Confira a nova edição do informativo digital Fala Egbé

De cara nova, a edição 43 traz um resumo das principais atividades realizadas no período de março a setembro em prol de comunidades negras tradicionais na Bahia e no Rio de Janeiro.

Site do Observatório Quilombola repaginado, encontros, ações sustentáveis, cursos sobre regularização jurídica de terreiros, oficinas sobre masculinidade, eventos em parceria com comunidades quilombolas e terreiros, lançamentos de podcasts abordando questões raciais e de gênero são alguns dos destaques.

Site do Observatório Quilombola repaginado, encontros, ações sustentáveis, cursos sobre regularização jurídica de terreiros, oficinas sobre masculinidade, eventos em parceria com comunidades quilombolas e terreiros, lançamentos de podcasts abordando questões raciais e de gênero são alguns dos destaques.

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Quilombolas do Baixo Sul da Bahia participam de oficina sobre masculinidades

Desconstruir a masculinidade tóxica e se abrir a novas perspectivas visando à igualdade de gênero é fundamental hoje em dia, em qualquer espaço que seja. Seguindo esta linha, Koinonia, em parceria com a Articulação de Mulheres Negras do Baixo Sul da Bahia e a Coordenadoria Ecumênica de Serviço (Cese), promoveu uma oficina sobre masculinidades nos dias 12 e 13 de setembro, com quilombolas das comunidades Jetimana e Dandara, na Bahia.

Ao todo, 44 homens participaram de atividades que contribuem para a construção de novas masculinidades, e são estratégias de luta contra as desigualdades de gênero e a violência contra a mulher. Os números relacionados a esta última no estado são altos: apenas no 1º semestre de 2021, o Ministério Público da Bahia (MP-BA) denunciou à Justiça 4.890 casos de agressões contra mulheres.

Obtendo resultado positivo entre o público participante, a oficina será realizada em outras comunidades negras tradicionais da região, e haverá ainda um encontro final para troca de experiências.

Nova diretoria da Acquilerj é eleita em encontro de quilombos no Rio de Janeiro

O VI Encontro Estadual de Comunidades Remanescentes de Quilombos do Estado do Rio de Janeiro ocorreu entre os dias 20 e 22 de agosto na Escola Municipal Lýdia Sherman, situada nas dependências do Quilombo Baía Formosa em Armação de Búzios. Atividades culturais, rodas de conversa, mesas de conteúdo político nortearam o evento que também marca a maioridade da Acquilerj, prestes a completar 18 anos.

O evento foi marcado pela pandemia, que exigiu maior rigor no distanciamento, uso de máscara e álcool gel, além da limitação do número de participantes. Ainda assim, o evento foi marcado pela presença expressiva da juventude e de comunidades que participaram pela primeira vez.

Apresentação de Pedro Rebelo

KOINONIA esteve presente, sendo representada pelo diretor executivo Rafael Soares e o colaborador Pedro Rebelo. Na oportunidade foi divulgado o Relatório Quilombos RJ que levanta a situação das comunidades quilombolas no contexto da Pandemia de COVID-19, além de fazer um apontamento das principais dificuldades enfrentadas ao longo dos anos.

Quilombolas de toda parte do Rio de Janeiro puderam compartilhar suas experiências, dificuldades e luta por direitos. Outro ponto importante foi a plenária da juventude que desde 2018 conta com uma cadeira na direção da entidade.

Plenária

Avanços e retrocessos na luta por direitos, além dos desafios futuros foram temas constantemente ressaltados pelos quilombolas presentes.

A nova diretoria foi eleita na plenária final, sendo a seguinte composição:

– Presidenta: Bia Nunes (Quilombo Maria Conga-Magé)

– Vice-presidenta: Mara Muniz (Quilombo Custodópolis-Campos dos Goytacazes)

– Secretaria: Rafaela Affonso (Quilombo Maria Conga-Magé)

– Segunda Secretaria: Jaqueline Alves (Quilombo da Marambaia-Mangaratiba)

– Tesoureiro: Benedito Leite (Quilombo Alto da Serra-Rio Claro)

– Segundo tesoureiro: Adilson Almeida (Quilombo Camorim-Rio de Janeiro)

– Diretor de Assuntos Fundiários: Ronaldo dos Santos (Quilombo Campinho da Independência-Paraty)

– Diretora de Cultura: Beth Fernandez (Quilombo Baía Formosa-Armação dos Búzios)

– Diretora de Juventude: Raphaela Oliveira

Nova diretoria da Acquilerj

Quilombo na Bahia realiza evento sobre educação ambiental

A preocupação com o descarte de resíduos e seu impacto ambiental esteve no centro da Caminhada Sagrada da Resistência, realizada em 23 de maio no Quilombo Pitanga de Palmares/Caipora, Bahia. Devido à pandemia, teve frequência reduzida.

O evento, apoiado por KOINONIA Presença Ecumênica e Serviço, foi aberto com a apresentação da Dança de São Gonçalo, manifestação cultural muito popular na Bahia, principalmente na região do Rio São Francisco e no Recôncavo Baiano.

Na sequência, foi apresentado um projeto de sustentabilidade e lançada a cartilha “Akoberê Aiyê – Princípio da Terra”, sobre meio ambiente e religiões de matriz africana.

“Foi fundamental a gente falar de educação ambiental, descarte do lixo, e sobre como nós, de terreiro, devemos fazer as oferendas sem impactar o meio ambiente”, destacou Iyá Jaciara, uma das organizadoras do encontro.

Representante de KOINONIA, Ana Gualberto lembrou de uma cartilha de Abassá de Ogum, que também traz práticas sustentáveis voltadas ao povo de terreiro. Em sua fala, aproveitou para exaltar os quilombolas presentes.

“Nesse mundo que a gente está vivendo, as pessoas fazem muita homenagem em memória. A gente precisa receber homenagem em vida também. É importante que, nesse espaço, a gente reverencie a ancestralidade, mas também valorize quem está na luta hoje”.

Após a Caminhada Sagrada da Resistência pelo terreiro e seus arredores, o evento foi encerrado com a plantação de folhas sagradas e a inauguração de cestos de lixo sustentáveis.

O Quilombo Pitanga de Palmares/Caipora se localiza no município de Simões Filho, Região Metropolitana de Salvador.

Confira algumas imagens feitas no evento:

*Créditos: Acervo Abassá de Ogum

 

Presidente de quilombo no Rio de Janeiro sofre ameaças por causa da vacina de combate ao coronavírus

Foto: Ricardo Alvez

Por Luciana Faustine

Foi na companhia da cunhada, mãe e sobrinhos que Rosiele Vasconcelos, de 33 anos, Presidente do Quilombo de Sobara, localizado no município de Araruama, no Rio de Janeiro, estava quando um grupo de cinco pessoas bateram à sua porta para reivindicar o direito de tomar a vacina de combate ao coronavírus, destinada a pessoas pertencentes a comunidades quilombolas. 

Os três homens e duas mulheres que compunha o grupo são pertencentes à comunidade do Remo, uma comunidade vizinha ao quilombo, construída dentro de uma área de sítio, e composta por cerca de 100 famílias, que não moram e não têm parentesco com os moradores do território negro. Porém, ambas as comunidades estão cadastradas no mesmo posto de saúde, local em que a vacina é aplicada.

Quilombo de Sobara. Foto: Arquivo pessoal

O fato de estarem cadastrados no mesmo posto, como conta a líder comunitária, fez com que os moradores do Remo reivindicassem o direito à vacina, que na fase em questão, é destinada a comunidades quilombolas, comunidades indígenas, idosos, profissionais de saúde e idosos em instituições de longa permanência.

 

“Antes da vacina chegar, a enfermeira do posto de saúde me procurou para eu mostrar as áreas quilombolas. Eu mostrei e perguntei se precisava de lista, ela falou que não precisava de lista, daí eu mostrei as áreas que ficam dentro da comunidade de Sobara. Essas pessoas que vieram me procurar são pessoas que moram vizinhas à comunidade, eles não moram dentro da Sobara”, conta Rosiele.

Ameaças em redes sociais

Após a ida à casa de Rosiele, as cobranças se estenderam para as redes sociais, em que os moradores vizinhos utilizaram grupos da cidade no facebook para responsabilizá-la pela falta da vacina.

Nas mensagens, que foram printadas por Rosiele e guardadas como provas das cobranças, moradores marcam a líder comunitária, mencionam o Ministério Público, dentre outras instituições governamentais, e dizem que ela está escolhendo as pessoas que serão vacinadas, e que eles querem ter seu direito preservado, pois, segundo eles, “Rosiele só privilegia os dela”.

Já Rosiele, afirma não saber o que eles querem dizer exatamente com a frase do privilégio, visto que não somente sua família teve acesso à vacina, mas sim toda a comunidade.

“Eu fico sem saber a que eles estão se referindo. Eles disseram nas mensagens que eu só privilegio os meus, mas não sei quem são os meus, porque a vacina não foi só para a minha família, a comunidade inteira teve acesso”, questiona.

Quilombo de Sobara. Foto: Arquivo pessoal

Em uma das mensagens, uma moradora diz: “não se esqueça que tem como provar porque as listagens com os nomes das pessoas que foram vacinadas foram registradas, tá, dona presidente, quando o Ministério Público vier investigar, vai ver que tem pessoas que não têm nada a ver com o município tomando vacina”. “Ela erra e agora está se fazendo de vítima”, responde uma segunda moradora.

 

Em outra postagem, uma terceira moradora diz concordar que os quilombolas têm direito, porém, segundo ela, “Rosiele está escolhendo quem irá ser vacinado”.

Outro morador, que teve sua publicação compartilhada dezenas de vezes, marca a página Fala Araruama e diz que após ir até o posto de saúde e não conseguir ser vacinado, procurou por Rosiele, que não permitiu que ele tomasse a vacina.

Páginas como o Portal R7, Portal RC24h, Ibama, Equipe Comunica são marcadas como forma de chamar atenção para o caso. Coagida, Rosiele utilizou a sua página para afirmar que foram à sua casa lhe cobrar, ao que foi respondida que não há ameaças, mas sim a “cobrança de um direito”.

“É fácil demais errar e depois se vitimizar. Independente de sermos ou não quilombolas, assim como você e sua família, somos seres humanos”, respondeu uma das moradoras.

Rosiele explica que durante o período em que somente os idosos foram vacinados não houve problema, contudo, quando a vacinação passou para os mais jovens começaram as reivindicações. Ela conta que os dois primeiros dias de vacinação ocorreram diretamente no quilombo, e que quem não conseguiu se vacinar nesses dias passou a tomar no posto, momento em que as ameaças começaram a acontecer.

“Eu me sinto ameaçada porque eles expõem o meu nome para muitas pessoas, e as pessoas aqui me conhecem e sabem que eu sou liderança. Eles falam que sobrou vacina e eu não deixava aplicar neles. Eu nem sabia que estava sobrando dose da vacina”, conta ela, que ressalta que as doses que sobram são devolvidas pela enfermeira responsável pelo posto de saúde, juntamente com a lista contendo os nomes de quem foi vacinado e a quantidade restante.

Quilombo de Sobara. Foto: Arquivo pessoal

“Eu não mandava em nada disso, apenas às vezes a enfermeira não conhecia a pessoa e me ligava para saber se era da comunidade, mas como a turma do Remo ela sabe que não é. Então quando foram procurar ela para tomar a vacina, ela mandou me procurar. Daí eu falei que nesse momento eles não poderiam tomar porque é específico para quilombolas. Eles chegaram na minha casa dizendo que queriam a vacina deles, eu me senti encurralada. Eles queriam a vacina deles, sendo que eles não são quilombolas”, finaliza.

Um direito garantido em lei

 A lei nº 14.021, de 07 de julho de 2020, dispõe sobre medidas de proteção social para prevenção do contágio e disseminação da COVID-19 nos territórios indígenas. Ela ainda estipula medidas de apoio às comunidades quilombolas e demais comunidades tradicionais.

De acordo com a lei, as comunidades quilombolas são grupos de alto risco porque estão em situação de extrema vulnerabilidade, “por isso estão dentro dos grupos prioritários para a vacinação”, conta a advogada Camila Chagas, que presta serviço de assessoria jurídica para comunidades negras tradicionais assistidas por KOINONIA.

Camila explica que ainda que os moradores das duas comunidades estejam cadastrados no mesmo posto de saúde, e que elas sejam vizinhas, isso não significa que as duas estejam dentro da mesma situação jurídica, pois apenas uma delas é quilombola.

“As comunidades quilombolas possuem características culturais próprias que as diferenciam de outras comunidades rurais. Todos são iguais perante a lei, mas nem todos estão na mesma condição, por isso é necessário tratamento diferente aos grupos que são diferentes”, afirma Camila.

A advogada ressalta que, no direito, trata-se da aplicação do princípio da isonomia, princípio que garante a igualdade de oportunidades a todos, mas considera as condições diferentes das pessoas.

“Pela lei, os quilombolas são considerados como grupos em situação de extrema vulnerabilidade e, por isso, são destinatários de ações específicas como a campanha de vacinação”, explica.

Ela ainda ressalta que a prioridade na vacinação de quilombolas está prevista devido ao fato de a lei reconhecer a diferença dos impactos da pandemia nas comunidades tradicionais, fazendo com que essa prioridade não seja um privilégio, mas uma ação de defesa daqueles que estão em situação de extrema vulnerabilidade.

“Estamos atravessando a pandemia de Covid-19 com muitas dificuldades em razão da postura inicial do Estado brasileiro, que deixou de adotar medidas que poderiam evitar a morte de milhares de pessoas. Infelizmente ainda não há vacina para todos e, por isso, o governo tem vacinado inicialmente os grupos prioritários, porque possuem maior risco de contrair a doença e desenvolver complicações”, conclui.

Monitoramento de Aplicação de Doses

Em seu site, a prefeitura de Araruama divulgou um Monitoramento de Recebimento e Aplicação de Doses da Vacina COVID 19, no qual consta o número de doses recebidas e quais populações foram vacinadas. De acordo com o documento, até a data de 27 de abril, foram recebidas 45.415 doses, somando a Coronavac e a Astrazeneca. Dessas, durante a primeira fase de aplicação, foram destinadas às comunidades quilombolas 347 doses da Astrazeneca e 63 doses da Coronavac, um total de 410 doses.

Além dos quilombolas, durante a fase 1, foram vacinados com a Astazeneca 1.630 profissionais de saúde, 288 idosos em instituições de longa permanência, 7.146 idosos, 27 pessoas com deficiências acima de 18 anos em residências inclusivas e 2 profissionais de segurança e salvamento.

Já com a Coronavac, também durante a fase 1, além dos quilombolas, foram vacinados 1.503 profissionais de saúde, 109 idosos em instituições de longa permanência, 13.617 idosos, 135 profissionais de segurança e salvamento.

Durante a fase 2, foram vacinados com a Coronavac um total de 11.856 pessoas, porém, dentre elas, até o momento do fechamento desse texto, não estavam incluídos o número de pessoas com deficiência, população indígena e comunidades quilombolas.

Com a vacina Astrazeneca, também durante a fase 2, não constam os números referentes às pessoas com deficiência, população indígena e comunidades quilombolas. Nessa fase, foram vacinadas com a Astrazeneca um total de 828 pessoas.

O monitoramento completo divulgado pela Prefeitura de Araruama pode ser consultado no link: Monitoramento de Recebimento e Aplicação de Doses Vacina COVID 19.

Nova edição do informativo digital Fala Egbé

Nesta edição relembramos algumas ações que fizemos junto as comunidades de terreiro e comunidades negras rurais e quilombolas ao longo de 2020.

Ana Gualberto, Assessora de Koinonia e Camila Chagas, colaboradora, educadora popular e advogada, refletem sobre em um artigo conjunto sobre “O Direito Fraterno como instrumento de enfrentamento à intolerância religiosa” e seus desdobramentos.

Também abordamos os atos de solidariedade que se sobressaíram e se sobressaem ao racismo e ao ódio inter-religioso durante esse período de pandemia, fazendo com que qualquer ato de preconceito não tenha força diante das demonstrações do cuidado e do comum. O texto é assinado por Rafael Soares, diretor de Koinonia.

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Programa Fala Egbé 4: Territórios negros na voz das mulheres

Quer entender o que é um território negro? ENTÃO APERTE O PLAY!

O Fala Egbé é um programa desenvolvido por Koinonia Presença Ecumênica e Serviço. Neste quarto episódio, representantes das comunidades quilombolas e de terreiros de candomblé falam sobre as suas visões acerca de um território negro.

Resistência negra, vivências em quilombos, religião de matriz africana, o espaço enquanto um território, acolhimento, colorismo são alguns dos assuntos abordados no programa.

Agradecemos a participação das nossas companheiras de Camamu: Ana Célia (Quilombo do Barroso), Eliete Damásio ( Comunidade Jetimana), Joelma Brito (Comunidade Jetimana), a nossa companheira Fabiana Ramos (Quilombo Santa Rita do Bracuí, no Rio de Janeiro) e a querida Ana Gualberto, coordenadora de comunidades negras em Koinonia e Iyá Oju Omo Ilê Adufé, uma comunidade de religião de matriz no Rio de Janeiro. 

Apresentação e produção: Camila Chagas, advogada, educadora popular e colaboradora de Koinonia. Roteiro, edição e produção pelas jornalistas Luciana Faustine e Natália Blanco.

Quer trazer algum relato sobre sua comunidade ou sugerir um tema, basta enviar uma mensagem para o e-mail da nossa comunicação: comunica@koinonia.org.br

Gostou? Encaminhe o programa para os contatos da sua rede e ajude a divulgar!

Grupos quilombolas entram com ação no Supremo Tribunal Federal pedindo plano de emergência de combate ao coronavírus

Por Luciana Faustine

Uma ação no Supremo Tribunal Federal pede que o governo federal estabeleça um plano de emergência de combate ao coronavírus nos quilombos.

A iniciativa foi tomada por grupos quilombolas em parceria com a Conaq (Coordenação Nacional de Articulação das Comunidades Negras Rurais Quilombolas), que solicita, dentre outras coisas, a distribuição imediata de equipamentos de proteção individual, medidas de segurança alimentar e de combate ao racismo no atendimento médico a quilombolas.

Os quilombolas são os mais suscetíveis a morrer de covid-19 em todo o País. A taxa de letalidade desse grupo é de 3,6%, enquanto a da população em geral é de 3,1%.

Se os pedidos forem aprovados, o governo federal tem 30 dias para estabelecer, em parceria com a Conaq, o plano de ação.

A precariedade vivida nos quilombos vai além do coronavírus, que potencializou o descaso que a população quilombola vive no dia a dia, inclusive na falta de reconhecimento de suas terras e na falta de reconhecimento de sua existência. O maior responsável por contabilizar a população brasileira, o censo do IBGE, até então nunca contabilizou a comunidade quilombola, fato que acontecerá em 2021.

 

Dia Da Amazônia – La creación gime desde la Amazonia

Arde el Amazonas (Nacho Yuchark/La Vaca)

 

Publicado em ALC notícias

BRASIL

Mara Manzoni Luz

En las últimas semanas de intensa movilización por la Amazonia, tuvo lugar el conversatorio ecuménico “La Creación Gime desde la Amazonia”, organizado por QONAKUY (Red de Universidades Evangélicas de América Latina, Central y el Caribe) y AIPRAL (Alianza de Iglesias Presbiterianas y Reformadas de América Latina).El conversatorio ha endosado la campaña Amazoniza-te, una iniciativa conjunta de la Red Eclesial Panamazónica y otras organizaciones, y tuvo el apoyo de la UniReformada.

Aquí destacamos la contribución de Mara Manzoni Luz, directora regional de CREAS (Centro Regional Ecuménico de Asesoría y Servicio) en el evento, que se puede acceder por completo en ese enlace. El debate ha sido mediado por Humberto Shikiya (QONAKUY) y tuvo la participación de João Gutemberg Sampaio (REPAM), Darío Barolín y Agnaldo Gomes (AIPRAL), Milton Mejía (UniReformada) y Gerardo Oberman (Red Crearte). En ese día de la Amazonia hacemos eco a las voces de Mara y de todas las personas que actúan por la dignidad humana en la región.

La Amazonia

Esta vasta área que cubre 9 países en Sudamérica posee la mitad de los bosques tropicales del mundo y alberga el 15% de la biodiversidad terrestre. Viene siendo expoliada hace siglos, lo que no es una novedad. Yo me acuerdo de la primera vez que la pisé en 1983, como estudiante de antropología, en mi visita a la comunidad indígena Gavião Pykobjê. En aquel entonces, ese lejano pedazo del estado de Maranhão ya era de mucho interés de empresas para el transporte de sus productos mineros del vecino estado de Pará hacia el Atlántico. En los últimos años, estuve acompañando a las comunidades quilombolas de Oriximiná, Pará, que sufren los impactos sociales y ambientales de la minería de bauxita, y visitando las comunidades indígenas Tacana de Rurrenabaque, Bolivia, unidas frente ala construcción de una presa, y veo que las amenazas de los 80, aunque terribles, no eran tan sofisticadas como la devastación que vemos hoy.

En los últimos años, la Amazonia ha sufrido, con diversas intensidades, el crecimiento de las desigualdades estructurales, las invasiones de tierras, la explotación minera, la flexibilización de las leyes ambientales, la criminalización de sus defensores y defensoras, el asesinato de liderazgos locales, muchas veces con el apoyo de los gobiernos y de grandes transnacionales. Hechos pasaron a ser manipulados, como por ejemplo los incendios, que nos quieren hacer creer que son fruto de sequias o aún culpa de las comunidades porque quieren quemar para plantar. Esas son mentiras, para que no se vea que son resultados de acciones criminales orquestadas por el agronegocio y el extractivismo. Son acciones muchas veces motivadas por los propios discursos de las autoridades de los países – sea por una política llamada “desarrollista”, por el entreguismo a intereses económicos de las potencias del norte, por ganancias, por total falta de respeto no solo a la floresta, sino a los 34 millones de personas que la habitan. Entre ellas, 380 pueblos indígenas, de los cuales 140 viven en aislamiento voluntario. Son pueblos que ya pasaron por todas las amenazas posibles, resistieron a todo, y eligieron vivir y proteger sus tierras ancestrales, sus ríos, sus florestas.

Ahora, esos pueblos tienen sus vidas, más una vez, arriesgadas por la pandemia del Covid-19 que está afectando, indistintamente, bebes (el caso Yanomami), la juventud y, principalmente, a ancianas y ancianos. Como dijo un líder Waorani de Ecuador, “Si nuestros ancestros mueren, nuestro pueblo dejará de existir”.  A cada día es devastador ver las noticias de lideresas y líderes muertos por la pandemia y los riesgos a las poblaciones en aislamiento voluntario. Como dice el líder Ashaninka Francisco Pikãyo, coordinador de la Organización de los Pueblos Indígenas del Rio Juruá, “la pandemia es la nueva arma química de la conquista”. A la vez, ¡nos llena de esperanza ver la cantidad de lideresas y líderes jóvenes, ocupando sus espacios en la defensa de sus pueblos!

Según la Coordinadora de las Organizaciones Indígenas de la Cuenca Amazónica (COICA) y la Rede Eclesial Pan Amazónica (REPAM), hasta el miércoles 19 de agosto, la población de pueblos indígenas contagiada era de 44.881; la población de pueblos indígenas fallecida de 1.442 y cerca de 221 pueblos/nacionalidades fueron afectadas en la región Pan Amazónica. Brasil, Perú y Colombia lideran esta triste estadística.

En Brasil[1], no se trata de más una pandemia en los últimos 520 años, pero de un intencionado genocidio, vía vetos del presidente de la Republica a la ley que pretendía disponer sobre medidas de emergencia para el enfrentamiento de la pandemia entre los pueblos indígenas, quilombolas y comunidades tradicionales. Eso afecta a todo el territorio nacional, pero en la Amazonia, con las distancias y las existentes vulnerabilidades, la negación del acceso a agua potable, del atendimiento diferenciado a la salud, del derecho a la conectividad para la comunicación con las áreas más aisladas, asociada a la lentitud de las acciones de ayuda, son una explicita violación de los derechos humanos. Lo que siglos de expoliación no han logrado, por la resistencia de los pueblos amazónicos, se intenta ahora usando la pandemia para avanzar la deforestación y así las fronteras agrícolas y el extractivismo.

Imagen: Amazonízate-Yurimaguas

¿Y el movimiento ecuménico?

Históricamente ha habido numerosas iniciativas en torno a la defensa de la Amazonia por parte del mundo ecuménico local, regional e internacional, no se podría nombrar a todas. Más recientemente, en 2019, previo al Sínodo Panamazónico de la Iglesia Católica, la iniciativa ecuménica de “Acción Solidaria Global por la Amazonia”[2] impulsada por Christian Aid América Latina y el Caribe y acompañada por CONIC – Brasil, ISEAT – BoliviaComisión Intereclesial de Justicia y Paz – Colombia, CREAS, Fórum de la Alianza ACT de Brasil, entre otras entidades, fue una iniciativa importante para fortalecer, de manera más amplia, las voces proféticas en defensa de la Amazonia.

Hoy CREAS y Koinonia de Brasil, juntamente con Christian Aid, desarrollan un proyecto cuyo objetivo principal es fortalecer la capacidad del diálogo interreligioso y ecuménico en la región amazónica – con prioridad para Bolivia, Brasil, Colombia y Perú – para la dignidad humana y los derechos de las comunidades indígenas y negras. Las Iglesias Latinoamericanas y las organizaciones ecuménicas y basadas en la fe han sido históricamente cruciales para acompañar a estas personas para una vida plena, con justicia, igualdad y sostenibilidad. Ahora, con las crecientes amenazas económicas y sociales, el conservadurismo religioso y la violencia, es fundamental un nuevo vigor al diálogo ecuménico e interreligioso en la región.

En nuestro plan de acción 2020, la Alianza Interreligiosa para la Agenda 2030 tiene el objetivo de incidir para que los pueblos indígenas y las comunidades tradicionales de la Amazonia garanticen el control de la tierra, sus bienes comunes y su salud, en la perspectiva de la Casa Común. Estamos trabajando en el sentido de amplificar las iniciativas en red basadas en la fe, en la defensa de los pueblos indígenas de la Amazonia, frente al incremento de los impactos de la pandemia y la explotación de los territorios y la floresta.

Según la Encíclica Laudato Si, la Amazonia u otro espacio territorial indígena o comunitario no es solo un espacio geográfico, sino que también es un lugar de sentido para la fe o la experiencia de Dios en la historia… “En la Amazonía se manifiestan las “caricias de Dios” que se encarna en la historia (cf. LS 84).”[3] Teniendo esto como inspiración y siendo partes de una comunidad ecuménica e interreligiosa en solidaridad con las comunidades de la Amazonia, debemos fortalecer nuestro compromiso en el sentido de seguir:

1) Presionando a los Estados para que garanticen que los pueblos indígenas, quilombolas y las comunidades tradicionales amenazadas tengan acceso y control sobre la tierra y sus bienes comunes y a garantías de acceso a la salud en tiempos de pandemia;

2)  Denunciando la acción nefasta de misioneros proselitistas que ya tanto mal han traído a las generaciones pasadas y que hoy, como parte de un proyecto fundamentalista económico, social, cultural y religioso, aliado del agronegocio, buscan apoderarse de los territorios;

3) Defendiendo a las defensoras y defensores de Derechos Humanos y de la naturaleza que vienen siendo constantemente amenazados, mediante mecanismos eficaces de denuncia y protección y en contra de los intentos de criminalizar las luchas de los pueblos de la Amazonia

4) Apoyando a las comunidades locales en la promoción de alternativas económicas sostenibles y a hacer frente al sistema económico vigente enfrentando los desafíos de la crisis climática en la región;

5) Desarrollando una espiritualidad ecológica que nos ayude a escuchar lo que el Espíritu nos dice, sintiéndonos parte de la Casa Común y todo el mundo habitado, empezando por nuestras congregaciones y comunidades de fe;

6) Apoyando a organizaciones locales e iniciativas basadas en la fe en el desarrollo de estos objetivos, manteniéndonos siempre informados, desafiantes y activos en lo que es para nosotros un imperativo de fe: ¡la defensa de los pueblos indígenas, de la Amazonia y del medio ambiente!

Por eso, es esencial que las Iglesias, organizaciones ecuménicas e interreligiosas del Sur y del Norte global continúen sus labores proféticas de fe en acción. Necesitamos reforzar las consciencias de que los peligros de extinción de la Amazonia y sus pueblos están ante todos y todas. Solamente en la solidaridad y la defensa de la Casa Común, podremos evitar que las pérdidas de los pueblos indígenas, las bibliotecas vivas, sea una pérdida para toda la humanidad, pues son ellos los responsables por el equilibrio ambiental en su totalidad y por las florestas que aún nos restan.

Termino con la Coleta de Responsabilidad Ambiental del Libro de Oración Común de la Iglesia Episcopal Anglicana de Brasil: “Aliento de vida, que creaste en tu seno todo el orden creado, nos enseña a respetar a todas las criaturas, en testimonio vivo del Evangelio, que nos anima a luchar por la preservación de la naturaleza, restaurando el ideal del Edén y la perfección de lo que nos ha dado como regalo”.

La autora es científica social y educadora popular brasileña, directora regional de CREAS, integrante de la Alianza Interreligiosa para la Agenda 2030 y laica de la Iglesia Episcopal Anglicana de Brasil.


[1] En junio pasado, según estudio de la Coordinadora de Organizaciones indígenas de la Amazonia Brasileña (COIAB) y del Instituto de Pesquisa Ambiental da Amazonia (IPAM) la tasa de contaminación (de 759) era 84% más alta para los pueblos indígenas, en comparación al promedio del país (de 413); la mortalidad (52 para cada 100 mil) era 150% más grande que el promedio brasileño, de 21 a cada 100 mil habitantes.

[2] Ver el Documento “Somos la Amazonia”

[3] Instrumentum Laboris. Sínodo Especial para la Amazonía. N°19