de Feira de Santana e Lindinalva Barbosa, Omorixá do Terreiro do Cobre, ativista integrante da Frente Nacional Makota Valdina e da Caminhada Contra a Intolerância Religiosa do Engenho Velho da Federação.

A professora Elizete da Silva falou sobre o racismo religioso numa perspectiva histórica, explicando como as Igrejas Cristãs se relacionaram com a escravização no Brasil e como a prática do racismo reverbera nos dias atuais.

De outra ponta, a professora Lindinalva Barbosa trouxe suas vivências como mulher negra candomblecista face ao racismo e como este criou substrato para a intolerância religiosa.

A comunidade local, religiosos e pesquisadores refletiram muito atentamente sobre as questões apresentadas. Eles partilharam suas experiências, trouxeram questões e proposições de como é possível enfrentar e combater o racismo religioso.

As abordagens apresentadas pelas docentes se complementaram e ampliaram a dimensão da discussão, na perspectiva de pensar alternativas eficazes que sigam o caminho do respeito, educação, diálogo e da convivência pacífica entre as pessoas.

As pessoas presentes abordaram a importância do incentivo à educação, na ampliação de escolas comprometidas com a formação de seus discentes. Na oportunidade, foi colocado em questão o fechamento do Colégio Estadual Odorico Tavares, localizado na Vitória, bairro nobre de Salvador.

Os participantes demonstraram sua indignação com a medida do Governo do Estado da Bahia que fortalece o racismo e a exclusão social da juventude negra.

Nesse contexto, foi proposta a criação de um museu, no espaço onde está localizada a escola, como elemento de reparação ao genocídio da população negra, constituindo um centro de memória e resgate do legado africano na cultura brasileira.

Ademais, foi apontada a necessidade da participação dos cristãos na luta contra a intolerância religiosa, ressaltando a importância da comunhão com aqueles que acreditam no diálogo como fortalecimento da cultura da paz.