Intolerância religiosa resulta em tentativa de homicídio em Itapuã

Por Dindara Ribeiro


Um crime de intolerância religiosa resultou em uma tentativa de homicídio, no último sábado, 13, no bairro de Itapuã, em Salvador. A confusão, envolvendo o sacerdote de um terreiro de candomblé na região do Abaeté e uma vizinha da localidade, culminou em dois disparos de arma de fogo do sacerdote contra a mulher.

Segundo o sacerdote, identificado como Eurico Alcântara, aposentado da Polícia Militar, a vizinha teria proferido comentários de de baixo calão contra a sua neta de dez anos que, ainda de acordo com ele, trajava vestimentas da religião de matriz africana no momento do ocorrido.

Ao ver os comentários, a mãe da garota, filha do sacerdote, teria começado uma discussão com a vizinha. Neste momento, a mulher, identificada como Priscila da Silva, entrou em casa e tentou atacar a mãe da menina com uma faca.

Vendo a situação, o sacerdote relatou que conseguiu desarmar a mulher, mas logo depois ela entrou em casa e tentou atacá-lo com outra faca. Neste momento, o homem sacou a arma e deu um tiro no pé e na perna da vítima. Após o ocorrido, ele informou que prestou socorro à vítima, que foi encaminhada para o Hospital Geral Menandro de Faria e depois para o Hospital Geral do Estado, onde foi realizada uma cirurgia para retirada das balas.

A vizinha prestou ocorrência de tentativa de homicídio na 12ª Delegacia de Itapuã, onde o sacerdote se apresentou nesta quarta-feira, 13. Em contato com o portal A TARDE, ele informou que também apresentou a denúncia de intolerância religiosa no Ministério Público (MP-BA).

De acordo com o titular da 12ª Delegacia de Polícia de Itapuã, Nilton Tormes, as únicas informações apresentadas à polícia são sobre a tentativa de homicídio. “Não estamos sabendo de caso de intolerância religiosa, estamos apurando uma tentativa de assassinato. Se for este o caso, não podemos encobrir um fato grave com uma justificativa. Se ele foi com uma arma na casa da pessoa, alguma intenção tinha”.

Eurico Alcântara justificou que o motivo de andar armado é devido à alta periculosidade da região e pelo fato do terreiro já ter sido invadido por bandidos algumas vezes. A faca utilizada pela vizinha e a arma foram apresentadas na 12ª Delegacia de Itapuã, que investiga o caso.

*Sob supervisão da editora Maiara Lopes

FONTE: Jornal A Tarde em 17/04/2019