Entre os dias 7 e 16 de janeiro de 2026, a Pontifícia Universidade Católica de São Paulo (PUC-SP) sediou o 39º Curso de Verão do Centro Ecumênico de Serviços à Evangelização e Educação Popular (CESEEP). Com o tema “Justiça Ambiental: Compromisso Social e Inter-Religioso com o Bem-Viver”, o curso reuniu lideranças religiosas, educadoras(es) populares, pesquisadoras(es), representantes de movimentos sociais e organizações da sociedade civil do Brasil e de diversos países.

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A iniciativa partiu da compreensão de que a crise ambiental é também social, racial, econômica, política e territorial, afetando de forma mais intensa povos indígenas, comunidades quilombolas, ribeirinhas e populações historicamente marginalizadas. Ao longo da programação, os debates articularam justiça ambiental, enfrentamento do racismo ambiental, espiritualidade, defesa dos territórios e valorização dos saberes ancestrais, reafirmando o bem-viver como horizonte ético e político.

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Participação ampla e internacional
O Curso de Verão 2026 contou com a participação de 323 pessoas, sendo 112 presencialmente, vindas de diferentes regiões do Brasil e de 14 países da América Latina e do Caribe, África e Ásia, além de 77 participantes na modalidade online. A programação envolveu ainda 16 assessoras(es), 15 convidadas(os) para as Mesas de Diálogo, 6 representantes dos povos Pankararu e Fulni-ô, responsáveis pela mística dos povos originários, e 97 voluntárias(os), entre monitoria e equipes de serviço.
As atividades ocorreram em parceria com a PUC-SP, o Teatro da Universidade Católica (TUCA), o TUCARENA, a Rede Rua de Comunicação e a Editora Paulus, com apoio de diversas organizações, igrejas, comunidades e famílias. As palestras, momentos orantes, celebrações e atividades culturais foram transmitidas ao vivo pelo canal do CESEEP no YouTube e pelas redes sociais, alcançando até 78 mil visualizações somadas entre YouTube, Instagram e Facebook.
Conteúdos, espiritualidade e práticas de resistência
O material de referência do curso, intitulado “Justiça Ambiental – Compromisso Social e Inter-Religioso com o Bem-Viver”, foi estruturado em três eixos principais:
A realidade da justiça ambiental no Brasil, com debates sobre injustiça socioambiental, negacionismo, guerra, paz e a causa indígena;
Reflexões espiritual-pastorais a partir de diferentes tradições religiosas — como espiritualidades de matriz africana, cristã e budista — em diálogo com o cuidado da vida e da criação;
Práticas e experiências concretas de resistência, com destaque para o racismo ambiental, a resistência quilombola e as lutas territoriais.
A programação incluiu ainda uma sessão especial de cinema com a exibição do filme “O Evangelho da Revolução”, seguida de diálogo com Chico Whitaker, fortalecendo reflexões sobre democracia, justiça social e participação popular.
Contribuição de KOINONIA
Entre as participações do curso, destacou-se a atuação de Ana Gualberto, representante de KOINONIA – Presença Ecumênica e Serviço, que contribuiu como assessora em dois momentos centrais da programação. No dia 13 de janeiro, conduziu a oficina “Ser Uma com a Terra: Sabedorias Ancestrais em Diálogo”, abordando a relação entre espiritualidade, ancestralidade e cuidado com o planeta. No dia 14, integrou a mesa temática “Racismo Ambiental: Resistências do Quilombo”, aprofundando o debate sobre os impactos da degradação ambiental nos territórios quilombolas e as estratégias comunitárias de enfrentamento.

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Ao final do curso, o CESEEP enviou carta institucional de agradecimento à assessora, reconhecendo sua contribuição pedagógica e política para a construção coletiva do Curso de Verão 2026.
Carta Compromisso e perspectivas futuras
Como resultado do processo formativo, as(os) participantes construíram coletivamente a Carta Compromisso do Curso de Verão 2026, na qual assumem compromissos concretos relacionados:
Ao enfrentamento da injustiça socioambiental e do racismo ambiental;
À educação popular para o bem-viver;
Ao fortalecimento do ecumenismo, do diálogo inter-religioso e de uma espiritualidade militante, esperançadora e comprometida com a Casa Comum.
A carta também reforça a defesa dos povos indígenas, quilombolas e das comunidades de religiões de matriz africana como guardiãs da natureza, além da necessidade de fortalecer políticas públicas, movimentos populares e ações territoriais diante do agravamento da crise climática.
Encerrando o encontro, o CESEEP anunciou o tema do 40º Curso de Verão, previsto para janeiro de 2027: “A Sociedade em Tempos de Algoritmos: Reconectar para o Bem-Viver”, reafirmando o compromisso com uma formação crítica, ecumênica, popular e transformadora.
