III Arrastão da Liberdade percorre Itapuã em defesa da liberdade religiosa e contra o racismo

Salvador (BA) – O III Arrastão da Liberdade reuniu terreiros, movimentos sociais, coletivos culturais e lideranças religiosas em uma grande marcha pelas ruas de Itapuã, em Salvador, reafirmando o direito à liberdade religiosa e denunciando o racismo religioso que atinge, sobretudo, as religiões de matriz africana no Brasil.

A concentração aconteceu às 8h, no Axé Abassá de Ogum, localizado em Nova Brasília de Itapuã, terreiro fundado por Mãe Gilda de Ogum, yalorixá que se tornou símbolo nacional da luta contra a intolerância religiosa. A caminhada seguiu pelas ruas do bairro até a Lagoa do Abaeté, onde está localizado o Busto de Mãe Gilda, marco de memória, resistência e ancestralidade.

Realizado no mês de janeiro, o Arrastão integra a programação em torno do Dia Nacional de Combate à Intolerância Religiosa, celebrado em 21 de janeiro. A data foi instituída em homenagem a Mãe Gilda, que faleceu em 2000 após sofrer sucessivos ataques de intolerância e perseguição ao seu terreiro, em um contexto marcado pela violência religiosa e pelo racismo estrutural.

Durante o percurso, os participantes entoaram cânticos, rezas e palavras de ordem como “Respeite o meu terreiro” e “Tire sua intolerância do caminho que vou passar com o meu axé”, transformando o ato em uma manifestação pública de fé, denúncia e afirmação cultural. O arrastão ocupou o espaço urbano como forma de visibilizar a presença histórica e viva das religiões afro-brasileiras na cidade.

O trajeto escolhido reforçou o simbolismo do evento. Itapuã, território marcado pela presença de comunidades negras, terreiros e expressões culturais populares, foi novamente palco de uma mobilização que articula memória, espiritualidade e ação política. A chegada ao Busto de Mãe Gilda representou não apenas uma homenagem, mas o compromisso coletivo de manter viva sua luta.

KOINONIA esteve presente no III Arrastão da Liberdade, reafirmando seu compromisso com a defesa da liberdade religiosa e o enfrentamento ao racismo religioso. Entre os representantes de KOINONIA estavam Ana Gualberto, diretora executiva de KOINONIA, e Camila Chagas, assessora de KOINONIA, que acompanharam o ato em solidariedade aos povos de terreiro e às comunidades impactadas pela intolerância religiosa.

O III Arrastão da Liberdade destacou que a intolerância religiosa, no Brasil, está profundamente ligada ao racismo religioso, manifestando-se por meio de ataques a terreiros, criminalização de práticas ancestrais e violações de direitos. Para os organizadores e participantes, ocupar as ruas é uma forma de exigir respeito, justiça e políticas públicas que garantam a laicidade do Estado e a proteção dos espaços sagrados.

Mais do que uma caminhada, o Arrastão da Liberdade se consolidou como um ato político, cultural e espiritual, que fortalece redes de resistência, valoriza a ancestralidade africana e reafirma o direito de viver a fé sem medo.

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