No dia 28.01.26 (quarta), no Terreiro Olufanjá, localizado no bairro de Tancredo Neves, em Salvador, ocorreu o lançamento da cartilha “Assistência Religiosa de Matriz Africana”, material elaborado a partir de lideranças que fizeram o trabalho de assistência religiosa, assessoradas por KOINONIA, no Conjunto Penal Feminino de Salvador.
Após a saudação de boas vindas da Iyalorixá responsável pelo Terreiro, Mãe Nicinha de Nanã, a assessora de KOINONIA, Camila Chagas, abriu os trabalhos fazendo uma retrospectiva sobre o trabalho da assistência religiosa no presídio feminino e de como KOINONIA foi provocada pelos povos de terreiro para assessorar na realização dos trabalhos (lembre aqui: https://kn.org.br/acervo/assistencia-religiosa-de-matriz-africana-no-sistema-prisional-feminino-e-tema-de-roda-de-dialogo-no-espaco-vovo-conceicao/17144/ e aqui: https://kn.org.br/noticias/koinonia-facilita-roda-de-dialogo-com-agentes-do-conjunto-penal-feminino/17794/)
Em seguida, Mãe Jaciara Ribeiro, sacerdotisa do Ilê Axé Abassá de Ogum, partilhou com os presentes sua experiência no trabalho de assistência com mulheres encarceradas que se deu no período em que esteve na Secretaria de Política para Mulheres (secretaria vinculada ao governo do estado da Bahia), como também durante a pandemia de Covid-19. Juntamente com Iyá Ana Gualberto, Diretora Executiva de KOINONIA, a sacerdotisa levou materiais de higiene e limpeza para mulheres encarceradas (lembre aqui: https://kn.org.br/noticias/prevencao-covid-19/koinonia-apoia-acao-coletiva-no-conjunto-penal-feminino-de-salvador/7564/). Iyá Jaciara parabenizou a iniciativa destacando a importância de mais lideranças de axé engajarem no trabalho de assistência religiosa em unidades de internamento coletivo.
Além de Mãe Jaciara, que integra o grupo de trabalho assessorado por KOINONIA no serviço de assistê24lançamento cartilha22729xncia religiosa no presídio feminino, Iyá Vilma de Odé, do Ilê Axé Odé Ofa Aidam Orum , também integrante do GT, falou da sua experiência e da relação das internas com a espiritualidade e amor aos orixás. Falou sobre o acolhimento, ressaltando a importância do compromisso das lideranças religiosas que se predispõem a fazer o trabalho, apontando a necessidade de se ter responsabilidade e comprometimento para que a assistência ocorra com regularidade.
Ogan Elias Conceição, coordenador do Conselho Inter-religioso da Bahia (CONIRB), Ogan do Terreiro Olufanjá e do Terreiro Pilão de Prata, partilhou sua experiência no trabalho de assistência religiosa e o papel do Ogan durante a realização dos trabalhos, ressaltando a importância do respeito à hierarquia e o que cabe a um Ogan e uma mãe de santo.
Em seguida, Djean Ribeiro, pesquisador sobre assistência religiosa de matriz africana no sistema prisional, apresentou um panorama de sua pesquisa e como o desdobramento desta inspirou o trabalho que está sendo realizado no conjunto penal feminino de Salvador.
O evento contou com a presença da ouvidora-geral da Defensoria Pública do Estado da Bahia, Tamikuã Pataxó, que explicou o trabalho da ouvidoria e sua atuação junto a população vulnerabilizada. Apontou a perspectiva de trabalho junto às internas no Conjunto Penal Feminino de Salvador e as frentes de trabalho da defensoria pública.
Também esteve presente o Ogan Ailton Ferreira do Instituto Reparação, organização da sociedade civil sem fins lucrativos que tem como principal bandeira o combate ao racismo e as discriminações. Dentre as diversas frentes de trabalho, destaca as formações para população negra, pois a referida organização promove eventos voltados à educação, empreendedorismo e defesa dos direitos humanos para a população negra, além de prestar outros serviços à população.
Representantes de outros segmentos religiosos também estiveram presentes, como o sr. Carlos Leite, membro da Fé Bahaí, que falou sobre sua religião e ao final do encontro fez uma oração. Mãe Mônica do Centro de Umbanda Pai Carlos, parabenizou a iniciativa, agradeceu a acolhida da casa que recepcionou o evento e partilhou seu desejo em integrar a equipe de trabalho enquanto representante da Umbanda, que foi aceito e felicitado por todos, uma vez que esta demanda também é das internas que, inclusive, pessoalmente, lhe fizeram o pedido durante o ato inter-religioso realizado em dezembro de 2025 em parceria com o CONIRB (lembre aqui: https://kn.org.br/noticias/liderancas-do-conirb-realizam-celebracao-inter-religiosa-no-conjunto-penal-feminino-de-salvador/19397/).
As cartilhas foram compartilhadas entre os presentes, oportunidade em que foi aberta às falas, tiradas dúvidas e informado sobre o trabalho de formação com as agentes penais e com as lideranças religiosas de matriz africana no primeiro semestre de 2026.
Durante o evento foi relembrado pelas lideranças do Terreiro Olufanjá da parceria histórica com KOINONIA, incluindo, a participação na elaboração da Cartilha “Identidades e Desenvolvimento: ação e pensamento de comunidades negras rurais, quilombos e terreiros de candomblé”, publicada em 2009 (link aqui: https://kn.org.br/wp-content/uploads/2017/10/koinonia.org.br-identidade-e-desenvolvimento-acao-e-pensamento-de-comunidades-negras-rurais-quilombolas-e-terreiros-de-cadomble-identidade-e-desenvolvimento.pdf) ressaltando que a pauta da justiça climática já era levantada pelas comunidades tradicionais desde antes da repercussão das mudanças climáticas e os casos de racismo ambiental noticiados na atualidade.
Para ter acesso ao conteúdo da cartilha acesse: https://kn.org.br/wp-content/uploads/2025/05/CARTILHA-ASSISTENCIA-RELIGIOSA-DE-MATRIZ-AFRICANA-BA-2025.pdf
