21 anos do 21 de janeiro: e a memória ancestral de Mãe Gilda de Ogum segue viva!

Lançando Mostra Cultural, o Selo “Racismos e intolerâncias NÃO!” E realizando ato virtual, KOINONIA atua em mais uma semana de afirmação da liberdade religiosa o Dia Nacional de Combate à Intolerância Religiosa

Em 2021 marcam 21 anos do falecimento de Mãe Gilda de Ogum, Iyalorixá que deu origem ao Dia de Combate à Intolerância. No candomblé é celebrado o rito do axexê de 21 anos.

O Dia Nacional de Combate à Intolerância Religiosa, Lei 11.635/2007 é uma homenagem à Mãe Gilda de Ogum, do terreiro Ilê Axé Abassá de Ogum, localizado na Bahia.

Em 21 de janeiro do ano 2000 Mãe Gilda faleceu após sofrer um infarto, ocasionado pela intolerância religiosa provocada pela Igreja Universal do Reino de Deus, que usou o seu jornal para atacar os seus filhos de santo e chamá-la de charlatã. Ela também teve o seu terreiro invadido e depredado por fundamentalistas.

A intolerância religiosa que matou Mãe Gilda é uma das diversas faces do racismo estrutural presente no País, racismo religioso que diariamente atinge, sobretudo, os integrantes de religiões de matriz africana: umbanda e candomblé, como mostram os dados de um levantamento realizado pelo Disque 100- Ministério da Mulher, Família e Direitos Humanos, publicado no site Brasil de Fato.

Segundo a pesquisa, apenas no primeiro semestre de 2019 houve um aumento de 56% de denúncias de intolerância religiosa, em comparação com o ano de 2018. A maior parte delas realizadas por candomblecistas e umbandistas. No total, foram 354 denúncias, contra 211 do ano anterior.

Entre 2015 e o primeiro semestre de 2019 o Disque 100 registrou 2.722 casos de denúncias, uma média de 50 por dia, mostrando que apesar de uma lei que criminaliza a intolerância ela permanece se fazendo presente, e por isso, é uma das principais pautas de Koinonia: combater qualquer tipo de intolerância e preconceito.

Este ano seria um ano especial para os praticantes do candomblé, é celebrado o axexe de 21 anos da morte de Mãe Gilda, ritual funebre dentro da religião, cerimônia que também ocorre nos dias que sucedem o falecimento, após o enterro. Porém, devido à pandemia, algumas ações foram modificadas.

Ainda assim, muitos eventos acontecerão e Koinonia estará presente em vários deles, seja apoiando, seja participando ou produzindo, como temos feito em nossas redes sociais.

Iniciamos a semana com uma live, realizada no instagram da organização, na qual a coordenadora, Ana Gualberto, e o direto executivo, Rafael Soares, falaram sobre intolerância religiosa e como combatê-la.

No dia 19 lançamos o selo “Racismos e intolerâncias: NÃO!”, uma forma de marcar o nosso posicionamento contra as intolerâncias e incentivar outras organizações e pessoas da sociedade civil em geral a se posicionarem também. Durante todo o ano usaremos este selo em todas as nossas publicações, e ele já está disponível em nosso site para ser baixado por quem tiver interesse. (kn.org.br/noticias/racismo-intolerancia-nao), pois juntos somos mais fortes.

No próximo dia 21, lançaremos a Mostra Cultural Liberdade e Direito, que nesta primeira edição visa celebrar o Dia de Combate à Intolerância. A mostra se propõe a utilizar a cultura para possibilitar reflexões, sobretudo no atual momento político em que vivemos.

Contamos com as presenças encantadoras dos cantores e ativistas culturais Rebeca Tárique, Maiara Silva e Carlos Barros. Rebeca é cantora, historiadora, Sacerdotisa de Oyá e militante do Movimento Negro. Maiara é poeta escritora, mobilizadora e produtora cultural. Já Carlos, é cantor, professor de história e mestre em ciências sociais. Iniciado no Candomblé para Oxóssi, ele tem dois álbuns lançados – Cantiga vem do Céu (2009) e Antes da próxima estação (2014).

Também no dia 21 nos somamos junto à pessoas religiosas de diferentes fés, em uma celebração virtual que foi construída coletivamente, e contará com testemunhos, orações, canções e meditações de diferentes traduções. Acompanhe através da transmissão ao vivo em nossas páginas do Facebook. Uma data importante e necessária, ainda mais em tempos nos quais o fundamentalismo age para afastar e opor pessoas de fés diferentes.

Dentre os eventos que participaremos e apoiaremos, estão:

 

– Live com o ritual no busto de Mãe Gilda, na Lagoa do Abaeté, em Salvador. O evento será transmitido pelo instagram do Axé Abassa de Ogum e ocorrerá a partir das 8h do dia 21.

– Ana Gualberto, coordenadora de Koinonia, juntamente com Ìya Márcia de Ogum, participará de uma roda de conversa no CEBIC (Conselho Baiano de Igrejas Cristãs), ocasião em que falarão sobre o Candomblé. Também no dia 21, o evento será transmitido pelo canal do YouTube de CEBIC.

– Camila Chagas, advogada de Koinonia, participará de uma roda de conversa no canal do You Tube do Cuxi Coletivo Negro Evangélico, onde falará sobre O Pecado do Racismo Religioso. A roda será no dia 21 às 20h30.

-Rafael Soares, Ogan d’Oxossi da Casa Branca e diretor-executivo de KOINONIA, mediará a mesa Religiões no campo do Direito, às 11h, no IV Seminário Liberdade Religiosa, Democracia e Direitos Humanos, realizado pelo CEAP (Centro de Articulação de Populações Marginalizadas e CCJF (Centro Cultural Justiça Federal.

Toda a programação de Koinonia e divulgação de eventos nesta semana de extrema importância estará disponível em nossas redes sociais, Instagram, Facebook, Twitter e YouTube.

Um chamado à reafirmarmos: Racismos e Intolerâncias, NÃO!

As intolerâncias no Brasil têm uma base estrutural que se repete de acordo com as conjunturas. São intolerâncias religiosas, racismos, lgbtfobias, machismos e misoginias que se cruzam o tempo inteiro, discriminações presentes na sociedade que têm se perpetuado ao longo dos anos pelos sistemas de opressões.

Há 21 anos a Iyalorixá Gilda de Ogum, do Ilê Axé Abassá de Ogum, na Bahia, faleceu em decorrência da violência religiosa. Após diversos ataques aos seus filhos de santo e uma série de mentiras contra a sua casa, Mãe Gilda sofreu um infarto. Contudo, duas décadas depois do ocorrido, não houve mudanças significativas.

Um estudo publicado pelo CCIR (Centro de Promoção da Liberdade Religiosa & Direitos Humanos) mostra que dos 1.014 atendimentos realizados pelo CEPLIR (Centro de Promoção da Liberdade Religiosa & Direitos Humanos) na cidade do Rio de Janeiro, entre abril de 2012 e agosto de 2015, 71% das denúncias de intolerância religiosa foram feitas por candomblecistas e umbandistas.

Em 2019 uma pesquisa realizada pelo Ministério da Mulher e Direitos Humanos e publicada no jornal Brasil de Fato mostrou que no primeiro semestre daquele ano a intolerância religiosa teve um aumento de 56% em comparação com o ano anterior, e novamente, as denúncias realizadas por adeptos de religiões de matriz africana foram as maiores.

A constatação de que umbandistas e candomblecistas são os mais atingidos pela intolerância religiosa é, também, a evidência da perpetuação do racismo. Dados do Atlas da Violência, em um levantamento feito pelo FBSP (Fórum Brasileiro de Segurança Pública) em parceria com o Ipea (Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada) mostram que em 2018,  75,7% das vítimas de homicídio no Brasil eram negras.

De 2008 a 2018 os homicídios contra negros teve um aumento de 11,5%. Em contrapartida, o número de mortes violentas contra pessoas não negras teve uma queda de 12,9%.

É preciso ressaltar que dentro dessas estatísticas estão presentes o tocante gênero e a orientação sexual, como mostrou um estudo realizado por pesquisadores da Fiocruz (Fundação Oswaldo Cruz), em que foi constatado que entre 2015 e 2017 houve 24.564 registros de violência contra a população LGBTQI+.

69% das vítimas tinham entre 20 e 59 anos, e metade, 50%, eram negras. 46,6% eram transexuais ou travestis e 57,6%, homossexuais, dos quais 32,6% lésbicas e 25% gays, ou seja, as mulheres lésbicas são as maiores vítimas.

No geral, uma mulher é morta a cada sete horas apenas pelo fato de ser mulher, foi o que divulgou o Fórum Brasileiro de Segurança Pública, que em 2019 apresentou um levantamento mostrando que, em 2018, 1.206 mulheres foram assassinadas.

BAIXE AQUI O SELO E FAÇA PARTE DESSA REDE!

Chamar a atenção para a importância de adotarmos posturas e práticas antirracistas, anti machistas, lgbtfóbicas e anti capitalistas e contra a qualquer tipo de intolerância, sobretudo em um governo como o que vivemos, parece algo óbvio, mas os dados mostram que a cada dia a necessidade é mais urgente. Urge que sejamos contra a qualquer violência e prática negativa que nos hierarquize.

É urgente que organizações/ coletivos/ comunidades ecumênicas e a sociedade civil em geral esteja unida neste combate, reorganizando nossas lutas e ações. É por isso que estamos lançando o selo “Racismos e intolerâncias: NÃO!”. Este selo estará presente em todas as ações de KOINONIA Presença Ecumênica e Serviço no ano de 2021, mas ele não é só nosso, é de todas as pessoas que lutam contra qualquer prática discriminatória.

Por isso pedimos que se juntem a nós nessa ação em rede, e estejam livres para utilizarem este selo em suas peças de comunicações na semana de afirmação da liberdade religiosa e nas datas que marcam os direitos humanos no brasil. Ele é nosso!

Venha com a gente! Use este selo! Vamos juntes!

Junto ao selo utilize a hashtag #racismointolerancianao nas redes sociais!

Acesse a pasta para baixar as duas versões do selo:
https://drive.google.com/drive/folders/19wgILR9lX7P5_z2NiaFgogYwXeH3-08m?usp=sharing

Em caso de dúvidas, entre em contato:

Natália Blanco – comunica@koinonia.org.br
Luciana Faustine –
comunica2@koinonia.org.br