Uma carta à Campanha da Fraternidade Ecumênica -Diálogo: compromisso de amor. Cristo é a nossa paz!

Diante do caos pandêmico e político em solo brasileiro nos perguntamos: é possível outra realidade com paz, justiça e garantia de direitos humanos, sociais e ambientais? Honestamente, parece que não! A impressão que temos é que há um projeto de poder articulado com setores fundamentalistas religiosos negacionistas que preferem armas no lugar da vacina. Preferem agendas do agronegócio a práticas da economia solidária e da agricultura familiar e agroecológica. Preferem o privilégio dos homens brancos à resistência de mulheres indígenas, quilombolas e negras. Preferem uma visão de mundo europeizada-americanizada dicotomizada à imersão na integralidade corpo-natureza dos povos tradicionais e originários. Preferem os mitos gregos ao panteão africano. Preferem muros a pontes. Preferem julgar e condenar a acolher e abraçar.

Estamos em profundo cansaço! Está muito difícil esperançar! Como sugere Edson Gomes (cantor de reggae do recôncavo baiano), “a lua não é mais dos namorados – os velhos já não curtem mais as praças”. Uma nação dilacerada pela dor, pelo luto, pela ausência de teto, pão, trabalho e amor. Com efeito, experimentamos um tempo que exige de nós cada vez mais capacidade de resistir para recriar.

É importante ressaltar que nossas lágrimas no exercício da alteridade e da empatia também regam possibilidades de novas sementes. Reafirmamos nesta complexidade dos fenômenos religiosos a relevância das vozes produzidas por setores ecumênicos e progressistas. Vozes em defesa da vida em suas múltiplas maneiras de existir. Tradições religiosas que no escritório, no templo, no terreiro, no sindicato, na universidade, nas redes sociais e na ONG buscam uma espiritualidade diaconal, afetiva, libertadora, emancipatória e humana.

De fato, seja com a mochila nas costas e o tênis sujo de barro, essas mulheres e homens que compõem essas instituições buscam através de uma escuta sensível compreender e estabelecer estratégias de superação de violências que sangram corpos (principalmente) afro-indígenas de mulheres em nossa nação. Muitas incidências são produzidas em defesa da vida ameaçada, banalizada, objetificada e animalizada por políticos-religiosos ilusionistas da moralidade e missionários do terror.

Não iremos naturalizar a morte como se vidas fossem números. Não iremos nos calar e nem nos omitir diante da nuvem cinzenta que nos impede de ver o sol e um novo dia. Iremos de mãos dadas continuar o grande mutirão da beleza, da poesia e da humanização. Silêncio dos bons? Aqui não! Junto aos sinos, violões e atabaques escutamos e produzimos sons para a grande festa do abraço, pois, nela haverá uma grande mesa da diversidade onde iremos sorrir, beber, comer e brincar.

Enquanto esse dia não chega, nós nos fortalecemos com fé e cuidado mútuo. O rosto do divino é também rosto humano diverso, é terra, território e muitos povos. É cuidando de alguém e de nós mesmos que percebemos a face amorosa do mistério divino que nos acolhe no colo e sussurra em nossos ouvidos: estou com você! Não tenha medo! Finda a tempestade o sol nascerá. Com efeito, nossa gratidão às muitas mãos disponíveis para denunciar injustiças e anunciar através da fé e do compromisso, uma outra realidade. Animem-se mais uma vez, pois, como sugere Belchior: tenho sangrado demais – tenho chorado pra cachorro – ano passado eu morri, mas esse ano eu não morro.

Embora dizem que a CFE finaliza na Páscoa, para nós, do Movimento Ecumênico, no domingo da Ressurreição ela se fortalece, porque é pela Ressurreição que compreendemos que a violência não vence o amor incondicional de Deus pela Criação.

                  

                   Fórum Ecumênico ACT Brasil, 26 de março de 2021

As ciências, as curas e os cuidados – enfrentando os fundamentalismos

 

Vivemos no país hoje o ponto mais alto de contágios e mortes causadas pelo coronavírus. Se por um lado temos finalmente a perspectiva da vacinação que poderá levar o país à imunização, o caminho que nos trouxe até aqui não foi linear.

Veja ainda: Fundamentalismos, crise na democracia e ameaça aos direitos humanos na América do Sul é tema de pesquisa publicada por Koinonia


O negacionismo e a desinformação, que trazem por detrás interesses políticos específicos, semearam dúvidas e falsos tratamentos entre a população. Desde a compra e produção da hidroxicloroquina por parte do Governo Federal, o “kit covid”, a “gripezinha” e os feijões mágicos, esse discurso teve especial permeabilidade entre alguns grupos religiosos.


O fundamentalismo que se expressa de diversas formas, também tem a sua contribuição no fortalecimento de visões negacionistas que hoje causam mortes em nosso país.

Como grupo de jovens ecumênicos, inter-religiosos e interfé, nos reunimos neste espaço de trabalho para identificar, refletir e pensar em forças de ação frente ao fenômeno multiforme do fundamentalismo. Te convidamos para nos ajudar nessa reflexão.

No dia 31 de março, às 19h, estaremos reunidos via Zoom com Alana Moraes: Doutora em antropologia pelo Museu Nacional (UFRJ), pesquisadora do PimentaLab (Unifesp); Yury Orozco: teóloga feminista sob a Mediação: Angelica Tostes: teóloga feminista, interfé e pesquisadora do Instituto Tricontinental,  neste projeto coordenado por Daniel Souza e KOINONIA Presença Ecumênica e Serviço.

Apresentamos algumas de nossas perguntas norteadoras:
a. Na pandemia, quais os sentidos e a quem/como serve o negacionismo científico e a desinformação?
b. Há possibilidades de conexões e vínculos entre os saberes técnico-científicos e a gramática “simbólico-religiosa”?
c. Quais os métodos científicos e quais os modos de fazer ciência?
d. Como aprender de outras ciências, outras visões de mundo e outras práticas de cura/cuidado que estejam para além das lógicas modernas?
e. Nas relações entre cura e cuidado, o fundamentalismo e o negacionismo se mostram como um espaço de segurança e circulação de afetos?
f. Quais as vinculações entre movimentos baseados na fé e as mobilizações (na pandemia e antes dela) para a garantia de uma saúde pública, universal, gratuita e de qualidade?
g. Nas relações com a ciência moderna (saber técnico-científico), quais os jogos, os usos e as instrumentalizações dos fundamentalismos?

 

Venha participar conosco dessas duas horas de reflexão e trabalho.

Serviço:

As ciências, as curas e os cuidados – enfrentando os fundamentalismos
Encontro para debate e formação

📌 Dia 30 de março às 19 horas (Brasília)
📲 Inscrições em: bit.ly/CienciasCuidados

Dos efeitos das enchentes à organização para a luta: A trajetória das atingidas da Zona Leste de SP

Por Diego Ortiz
Coletivo de Comunicação do MAB*

Na manhã de 28 de janeiro, os atingidos da zona leste se reuniram na sede do Grêmio União de Vila Nova, no Jardim Nair, para manifestar aquilo que há muitos anos afeta a vida população: as constantes perdas provocadas pelas enchentes.

Portando máscaras, distribuindo álcool em gel, vestindo camisetas do MAB e carregando bandeiras e cartazes com fotos das enchentes, os atingidos marcharam pelas ruas dos bairros atingidos em direção à subprefeitura de São Miguel Paulista.

A “mulherada”, termo usado nestes espaços ao se referir ao engajamento das mulheres nas lutas e ações, era a grande maioria daquela marcha, que caminhou até a subprefeitura para reivindicar seus direitos.

O calor, a subida e o cansaço não foram impedimento para o povo, que entoava músicas e palavras de ordem que davam o tom da luta e animavam o espírito coletivo. “Águas para a vida, não para a morte!”, “Atingidos em defesa da vida: basta de enchentes!”, “Somos todas e todos atingidos!” foram algumas das frases recorrentes, repetidas no trajeto e no ato, especialmente na chegada à subprefeitura.

“Aqui toda vez que chove a gente perde nossa história”, comenta uma das companheiras da região sobre as enchentes, na ocasião de uma das enchentes em 2020.

Na zona leste de São Paulo, mais precisamente na região de São Miguel Paulista e Itaim Paulista, às margens do Rio Tietê, são milhares as pessoas que sofrem com as enchentes. A cada chuva que chega, e principalmente durante as chuvas de verão, casas e ruas ficam alagadas, provocando inúmeras perdas – colchões, móveis, eletrodomésticos, carros, documentos, alimentos, objetos pessoais e memórias que ficam submersas e perdidas nas águas que, por vezes, alcançam a altura de uma pessoa adulta.

Além disso, a água se mistura ao esgoto, o que é fonte de doenças e ataca a saúde da população. Em todos os casos, ainda, o trauma e os efeitos psicológicos são tão grandes que, a qualquer chuva, as pessoas ficam desesperadas, buscando resgatar pertences levando-os para outras casas ou em andares construídos acima do térreo como refúgio nos períodos de enchentes.

Não se trata apenas de um efeito climático, mas de um processo histórico e social de exclusão, no qual a população mais pobre e trabalhadora foi obrigada, nas grandes cidades, a ocupar regiões periféricas em morros ou várzeas de rios, muitas vezes de modo desordenado, acessando moradias em situações precárias, sem o apoio de políticas de planejamento urbano e infraestruturas associadas que atendessem este contingente.

Enquanto isso, as áreas nobres e valorizadas ficaram em mãos das classes mais ricas. Para além deste processo, esses bairros da zona leste atingidos por enchentes são ainda mais afetados pelo fechamento das comportas da barragem da Penha, de responsabilidade do governo estadual, em épocas de chuva, para evitar o transbordamento do rio na altura da marginal Tietê, enquanto as barragens acima são abertas, o que gera uma grande concentração de águas no local.

O assoreamento dos rios, o asfaltamento de várzeas, o descaso dos governos sucessivos, tanto municipal como estadual, são agravantes de um problema social que existe há décadas, e que na atual conjuntura é somado aos efeitos da crise sanitária da Covid-19 e crise econômica (desemprego, ausência de renda, aumento das infecções, etc.), impactando de maneira negativa os atingidos.

A luta, no entanto, não começa nem termina no ato do dia 28. Antes e depois desse dia, a jornada de reinvindicações é constante e cotidiana, empreendida pelos coordenadores e coordenadoras do MAB, nas passagens de casa em casa das famílias atingidas pelas enchentes, tanto para saber da situação como para convidá-las à luta com organização do movimento, realizando reuniões, planejando ações, buscando acabar com as enchentes e garantir a reparação da população.

As famílias se organizam em grupos de atingidos, definindo coordenadores e coordenadoras por grupo, e assim vão se somando ao longo de toda a região para defender seus direitos. Esse trabalho organizativo do MAB na zona leste é realizado em meio às enchentes e pandemia, no início de 2020, com ações de solidariedade e ajuda emergencial e humanitária, em parceria com a Koinonia – Presença Ecumênica e Serviço (que representa o Fórum Ecumênico ACT Brasil), distribuindo alimentos, materiais de higiene, máscaras, álcool em gel, dando apoio psicossocial às famílias nesse período de crise.

Foi assim que Maila Amaral das Neves, atingida pelas enchentes e moradora do bairro União de Vila Nova, assim como muitas mulheres da região, se organiza no movimento para lutar pelos direitos das populações atingidas pelas enchentes.

Maila é uma das coordenadoras na região e nos explica o processo de envolvimento, organização e luta. “Para mim, foi um algo novo na verdade, eu não me envolvia com política, só fazia o meu papel de cidadã, ia lá votar e tchau, né. Mas, fiquei impressionada, tive oportunidade de falar da minha comunidade, de estar presente em reunião com o prefeito e foi gratificante, foi prazeroso. O MAB tem pessoas muito fortes, guerreiros, na reunião, eu pude ver o pessoal falando alto, duro, eles reivindicam, solicitam, lutam pela população mais carente”.

A atingida conta que conheceu o MAB depois do crime da Vale em Brumadinho, e foi convidada pela pastora Neia, que segundo Maila é uma líder comunitária e “mulher guerreira”, faz trabalho a muito tempo na região, e sugeriu esse envolvimento. “Vejo a luta de todas as pessoas e me veio à vontade de abraçar essa causa”, relata.

“Descobrimos que existe uma porteira [barragem] na região da Penha, ali quando chove o que eles [DAEE] fazem é fechar a porteira onde a água não consegue passar, e a água acaba voltando toda para aqui para região de União de Vila Nova, e acaba afetando o Lapena, o Itaim Paulista, vila Mara, vila Seabra, Pantanal e fora outras regiões. Outra área muito prejudicada aqui na leste é também é o Jardim Keralux, uma região muito preocupante, muito atingida pela enchente”, diz Maila.

A moradora da Zona Leste disse que, antes, achava que a culpa disso tudo era da população por colocar lixo em qualquer lugar, mas depois descobriu que há um grande descaso dos governos com as barragens e a população da região.

“Na verdade, eles acabam fechando barreiras para benefícios próprios deles, para empresas, para várias coisas e isso acaba prejudicando a população menos favorecida”, pondera.

“Eu tenho depoimentos de famílias que perderam tudo, imagina uma pessoa perder tudo o que tem, o trauma, começar de novo todo ano, porque todo ano tem chuva, ela vai ter que continuar o ano inteiro trabalhando para conquistar novamente fogão, geladeira, máquina de lavar, muito difícil para quem não tem condições financeiras nenhuma”, comenta Maila.

Foi a partir dessa indignação que Maila passou a fazer parte da organização para lutar pelos direitos de atingidas e atingidos, e atualmente coordena, junto a outras três mulheres, um grupo de 34 famílias, priorizando atualmente o contato por mensagens para manter o distanciamento durante a pandemia e garantir a comunicação, um diálogo que ocorre diariamente, em um processo que potencializa a força coletiva.

“Eu acho interessante o trabalho em grupo, porque uma vai comunicando com a outra a necessidade de cada uma e sabemos que uma andorinha sozinha ela não faz verão, precisamos estar juntos, unidos para vencermos essa batalha, sabemos que não é fácil, mas a vitória é certa. Quando estamos unidos em grupo, um ajudando o outro, um escutando o outro, e assim nós vamos seguindo avante. É interessante porque o movimento dá oportunidade para outros coordenadores também fazerem parte dessa luta, e quanto mais pessoas para somar melhor vai ser para ganharmos a batalha”.

Em nome dessa união e da força coletiva, o grupo leva o nome de “Coragem”: “o nosso grupo chama ‘Coragem’ porque eu vi que são mulheres corajosas, são famílias com coragem de lutar, com vontade de vencer”, explica. Além do grupo “Coragem”, outros grupos têm se formado, e alguns já com nomes – como no caso dos grupos “Força MAB” e “Fortaleza MAB”. Segundo Maila, essa forma de se organizar “dá oportunidade para outros coordenadores também fazerem parte dessa luta, e quanto mais pessoas para somar melhor vai ser para ganharmos a batalha”.

O protagonismo que as mulheres têm no processo, sendo visível nas lutas e ações, é parte da essência do movimento. “Eu acho interessante ter essa participação de mulheres no MAB, porque de qualquer forma acaba mostrando para todos que a mulher tem o seu valor e que existem mulheres guerreiras, solidárias, mulheres que se preocupam com a causa das pessoas menos favorecidas” comenta Maila.

Como Maila, outras mulheres são coordenadoras dos grupos das famílias atingidas e estão construindo com bravura o Movimento dos Atingidos por Barragens na zona leste, e se somam na luta por um feminismo popular.

Perto do marco importante, com a data do 8 de março, as mulheres do MAB-SP se organizam sob o lema “Mulheres atingidas em defesa da vida!”. Serão muitas as ações e ampla a organização para exigir dos governos o direito a viver de maneira digna, acabar com as enchentes, reparar as perdas das famílias atingidas e, assim, também garantir o fim das opressões e defender a ampliação de direitos das mulheres.

21 anos do 21 de janeiro: e a memória ancestral de Mãe Gilda de Ogum segue viva!

Lançando Mostra Cultural, o Selo “Racismos e intolerâncias NÃO!” E realizando ato virtual, KOINONIA atua em mais uma semana de afirmação da liberdade religiosa o Dia Nacional de Combate à Intolerância Religiosa

Em 2021 marcam 21 anos do falecimento de Mãe Gilda de Ogum, Iyalorixá que deu origem ao Dia de Combate à Intolerância. No candomblé é celebrado o rito do axexê de 21 anos.

O Dia Nacional de Combate à Intolerância Religiosa, Lei 11.635/2007 é uma homenagem à Mãe Gilda de Ogum, do terreiro Ilê Axé Abassá de Ogum, localizado na Bahia.

Em 21 de janeiro do ano 2000 Mãe Gilda faleceu após sofrer um infarto, ocasionado pela intolerância religiosa provocada pela Igreja Universal do Reino de Deus, que usou o seu jornal para atacar os seus filhos de santo e chamá-la de charlatã. Ela também teve o seu terreiro invadido e depredado por fundamentalistas.

A intolerância religiosa que matou Mãe Gilda é uma das diversas faces do racismo estrutural presente no País, racismo religioso que diariamente atinge, sobretudo, os integrantes de religiões de matriz africana: umbanda e candomblé, como mostram os dados de um levantamento realizado pelo Disque 100- Ministério da Mulher, Família e Direitos Humanos, publicado no site Brasil de Fato.

Segundo a pesquisa, apenas no primeiro semestre de 2019 houve um aumento de 56% de denúncias de intolerância religiosa, em comparação com o ano de 2018. A maior parte delas realizadas por candomblecistas e umbandistas. No total, foram 354 denúncias, contra 211 do ano anterior.

Entre 2015 e o primeiro semestre de 2019 o Disque 100 registrou 2.722 casos de denúncias, uma média de 50 por dia, mostrando que apesar de uma lei que criminaliza a intolerância ela permanece se fazendo presente, e por isso, é uma das principais pautas de Koinonia: combater qualquer tipo de intolerância e preconceito.

Este ano seria um ano especial para os praticantes do candomblé, é celebrado o axexe de 21 anos da morte de Mãe Gilda, ritual funebre dentro da religião, cerimônia que também ocorre nos dias que sucedem o falecimento, após o enterro. Porém, devido à pandemia, algumas ações foram modificadas.

Ainda assim, muitos eventos acontecerão e Koinonia estará presente em vários deles, seja apoiando, seja participando ou produzindo, como temos feito em nossas redes sociais.

Iniciamos a semana com uma live, realizada no instagram da organização, na qual a coordenadora, Ana Gualberto, e o direto executivo, Rafael Soares, falaram sobre intolerância religiosa e como combatê-la.

No dia 19 lançamos o selo “Racismos e intolerâncias: NÃO!”, uma forma de marcar o nosso posicionamento contra as intolerâncias e incentivar outras organizações e pessoas da sociedade civil em geral a se posicionarem também. Durante todo o ano usaremos este selo em todas as nossas publicações, e ele já está disponível em nosso site para ser baixado por quem tiver interesse. (kn.org.br/noticias/racismo-intolerancia-nao), pois juntos somos mais fortes.

No próximo dia 21, lançaremos a Mostra Cultural Liberdade e Direito, que nesta primeira edição visa celebrar o Dia de Combate à Intolerância. A mostra se propõe a utilizar a cultura para possibilitar reflexões, sobretudo no atual momento político em que vivemos.

Contamos com as presenças encantadoras dos cantores e ativistas culturais Rebeca Tárique, Maiara Silva e Carlos Barros. Rebeca é cantora, historiadora, Sacerdotisa de Oyá e militante do Movimento Negro. Maiara é poeta escritora, mobilizadora e produtora cultural. Já Carlos, é cantor, professor de história e mestre em ciências sociais. Iniciado no Candomblé para Oxóssi, ele tem dois álbuns lançados – Cantiga vem do Céu (2009) e Antes da próxima estação (2014).

Também no dia 21 nos somamos junto à pessoas religiosas de diferentes fés, em uma celebração virtual que foi construída coletivamente, e contará com testemunhos, orações, canções e meditações de diferentes traduções. Acompanhe através da transmissão ao vivo em nossas páginas do Facebook. Uma data importante e necessária, ainda mais em tempos nos quais o fundamentalismo age para afastar e opor pessoas de fés diferentes.

Dentre os eventos que participaremos e apoiaremos, estão:

 

– Live com o ritual no busto de Mãe Gilda, na Lagoa do Abaeté, em Salvador. O evento será transmitido pelo instagram do Axé Abassa de Ogum e ocorrerá a partir das 8h do dia 21.

– Ana Gualberto, coordenadora de Koinonia, juntamente com Ìya Márcia de Ogum, participará de uma roda de conversa no CEBIC (Conselho Baiano de Igrejas Cristãs), ocasião em que falarão sobre o Candomblé. Também no dia 21, o evento será transmitido pelo canal do YouTube de CEBIC.

– Camila Chagas, advogada de Koinonia, participará de uma roda de conversa no canal do You Tube do Cuxi Coletivo Negro Evangélico, onde falará sobre O Pecado do Racismo Religioso. A roda será no dia 21 às 20h30.

-Rafael Soares, Ogan d’Oxossi da Casa Branca e diretor-executivo de KOINONIA, mediará a mesa Religiões no campo do Direito, às 11h, no IV Seminário Liberdade Religiosa, Democracia e Direitos Humanos, realizado pelo CEAP (Centro de Articulação de Populações Marginalizadas e CCJF (Centro Cultural Justiça Federal.

Toda a programação de Koinonia e divulgação de eventos nesta semana de extrema importância estará disponível em nossas redes sociais, Instagram, Facebook, Twitter e YouTube.

Retrospectiva 2020: ano que nos desafiou, mas não nos impediu!

 

2020 entrou para a história como o ano em que o mundo parou por causa da pandemia de coronavírus, e com isso, inúmeras adaptações foram impostas às organizações sociais.

Planos, projetos e ações previamente organizadas foram adaptadas para o “novo normal”, e ações oriundas da nova realidade tiveram que ser incorporadas nas frentes de trabalho.

Em uma nova realidade, Koinonia Presença Ecumênica e Serviço permaneceu na atuação a partir do ecumenismo e do diálogo inter-religioso, no combate às intolerâncias e opressões impostas pela conjuntura, que mesmo em meio a pandemia não deram trégua.

Permanecemos na luta pelos direitos das mulheres e promovendo o debate sobre as questões da comunidade LGBTQIA+. Da mesma forma, seguimos fortemente junto às comunidades negras tradicionais, possibilitando, inclusive, conexões de solidariedade em um momento em que fragilidades sistêmicas, econômicas e sanitárias impuseram tantas necessidades básicas.

Após estes quase 365 dias de 2020 nos sentimos orgulhosas/os do trabalho que conseguimos fazer até aqui, e compartilhamos uma breve retrospectiva de nossas ações, com o desejo de que o próximo ano nos possibilite fazer ainda mais do que fizemos e fazemos. Desejamos um 2021 com mais esperança para os povos latino-americanos, e claro, muita organização de nossas lutas populares e agendas contra os fundamentalismos.

Ecumenismo e Diálogo Inter-religioso

Semana de afirmação da liberdade religiosa 2020

Janeiro é um mês de luta para KOINONIA, temos o dia 21, Dia Nacional de Combate à Intolerância Religiosa, e assim, começamos o ano com ações que visam combater a intolerância e celebrar os 20 anos de Memória Ancestral de Mãe Gilda, Ialorixá do Ilê Axé Abassá de Ogum, que inspirou a criação desta data. No ano de 2000, Mãe Gilda enfartou após sucessivos ataques contra seus filhos de santo, provocados pelo racismo religioso. As celebrações do marco contaram com atividades em várias partes do país.

Confira a semana de afirmação da liberdade religiosa 2020 de KOINONIA

No Rio de Janeiro, KOINONIA participou do III Seminário Sobre Liberdade Religiosa, Democracia e Direitos Humanos. Participou também da vigília Inter-religiosa, realizada na Cinelândia, evento que teve a participação de líderes e pessoas leigas de várias religiões, com ou sem religião.

Em Salvador a agenda foi intensa. Começando com a homenagem no busto de Mãe Gilda, localizado na Lagoa do Abaeté, bairro de Itapuã. O evento contou com a participação de lideranças religiosas do candomblé, umbanda, cristãs entre outros segmentos. Posteriormente houve uma roda de conversa para debater o tema, realizada no terreiro Ilê Axé Abassá de Ogum em que KOINONIA teve participação. Houve ainda um debate e uma Missa na Igreja Nossa Senhora do Rosário dos Pretos e uma roda de conversa sobre Racismo Religioso, realizada no Espaço Cultural Vovó Conceição.

Já em São Paulo aconteceu o Ato histórico de Celebração Inter-religiosa na Igreja Betesda de São Paulo. KOINONIA esteve a frente da organização do ato, e a igreja que é conhecida no mundo evangélico pela liderança de Ricardo Gondim abriu as portas pela primeira vez para um ato como este. Lideranças religiosas e não religiosas, pessoas das mais diversas tradições estiveram reunidas para demarcar a importância da data do 21 de janeiro.

Evento de encerramento de Christian Aid no Brasil

Em março, pouco antes do início da quarentena, ainda em uma realidade que permitia aglomerações, participamos do evento que marcou o encerramento das atividades da parceira Christian Aid no escritório do Brasil. Foram anos de parcerias e projetos em conjunto, encontros ecumênicos compartilhados e uma história na busca por um mundo mais justo e igualitário.

Também em março, houve a participação no encontro que discutiu o papel das comunidades cristãs no cenário político. O encontro foi realizado na ICM São Paulo – Igreja da Comunidade Metropolitana de São Paulo.

Parceria MAB e KOINONIA na ajuda emergencial da ACT Aliança

Já em meio à pandemia, KOINONIA iniciou o projeto de ajuda emergencial da ACT Aliança, representando o Fórum Ecumênico ACT Brasil. O projeto realizado nas periferias de São Paulo com nosso parceiro local MAB – Movimento de Atingidos por Barragens, teve como objetivo ações de solidariedade por meio de cestas básicas e assessoria do MAB à famílias atingidas por enchentes recorrentes. Foram doadas 2 mil cestas com alimentos e artigos de higiene e limpeza, distribuídas para famílias de São Paulo e Baixada Santista.

Publicação debate Fundamentalismos e crise na América Latina

Também publicamos o livro “Fundamentalismos, Crise na Democracia e Ameaça aos Direitos Humanos na América do Sul”, de autoria da jornalista, doutora em Ciências da Comunicação e associada de KOINONIA, Magali Cunha. A obra é fruto de uma pesquisa que investiga os processos e dinâmicas dos fundamentalismos na Argentina, Brasil, Colômbia e Peru. E pode ser baixado gratuitamente.

Fórum Ecumênico ACT Brasil e Fóro Ecuménico Sur

Participamos de encontros e reuniões de articulações com o Fórum Ecumênico ACT Brasil, que realizou seu encontro anual virtualmente; e da consolidação do Foro Ecuménico ACT Sur que chega para fortalecer as relações ecumênicas na região. Foram notas, pronunciamentos, e ações de incidência virtual para juntas/os pressionarmos os atores da conjuntura que promovem as políticas de morte e aniquilação dos nossos povos.

EAPPI Brasil na defesa do povo palestino

Nos somamos à Campanha Não à Anexação, junto a organizações ecumênicas e igrejas que enviam voluntários para servirem como Acompanhantes Ecumênicos (EAs) na Palestina e Israel no Programa Ecumênico de Acompanhamento, o qual coordenamos aqui no Brasil, para posicionarmos contra a anexação unilateral de terras palestinas ao Estado de Israel.

Diálogos Ecumênicos Pela Amazônia

Também estamos lançando o portal Diálogos Ecumênicos Pela Amazônia, em português, inglês e espanhol, fruto de um projeto que leva o mesmo nome, coordenado em parceria com o Centro Regional Ecuménico de Asesoría y Servicio  – CREAS, visando o fortalecimento de iniciativas ecumênicas e inter-religiosas pela dignidade dos territórios amazônicos no Brasil, Bolívia, Colômbia e Peru. Por meio de análises compartilhadas e ações conjuntas, para promover a defesa da Casa Comum em parceria com movimentos sociais, organizações indígenas e quilombolas; bem como denunciar as violações de direitos e ameaças sofridas por comunidades tradicionais no controle sobre a terra e seus bens comuns.

Direitos das Mulheres e Comunidade LGBTQIA+

FEACT Brasil e justiça de gênero

Em países profundamente desiguais como o Brasil, períodos de quarentena deflagram outras realidades — violações de direitos ainda mais aviltantes no acesso à terra, território, moradia, trabalho, saneamento básico, comunicação e segurança alimentar por parte de populações vulnerabilizadas. A violência de gênero é uma delas. A diaconia ecumênica com justiça de gênero alerta as organizações baseadas da fé sobre a urgência de pensar ações que reduzam o sofrimento de mulheres, crianças, adolescentes, pessoas idosas e LGBTQI+ forçadas a viver diuturnamente na presença de seus agressores. Neste sentido o Fórum Ecumênico ACT Brasil sistematizou algumas experiências no enfrentamento à violência, emergência e ajuda humanitária.

KOINONIA e Evangélicas Pela Igualdade de Gênero

Este ano também fortalecemos a parceria com o coletivo Evangélicas pela Igualdade de Gênero, realizando na Igreja Metodista na Luz a roda de diálogo inter-religioso em virtude do 8 de MarçoTeologia é Coisa de (Toda) Mulher”, tema que norteou as atividades conjuntas ao longo do ano, sobretudo com o Curso online e Campanha de Escuta Ativa e Empática: “Mulher, vai tudo bem contigo?”. Foram lives, postagens e até uma Formatura do curso e lançamento da cartilha de Formação, que marcou o  encerramento dos 21 dias de ativismo pelo fim da violência contra as mulheres e o dia Internacional dos Direitos Humanos.

Fluxo Solidário

KOINONIA também foi parceria da iniciativa coletiva Fluxo Solidário, que consistia na montagem e entrega de kits com absorventes e itens de prevenção sexual para mulheres e pessoas que menstruam.

Juventudes, Sexualidade e Direitos Humanos – Prevenidas!

Prevenidas! Esse foi o nome dado ao projeto que trata de juventude, sexualidade e direitos humanos, com foco na prevenção ao HIV e Outras ISTs. O lançamento aconteceu no dia 20 de fevereiro, quando recebemos em São Paulo um grupo de referência em assuntos ligados à prevenção, direitos humanos e acesso à saúde.

O projeto é conveniado com a Coordenadoria de IST/Aids da Cidade de São Paulo, ao longo do ano promoveu a Formação em Direitos Humanos e Prevenção ao HIV e outras ISTs, em que foram debatidos diversos assuntos sobre o tema. Além disso, produzimos em nossas redes sociais postagens informativas sobre prevenção, além de lives e podcast que tiveram o intuito de orientar e combater o preconceito e a desinformação.

Julho das Pretas

O mês de julho também foi recheado de atividades, com o Julho das Pretas, em que chamamos parcerias de Salvador, Rio de Janeiro e São Paulo trazendo mensagens de força, resiliência e resistência, celebrando as mulheres negras de nosso país e América Latina. Foram séries de vídeos e encontros online trazendo temas como racismos, direitos das mulheres, e a potência do afeto enquanto revolução para o povo preto. Também celebramos junto às nossas companheiras, os 8 anos da Rede de Mulheres Negras da Bahia. Além disso lançamos a edição nº 41 do informativo Fala Egbé, com textos reflexivos e matérias sobre o eixo que atua no direito das mulheres e comunidades negras tradicionais.

Comunidades Negras Tradicionais

Fala Egbé – informativo dos territórios negros

Com as comunidades negras tradicionais do Baixo Sul da Bahia, inovamos ao construirmos o projeto de podcast do Fala Egbé, programa em áudio que procuramos trazer para este formato as experiências de mulheres e pessoas das comunidades negras tradicionais. Em 4 programas, as mulheres falaram sobre saberes ancestrais, política, territórios negros, identidade e racismo , além de comentarem temas que circundam o dia a dia delas e da sociedade como um todo.

Como citamos no item anterior, na nova edição do informativo Fala Egbé nº 41, jornal digital, abordamos os eventos ocorridos em memória dos 20 anos de morte de Mãe Gilda, falamos sobre as experiências das comunidades quilombolas no combate à COVID-19, refletimos sobre o conceito de Territórios Negros e também homenageamos Seu Antônio Correia dos Santos, liderança quilombola da Comunidade do Barroso, assassinado recentemente por defender o direito à terra na região do Baixo Sul da Bahia.

Solidariedade em tempos de pandemia

A solidariedade é uma realidade na vida das comunidades negras tradicionais. Tanto entre as comunidades do Baixo Sul da Bahia ou os terreiros de candomblé com os quais trabalhamos em Salvador, não faltaram mobilizações para atender famílias em situação de vulnerabilidade neste contexto difícil.

Documentário da Feira Agroecológica de Mulheres do Baixo Sul Contra a Violência

Devido à pandemia, em 2020 não foi possível a realização da Feira Agroecológica de Mulheres do Baixo Sul Contra a Violência, que completou 9 anos. Para marcar a data e a importância da atividade, lançamos um documentário sobre a feira, o qual resgatou as histórias que tecem os fios da importante construção coletiva que a feira se tornou na vida das mulheres. É um documentário que teve aspectos muito especiais, pois foi pensado junto às mulheres, que participaram enviando suas lembranças, fotos, vídeos, artes, registros do que a feira significa para elas.

Fôlego para 2021!

Além de projetos específicos, foram lives, reuniões online, gravações e muitas experimentações de nos mantermos ativas/os e em conexão com movimentos e organizações parceiras no Brasil e internacionalmente também.

Fomos desafiadas/os a resistir em todos os aspectos. E Nosso desejo é que em 2021 os ventos de justiça soprem mais fortes e tragam vacinas, saúde, afeto e mais justiça e menos fundamentalismos. Seguimos!

 

Por Natália Blanco e Luciana Faustine/ KOINONIA

KOINONIA e EIG realizam formatura e lançamento da cartilha da Formação em Escuta Ativa e Empática

 

Marcando o encerramento dos 21 dias de ativismo pelo fim da violência contra as mulheres e o dia Internacional dos Direitos Humanos, no último dia 10 de dezembro realizamos uma celebração online de formatura com as mulheres/pessoas que participaram do Curso de Formação em Escuta Ativa e Empática “Mulher, vai tudo bem contigo?”.

Fruto de um processo de construção coletiva, entre KOINONIA e Evangélicas Pela Igualdade de Gênero, o curso e campanha de mesmo nome tiveram sua primeira edição entre julho e agosto deste ano.  E os planos de parceria entre EIG e KOINONIA é que em 2021 aconteçam novas edições da formação

O evento também teve o caráter simbólico de reafirmar nosso compromisso na luta pela igualdade e justiça de gênero, pelo fim das violências contra as mulheres no Brasil e no mundo; sobretudo em tempos de pandemia, em que os índices de violência contra as mulheres bateu recordes em todo o país.

Durante o encontro, escutamos falas de duas participantes representando as formandas. Para Maria Mariana, evangélica do Paraná, “é uma felicidade ter participado do curso, deste momento… pra mim é um prazer conhecer mulheres tão inspiradoras e de tantos lugares diferentes!”.

A baiana e católica Marli completa, “que vocês continue inspirando as boas novas em vossos corações, para que mais projetos como esse possam surgir, e que possamos ter mulheres mais fortes e preparadas para enfrentar esse mundo tenebroso com desassombro, com garra e Fé.” Marli antes mesmo de anunciarmos a sistematização do curso através da Cartilha, teve o cuidado em imprimir todos os textos utilizados no curso de forma independente, encadernado as páginas e lavado até a paróquia onde comunga para mostrar a seu padre e se colocar a disposição para ser uma multiplicadora em sua comunidade.

LANÇAMENTO DA CARTILHA DE ESCUTA ATIVA E EMPÁTICA

E por fim, a celebração também marcou o lançamento da Cartilha, com todos os conteúdos do curso sistematizados e também indicações onde as pessoas podem encontrar os materiais produzimos pela campanha, como cards/ imagens e vídeos.

A cartilha está disponível gratuitamente, clique aqui para acessar.

Acesse os vídeos usados na campanha clicando aqui.

Acesse os cards utilizados na campanha clicando aqui.

Por Natália Blanco/ Koinonia

Lançamento: Portal do Diálogo Ecumênico e Interreligioso pela Amazônia

 

A iniciativa Diálogo Ecumênico e interreligioso pela Amazônia visa fortalecer iniciativas ecumênicas e interreligiosas pela dignidade humana no Brasil, Bolívia, Colômbia e Peru, promovendo análises compartilhadas e ações conjuntas. Seus objetivos são:

– Fortalecer a ação conjunta do movimento ecumênico latino-americano em defesa da Casa Comum e o diálogo com movimentos sociais, organizações indígenas e quilombolas;

– Denunciar as violações de direitos e ameaças sofridas por comunidades tradicionais no controle sobre a terra e seus bens comuns;

– Desenvolver análises contextuais coletivas sobre os desafios à atuação de defensores e defensoras da natureza e dos direitos humanos e o papel do movimento ecumênico;

– Promover solidariedade global com os desafios enfrentados pelos povos amazônicos, convocando Igrejas e Organizações Irmãs no sul e norte global à oração e ação;

– Apoiar o desenvolvimento de uma espiritualidade ecológica que nos ajude a sentir-nos parte da Casa Comum, todo o mundo habitado, em respeito a todas as tradições de fé.

Em 2019, a iniciativa promoveu vigílias ecumênicas pela Amazônia em diversas cidades do Brasil e na COP-25 em Madrid, além de promover solidariedade ao Sínodo da Amazônia na Declaração Somos Amazônia, endossada por mais de 130 igrejas e organizações baseadas na fé em todo o mundo.

Coordenado pelas organizações baseadas na fé KOINONIA Presença Ecumênica e Serviço e Centro Regional Ecuménico de Asesoría y Servicio – CREAS, ambas fazem parte da Aliança

ACT, uma coalizão global com mais de 140 igrejas e organizações baseadas na fé, que trabalham juntas pela assistência humanitária, a promoção de capacidades e o desenvolvimento.

Convocamos igrejas, organizações ecumênicas e da sociedade civil a se somarem nessa iniciativa!

Entre em contato pela plataforma, disponível em 3 idiomas:

Português: https://koinonia.org.br/amazonia/
Español: https://koinonia.org.br/amazonia/es/
English: https://koinonia.org.br/amazonia/en/

Efeitos e desafios da pandemia na Amazônia brasileira e o papel das igrejas

 

Aldeia Santa Maria, etnia Karapãna, região do Rio Tarumã-Açú em Manaus. Foto: Comunidade Anglicana de Manaus

Por Bispa Marinez Bassotto
Bispa Diocesana da Diocese Anglicana da Amazônia

 

“Pergunte, porém, aos animais, e eles o ensinarão, ou às aves do céu, e elas contarão a você; fale com a terra, e ela o instruirá, deixe que os peixes do mar o informem. Quem de todos eles ignora que a mão do Senhor fez isso? Em sua mão está a vida de cada criatura e o fôlego de toda a humanidade. Jó 12:7-10

Estamos vivendo um tempo muito desafiador na região amazônica, esta aliás sempre foi carente de investimentos e políticas públicas, mas a situação se agravou após as últimas eleições presidenciais. O único olhar dispensado pelos governos para a Amazônia é o olhar da cobiça e do extrativismo, jamais o olhar da preservação ou da valorização da vida. Já vínhamos sofrendo, desde o início deste novo governo, com a perda de direitos e com a falta de investimentos, e em 2019 tudo se agravou com a pior onda de incêndios dos últimos tempos. De lá para cá a Amazônia concentrou 52,5% dos focos de queimadas do Brasil, incêndios esses que perduram até o presente momento. Os relatórios do INPE (Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais) seguem alertando para o aumento das queimadas na região amazônica, especialmente no Estado do Pará e no sul do Estado do Amazonas.

Todos sabemos que os incêndios na Amazônia não são fruto apenas da estiagem na região, não são resultado somente de uma ação natural, tratam-se, em grande parte, de ações orquestradas por pessoas representantes do agronegócio, por grileiros e garimpeiros. Também são resultado do sucateamento e desmonte das Políticas Socioambientais e das instâncias de proteção ambiental, bem como da escolha de pessoas inadequadas para assumirem a pasta do Meio Ambiente. Somam-se a isso a violação de direitos e morte das populações indígenas, e o sofrimento das comunidades ribeirinhas e quilombolas. Ou seja, as populações que já vinham sofrendo com a falta de ações protetivas e de políticas voltadas para suas necessidades tornaram-se ainda mais vulneráveis nos últimos 2 anos.

A pandemia de Covid-19 escancarou ainda mais essas desigualdades existentes na região amazônica, e me refiro a desigualdades em todos os aspectos. Há um número enorme de pessoas desempregadas, e um número crescente de pessoas famintas. A Covid-19 chegou nas aldeias indígenas mais afastadas dos centros urbanos e causou a mortes de muitas pessoas, especialmente as lideranças e pessoas mais idosas, que na tradição destes povos carregam o conhecimento e a sabedoria. Então, além de todas as dificuldades, há o sentimento de perda da identidade e de orfandade.

Os povos indígenas que vivem em regiões urbanas também estão em grande vulnerabilidade. Faltam alimentos, medicamentos, materiais de higiene e proteção, e várias lideranças morreram este ano sem a devida assistência. A situação é realmente muito preocupante.

Aldeia Yupirungá, etnia Karapãna, região do Rio Tarumã-Açú em Manaus. Foto: Comunidade Anglicana de Manaus

Segundo o site da APIB (Articulação dos Povos Indígenas do Brasil), em 26 de outubro havia 37.777 casos confirmados de Covid-19 entre pessoas indígenas, 862 indígenas morreram e 158 é o número de Povos indígenas afetados pela Covid-19 até esta data. O Estado com o maior número de pessoas indígenas contaminadas e também com o maior número de mortes é o Estado do Amazonas.

Nas Comunidades Quilombolas na região da Amazônia, segundo pesquisa da Universidade Federal do Amazonas (Ufam) a taxa de letalidade da doença chega a 17%, enquanto a média mundial fica entre 0,9% e 1,2%. Isso torna visível o fato de que o discurso irresponsável e a tentativa de minimizar as consequências da Covid-19, bem como a falta de ações rápidas, têm um impacto direto nas vidas das comunidades mais empobrecidas.

Os dados acima denotam um processo de necro-política (política de morte) voltado a matar simbólica e fisicamente as populações vulneráveis. Como se já não bastasse, estamos agora às portas do julgamento do Marco Temporal pelo STF. Precisamos mais do que nunca ter consciência de que o que está em jogo é o reconhecimento ou a negação do direito à terra, que é o direito mais fundamental para os povos indígenas. Essa decisão irá impactar o futuro de centenas de populações indígenas, e pode dificultar ainda mais as demarcações, indispensáveis à sobrevivência das populações indígenas. Nos aproximamos deste julgamento sabendo que o silêncio, as ironias, a intenção de minimizar as consequências de um julgamento favorável à tese defendida por ruralistas se configuram em uma estratégia sistemática de um governo que defende a flexibilização das leis e faz vistas grossas para a violência resultante de invasões e atividades ilícitas, como grilagem de terras, garimpo e extração madeireira em terras ora protegidas.

Como resultado desta conjuntura o mundo está assistindo as labaredas consumirem parte da floresta que contém a maior diversidade biológica e cultural do planeta, bem como a morte das populações da floresta.

Como Igreja cristã, encravada neste chão amazônico, a Igreja Episcopal Anglicana do Brasil, através da Diocese Anglicana da Amazônia, repudia essa conjuntura de morte, denuncia todas as atitudes de desrespeito socioambiental, e busca testemunhar por palavras e obras a vivência do amor e a busca de vida plena para todas as pessoas segundo o mandamento de Cristo. Por isso tem buscado se solidarizar com a dor e o sofrimento dos povos na Amazônia, sendo presença amiga e consoladora para as famílias indígenas enlutadas, e para comunidades em extrema vulnerabilidade. E isso significa ter coragem e ousadia de colocar-se como voz profética em defesa da vida e somar forças para que os direitos das populações mais vulneráveis sejam respeitados, bem como acompanhar essas comunidades de forma amiga e solidária.

Foi o que aconteceu durante o funeral de uma liderança indígena que faleceu por complicações da Covid-19 nos arredores de Manaus. O Senhor Paulino, da etnia Karapãna, era membro de uma outra igreja e seus pastores se recusaram a acompanhar o seu funeral e seus familiares por conta da distância, haja vista que seu corpo teria de ser transladado para sua aldeia afim de ser enterrado ali, no meio da selva, oito horas de viagem subindo o Rio Negro até chegar ao Rio Cuieiras. Mas o irmão Iuri Lima, anglicano de Manaus, cheio de ardor missionário se dispôs a ir, a orar com a família do cacique que havia morrido, a consolá-los e ser um signo da presença anglicana naquele local e naquele momento de tristeza. Encontrar e contemplar a vida divina no mais profundo da realidade é uma missão de esperança, confiada aos anglicanos e anglicanas.

A presença e a missão da Diocese Anglicana da Amazônia nos fazem entender que Amazônia é uma terra de sofrimento e redenção. Estar junto ao povo de Deus é uma experiência de seguimento ao Cristo que carrega a cruz, e isso significa que devemos abrir-nos, com Ele, a todo tipo de sede que aflige, hoje, a humanidade. Cristo é o alimento por excelência, a resposta a toda fome e a toda sede. É o pão da vida que ao saciar os famintos os congrega e os põe em comunhão. Junto a Jesus ninguém passa fome. E ele nos chama, nos envia aos mais empobrecidos e nos manda: “Dai-lhes vós mesmos de comer!” (Lucas 9. 13).

No dia 31 de agosto, a Comunidade Anglicana de Manaus, com a ajuda do Fundo do Arcebispo da Cantuária, o intermédio do Serviço Anglicano de Diaconia (SADD) da Igreja Episcopal Anglicana do Brasil e o aporte logístico da Diocese Anglicana da Amazônia, realizou a entrega de cestas básicas à famílias indígenas do entorno da capital amazonense que ainda estão sofrendo com os grandes impactos da pandemia da Covid-19. Com esta ação social e missionária a diaconia Anglicana em Manaus conseguiu contemplar famílias de cinco (5) comunidades indígenas de diferentes etnias: Associação de Mulheres Indígenas do Alto Rio Negro, Comunidade indígena Wotchimaücü (Tykuna), Parque das Tribos (Tarumã), Comunidade Indígena do Tarumã-Açú (Aldeia Gavião e Aldeia Yupurangá) e algumas famílias indígenas que habitam a região do Rio Cuieiras.

A missão anglicana na Amazônia supõe o serviço da fé e a promoção da justiça; nunca uma sem a outra. As pessoas necessitam de alimento, de alojamento, de amor, de verdade, de relacionamento, de significado para as suas vidas, de promessa, de esperança. Os seres humanos precisam de um futuro no qual possam assegurar a sua plena dignidade. Isso já está presente no centro da missão de Cristo, missão que, como era particularmente evidente no Seu ministério de curar, era sempre mais que física. A nossa missão de anglicanos e anglicanas no coração da Amazônia encontra a sua inspiração neste ministério de Jesus.

Seguindo a Jesus, nos sentimos chamadas e chamados não somente a levar ajuda direta às pessoas que sofrem, mas também a restaurar a integridade das pessoas, reincorporando-as na comunidade e oferecendo apoio pastoral. É aqui que, ajudados e ajudadas pela graça e pondo em ação todas as nossas capacidades, dons e talentos disponíveis, procuramos oferecer-nos totalmente, a Deus, para o Seu maior serviço.

* A publicação desse texto faz parte das ações parte das ações da iniciativa Diálogo ecumênico e interreligioso pela Amazônia, coordenado por Koinonia e CREAS e visa fortalecer iniciativas ecumênicas e interreligiosas pela dignidade humana no Brasil, Bolívia, Colômbia e Peru, promovendo análises compartilhadas e ações conjuntas.

Dia Da Amazônia – La creación gime desde la Amazonia

Arde el Amazonas (Nacho Yuchark/La Vaca)

 

Publicado em ALC notícias

BRASIL

Mara Manzoni Luz

En las últimas semanas de intensa movilización por la Amazonia, tuvo lugar el conversatorio ecuménico “La Creación Gime desde la Amazonia”, organizado por QONAKUY (Red de Universidades Evangélicas de América Latina, Central y el Caribe) y AIPRAL (Alianza de Iglesias Presbiterianas y Reformadas de América Latina).El conversatorio ha endosado la campaña Amazoniza-te, una iniciativa conjunta de la Red Eclesial Panamazónica y otras organizaciones, y tuvo el apoyo de la UniReformada.

Aquí destacamos la contribución de Mara Manzoni Luz, directora regional de CREAS (Centro Regional Ecuménico de Asesoría y Servicio) en el evento, que se puede acceder por completo en ese enlace. El debate ha sido mediado por Humberto Shikiya (QONAKUY) y tuvo la participación de João Gutemberg Sampaio (REPAM), Darío Barolín y Agnaldo Gomes (AIPRAL), Milton Mejía (UniReformada) y Gerardo Oberman (Red Crearte). En ese día de la Amazonia hacemos eco a las voces de Mara y de todas las personas que actúan por la dignidad humana en la región.

La Amazonia

Esta vasta área que cubre 9 países en Sudamérica posee la mitad de los bosques tropicales del mundo y alberga el 15% de la biodiversidad terrestre. Viene siendo expoliada hace siglos, lo que no es una novedad. Yo me acuerdo de la primera vez que la pisé en 1983, como estudiante de antropología, en mi visita a la comunidad indígena Gavião Pykobjê. En aquel entonces, ese lejano pedazo del estado de Maranhão ya era de mucho interés de empresas para el transporte de sus productos mineros del vecino estado de Pará hacia el Atlántico. En los últimos años, estuve acompañando a las comunidades quilombolas de Oriximiná, Pará, que sufren los impactos sociales y ambientales de la minería de bauxita, y visitando las comunidades indígenas Tacana de Rurrenabaque, Bolivia, unidas frente ala construcción de una presa, y veo que las amenazas de los 80, aunque terribles, no eran tan sofisticadas como la devastación que vemos hoy.

En los últimos años, la Amazonia ha sufrido, con diversas intensidades, el crecimiento de las desigualdades estructurales, las invasiones de tierras, la explotación minera, la flexibilización de las leyes ambientales, la criminalización de sus defensores y defensoras, el asesinato de liderazgos locales, muchas veces con el apoyo de los gobiernos y de grandes transnacionales. Hechos pasaron a ser manipulados, como por ejemplo los incendios, que nos quieren hacer creer que son fruto de sequias o aún culpa de las comunidades porque quieren quemar para plantar. Esas son mentiras, para que no se vea que son resultados de acciones criminales orquestadas por el agronegocio y el extractivismo. Son acciones muchas veces motivadas por los propios discursos de las autoridades de los países – sea por una política llamada “desarrollista”, por el entreguismo a intereses económicos de las potencias del norte, por ganancias, por total falta de respeto no solo a la floresta, sino a los 34 millones de personas que la habitan. Entre ellas, 380 pueblos indígenas, de los cuales 140 viven en aislamiento voluntario. Son pueblos que ya pasaron por todas las amenazas posibles, resistieron a todo, y eligieron vivir y proteger sus tierras ancestrales, sus ríos, sus florestas.

Ahora, esos pueblos tienen sus vidas, más una vez, arriesgadas por la pandemia del Covid-19 que está afectando, indistintamente, bebes (el caso Yanomami), la juventud y, principalmente, a ancianas y ancianos. Como dijo un líder Waorani de Ecuador, “Si nuestros ancestros mueren, nuestro pueblo dejará de existir”.  A cada día es devastador ver las noticias de lideresas y líderes muertos por la pandemia y los riesgos a las poblaciones en aislamiento voluntario. Como dice el líder Ashaninka Francisco Pikãyo, coordinador de la Organización de los Pueblos Indígenas del Rio Juruá, “la pandemia es la nueva arma química de la conquista”. A la vez, ¡nos llena de esperanza ver la cantidad de lideresas y líderes jóvenes, ocupando sus espacios en la defensa de sus pueblos!

Según la Coordinadora de las Organizaciones Indígenas de la Cuenca Amazónica (COICA) y la Rede Eclesial Pan Amazónica (REPAM), hasta el miércoles 19 de agosto, la población de pueblos indígenas contagiada era de 44.881; la población de pueblos indígenas fallecida de 1.442 y cerca de 221 pueblos/nacionalidades fueron afectadas en la región Pan Amazónica. Brasil, Perú y Colombia lideran esta triste estadística.

En Brasil[1], no se trata de más una pandemia en los últimos 520 años, pero de un intencionado genocidio, vía vetos del presidente de la Republica a la ley que pretendía disponer sobre medidas de emergencia para el enfrentamiento de la pandemia entre los pueblos indígenas, quilombolas y comunidades tradicionales. Eso afecta a todo el territorio nacional, pero en la Amazonia, con las distancias y las existentes vulnerabilidades, la negación del acceso a agua potable, del atendimiento diferenciado a la salud, del derecho a la conectividad para la comunicación con las áreas más aisladas, asociada a la lentitud de las acciones de ayuda, son una explicita violación de los derechos humanos. Lo que siglos de expoliación no han logrado, por la resistencia de los pueblos amazónicos, se intenta ahora usando la pandemia para avanzar la deforestación y así las fronteras agrícolas y el extractivismo.

Imagen: Amazonízate-Yurimaguas

¿Y el movimiento ecuménico?

Históricamente ha habido numerosas iniciativas en torno a la defensa de la Amazonia por parte del mundo ecuménico local, regional e internacional, no se podría nombrar a todas. Más recientemente, en 2019, previo al Sínodo Panamazónico de la Iglesia Católica, la iniciativa ecuménica de “Acción Solidaria Global por la Amazonia”[2] impulsada por Christian Aid América Latina y el Caribe y acompañada por CONIC – Brasil, ISEAT – BoliviaComisión Intereclesial de Justicia y Paz – Colombia, CREAS, Fórum de la Alianza ACT de Brasil, entre otras entidades, fue una iniciativa importante para fortalecer, de manera más amplia, las voces proféticas en defensa de la Amazonia.

Hoy CREAS y Koinonia de Brasil, juntamente con Christian Aid, desarrollan un proyecto cuyo objetivo principal es fortalecer la capacidad del diálogo interreligioso y ecuménico en la región amazónica – con prioridad para Bolivia, Brasil, Colombia y Perú – para la dignidad humana y los derechos de las comunidades indígenas y negras. Las Iglesias Latinoamericanas y las organizaciones ecuménicas y basadas en la fe han sido históricamente cruciales para acompañar a estas personas para una vida plena, con justicia, igualdad y sostenibilidad. Ahora, con las crecientes amenazas económicas y sociales, el conservadurismo religioso y la violencia, es fundamental un nuevo vigor al diálogo ecuménico e interreligioso en la región.

En nuestro plan de acción 2020, la Alianza Interreligiosa para la Agenda 2030 tiene el objetivo de incidir para que los pueblos indígenas y las comunidades tradicionales de la Amazonia garanticen el control de la tierra, sus bienes comunes y su salud, en la perspectiva de la Casa Común. Estamos trabajando en el sentido de amplificar las iniciativas en red basadas en la fe, en la defensa de los pueblos indígenas de la Amazonia, frente al incremento de los impactos de la pandemia y la explotación de los territorios y la floresta.

Según la Encíclica Laudato Si, la Amazonia u otro espacio territorial indígena o comunitario no es solo un espacio geográfico, sino que también es un lugar de sentido para la fe o la experiencia de Dios en la historia… “En la Amazonía se manifiestan las “caricias de Dios” que se encarna en la historia (cf. LS 84).”[3] Teniendo esto como inspiración y siendo partes de una comunidad ecuménica e interreligiosa en solidaridad con las comunidades de la Amazonia, debemos fortalecer nuestro compromiso en el sentido de seguir:

1) Presionando a los Estados para que garanticen que los pueblos indígenas, quilombolas y las comunidades tradicionales amenazadas tengan acceso y control sobre la tierra y sus bienes comunes y a garantías de acceso a la salud en tiempos de pandemia;

2)  Denunciando la acción nefasta de misioneros proselitistas que ya tanto mal han traído a las generaciones pasadas y que hoy, como parte de un proyecto fundamentalista económico, social, cultural y religioso, aliado del agronegocio, buscan apoderarse de los territorios;

3) Defendiendo a las defensoras y defensores de Derechos Humanos y de la naturaleza que vienen siendo constantemente amenazados, mediante mecanismos eficaces de denuncia y protección y en contra de los intentos de criminalizar las luchas de los pueblos de la Amazonia

4) Apoyando a las comunidades locales en la promoción de alternativas económicas sostenibles y a hacer frente al sistema económico vigente enfrentando los desafíos de la crisis climática en la región;

5) Desarrollando una espiritualidad ecológica que nos ayude a escuchar lo que el Espíritu nos dice, sintiéndonos parte de la Casa Común y todo el mundo habitado, empezando por nuestras congregaciones y comunidades de fe;

6) Apoyando a organizaciones locales e iniciativas basadas en la fe en el desarrollo de estos objetivos, manteniéndonos siempre informados, desafiantes y activos en lo que es para nosotros un imperativo de fe: ¡la defensa de los pueblos indígenas, de la Amazonia y del medio ambiente!

Por eso, es esencial que las Iglesias, organizaciones ecuménicas e interreligiosas del Sur y del Norte global continúen sus labores proféticas de fe en acción. Necesitamos reforzar las consciencias de que los peligros de extinción de la Amazonia y sus pueblos están ante todos y todas. Solamente en la solidaridad y la defensa de la Casa Común, podremos evitar que las pérdidas de los pueblos indígenas, las bibliotecas vivas, sea una pérdida para toda la humanidad, pues son ellos los responsables por el equilibrio ambiental en su totalidad y por las florestas que aún nos restan.

Termino con la Coleta de Responsabilidad Ambiental del Libro de Oración Común de la Iglesia Episcopal Anglicana de Brasil: “Aliento de vida, que creaste en tu seno todo el orden creado, nos enseña a respetar a todas las criaturas, en testimonio vivo del Evangelio, que nos anima a luchar por la preservación de la naturaleza, restaurando el ideal del Edén y la perfección de lo que nos ha dado como regalo”.

La autora es científica social y educadora popular brasileña, directora regional de CREAS, integrante de la Alianza Interreligiosa para la Agenda 2030 y laica de la Iglesia Episcopal Anglicana de Brasil.


[1] En junio pasado, según estudio de la Coordinadora de Organizaciones indígenas de la Amazonia Brasileña (COIAB) y del Instituto de Pesquisa Ambiental da Amazonia (IPAM) la tasa de contaminación (de 759) era 84% más alta para los pueblos indígenas, en comparación al promedio del país (de 413); la mortalidad (52 para cada 100 mil) era 150% más grande que el promedio brasileño, de 21 a cada 100 mil habitantes.

[2] Ver el Documento “Somos la Amazonia”

[3] Instrumentum Laboris. Sínodo Especial para la Amazonía. N°19

Celebrando duas décadas da Marcha das Margaridas, mulheres do Baixo Sul da Bahia e religiosas do FEACT relembram a experiência vivida em 2019

Por Camila Chagas e Natália Blanco/ Koinonia

 

Na última edição do evento, realizada em Brasília, mais de 100 mil mulheres de todos os locais do país se juntaram para marchar em busca de soberania popular, democracia, justiça, igualdade e pelo fim violência.

A última quarta feira, 12 de agosto, foi marcada pela celebração dos 20 anos da Marcha das Margaridas, ato de resistência que ocorre a cada quatro anos e é uma em homenagem à Margarida Maria Alves, presidenta do Sindicato dos Trabalhadores e Trabalhadoras Rurais de Alagoa Grande, na Paraíba, assassinada em frente à sua casa, no dia 12 de agosto de 1983.

Devido aos protocolos de combate à pandemia de coronavírus a comemoração da data não pode ser realizada presencialmente, sendo feita por meio de um encontro online, que contou com uma transmissão ao vivo no canal da Confederação Nacional dos Trabalhadores na Agricultura (CONTAG).

Em 2019 a marcha foi realizada no dia 14 de agosto, em Brasília, reunindo mais de 100 mil mulheres de todos os cantos do Brasil, do campo e da cidade, da terra e das águas em busca de justiça, igualdade de direitos e pelo fim da violência, levando para as ruas da capital do País o tema “Margaridas na Luta Por Um Brasil Com Soberania Popular, Democracia, Justiça, Igualdade e Livre de Violência”. O evento contou com a presença de diversas representantes das comunidades do Baixo Sul da Bahia e de Koinonia, que esteve presente em dois blocos.

Para Eridan Strubi, da Comunidade da Aldeia de São Fidelis, localizada em Valença, município do Estado da Bahia, que esteve no ato em 2019, a experiência na participação lhe fez sentir uma energia tão boa que mesmo com um grupo tão diversificado de mulheres não houve nenhum problema que pudesse atrapalhar o evento.

Outra participante que se encantou com a energia do ato foi Aurea, também da comunidade de Aldeia de São Fidelis, que além de participar do evento fez a sua primeira viagem para “um lugar distante”.

“Eu amei! Conheci pessoas novas, gente de um monte de lugares diferentes, muita coisa boa. As palestras das companheiras foi uma coisa muito boa”, explica.

Para Antônia, também de Valença, participar do evento “foi um sonho que estava se realizando”.

“Eu me senti muito feliz com os conhecimentos, com as minhas novas amigas, foram dias maravilhosos, com a presença de todos. A carreta em benefício de todas as guerreiras, as guerreiras que estou falando, somos nós mulheres que participamos do nosso Brasil”, conta ela.

Outra representante da região do Baixo Sul, que esteve presente na marcha de 2019, foi Luciene, presidente de Tancredo Neves. Para ela, a energia provocada pelo encontro e resistência das mulheres não é possível ser colocada em palavras, pois o “vivido e sentido não dará pra colocar em papel ou algo do tipo”.

“O mais importante a ressaltar é a energia das mulheres, a vontade de lutar por algo maior, algo que vai muito além do ontem ou do agora. Fiquei honrada em conhecer margaridas que saíram do cômodo dos seus jardins para marcharem rumo a uma floresta vasta e completa, não se preocupando com obstáculos e pedras sobre o caminho”, finaliza.

“Terrivelmente evangélicas e feministas”

Durante a Marcha das Margaridas de 2019 um grupo de mulheres religiosas membras do Fórum Ecumênico ACT Brasil (FEACT) marcharam ao lado das milhares de companheiras em defesa dos corpos-territórios. As mulheres da equipe de Koinonia também estavam presentes.

O grupo de mulheres, carregando placas e vestindo camisetas que diziam “Terrivelmente evangélicas e feministas”, chamava a atenção por onde passavam. Até mesmo da Deputada Federal Benedita da Silva (PT), que se juntou a elas no meio do caminho.

O termo “Terrivelmente Evangélicas e Feministas” foi uma forma de resistir à fala da Ministra da pasta “Mulher, Família e Direitos Humanos”, Damares Alves, que em janeiro daquele ano proferiu a frase: “O Estado é laico, mas esta ministra é terrivelmente cristã”.

“Também marchamos por nós mesmas, porque somos impactadas por todos esses reveses que estão acontecendo no país. Como mulheres de fé, evangélicas ou de outras religiões, e feministas, queremos denunciar este governo que promove a morte, e anunciar que não daremos um passo atrás em defesa de nossas conquistas e lutas por nossos direitos”, disse a pastora e diretora executiva da Coordenadora Ecumênica de Serviço (CESE), Sônia Mota.