aula 2.2

Dezembro Vermelho: Juventudes, Sexualidade e Direitos Humanos na enfrentamento a epidemia do HIV

01 de dezembro é o Dia Mundial da Luta Contra a AIDS. A data marca o início do dezembro vermelho, mês que tem como objetivo chamar a atenção para as medidas de prevenção, assistência, proteção e promoção dos direitos das pessoas infectadas com o HIV.

Nos últimos dez anos os novos casos de pessoas infectadas com o HIV na América Latina tiveram um aumento de 20%, passando de 100.000 em 2010 para 120.000 em 2019, é o que mostra o levantamento da OPAS (Organização Pan-americana da Saúde).

A pesquisa mostra ainda que a epidemia atinge majoritariamente homens homossexuais, mulheres trans e profissionais do sexo, representando cerca de 50% das novas infecções.

Na cidade de São Paulo temos dados mais esperançosos, segundo o boletim divulgado pela Coordenadoria de IST/Aids de São Paulo, pela primeira vez na história da cidade de São Paulo, os novos casos de HIV caem por três anos seguidos. “Em 2019, foram 2.946 novos registros, 11,7% a menos do que no ano anterior (3.340). Se a comparação for com 2017, a diminuição chega quase aos 25% (3.889 casos).  As notificações da aids também têm diminuído, com decréscimo ininterrupto desde 2015. Entre 2018 e 2019, a queda foi de mais de 20% (2.033 novos casos para 1.623) e de 30% entre 2015 e 2019 (2.421 para 1.623)” segundo costa na comunicação da Coordenadoria.

O estigma em torno do HIV e da AIDS é um dos maiores entraves na luta contra o vírus, pois o preconceito e falta de acesso a informação faz com que centenas de pessoas desconheçam a sua sorologia. Isso se agrava ainda mais quando, de alguma forma, tem a presença da religião enquanto instituição que dita regras.

Fortalecendo os laços para a construção de pontes de conhecimento

Clique e escute o podcast especial do Prevenidas sobre o Dezembro Vermelho

Ao longo das últimas semanas KOINONIA tem realizado o curso de formação “Prevenidas: Formação em Direitos Humanos, Sexualidade e Prevenção ao HIV e outras ISTs”, que visa debater a o univreso das Juventudes nos temas de Prevenção, Sexualidade e Direitos Humanos. O curso faz parte do projeto de mesmo nome, coordenado por KOINONIA em convênio com a Coordenadoria de IST/Aids de São Paulo.

O Curso que era previsto para acontecer presencialmente, precisou passar por adaptações após o início da pandemia da covid-19. Muitos foram os desafios, mas a formação tem acontecido e está dividida em 6 módulos:

  1. Falando sobre sexualidade: cultura, religião e tabus.
  2. Conhecendo o corpo: afetividade, desejos e sexualidade.
  3. Desejos e prazeres: vamos conversar sobre prevenção?
  4. Sexualidade, raça e direitos humanos: uma questão de direitos.
  5. A saúde como direito: por que defender o SUS?
  6. Pensando a nossa prática nos territórios digitais.

Ramiro Felipe, pessoa trans não binária, 25 anos e graduando em psicologia, afirma que sua experiência na formação tem sido maravilhosa, “sobretudo pela troca com as pessoas”, diz.

“Do meu circulo de amigos eu não conheço ninguém que seja portador de HIV/AIDS. Quando a gente conversa, troca experiências, a gente vai aprendendo sobre os direitos que resguardam, discussões sobre o tema, forma de prevenção. Quando falamos de prevenção para mim é autocuidado”, conclui.

Embora tenha espiritualidade, Giovana não se considera uma pessoa religiosa. Para ela, é muito importante debater a religião e sexualidade em um curso, algo que ela só vivenciou poucas vezes.

Assim como Ramiro, ela é uma das participantes do curso. Psicóloga e estudiosa no que tange a sexualidade, ela acredita que debater religião e sexualidade é de extrema importância, principalmente pela empatia e o respeito. “Pra muita gente no Brasil a religião é estruturante, faz as pessoas seguirem em frente em muitos momentos. E também em muitos momentos dita algumas regras. E claro, envolve a sexualidade. É um campo de discussão”, explica.

A mais nova integrante do curso, Yasmin Santos imaginou que devido a diferença de idade entre ela e os demais participantes fosse deixa-la sem poder de voz, no entanto, Yasmin conta que não foi isso que aconteceu. “Todo mundo me escuta, todo mundo tem a sua voz”, diz.

Paulo Ricardo elogia e valoriza a pluralidade encontrada no curso. Para ele, o olhar multiformado e abordagem de diferentes eixos como sexualidade, direitos humanos, gênero e raça são fundamentais, sobretudo quando se vive em grandes cidades.

“Essa troca de informações e essa pluralidade de pensamentos é fundamental no contexto de formação de nós indivíduos”, explica.

Além disso, ao longo do ano, fomos produzindo outros conteúdos audiovisuais para estimular o debate proposto pelo projeto. Confira:

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