Egbé no Sul Fluminense

Manoela Vianna

No dia 28 de abril o Programa Egbé Territórios Negros realizou a primeira reunião regional com comunidades quilombolas atendidas por KOINONIA na comunidade de Santa Rita do Bracuí, localizada em Angra dos Reis.

Cerca de 40 pessoas das comunidades de Alto da Serra, localizada em Rio Claro; Campinho da Independência, localizada em Paraty; Ilha da Marambaia, localizada em Mangaratiba e Santa Rita do Bracuí estavam presentes.

O objetivo da reunião foi apresentar o trabalho do Programa Egbé Territórios Negros e discutir a conjuntura da temática quilombola, estabelecendo um canal de comunicação mais intenso entre o programa e as comunidades atendidas.

Uma das atividades realizadas foi um trabalho de grupo no qual as comunidades citaram seus principais problemas, conquistas e orgulhos.

Conquistas e orgulhos

Ter o título da terra, um dos principais e mais difíceis objetivos das comunidades quilombolas, foi uma das conquistas mencionadas por Campinho da Independência. Já os outros quilombolas presentes ainda estão na luta pela regularização fundiária; mesmo assim muitas conquistas e orgulhos fazem parte da trajetória dessas comunidades.

Os quilombolas de Santa Rita do Bracuí consideram a criação de sua Associação um dos orgulhos da comunidade, pois para eles ela é o caminho para a garantia de direitos. Alto da Serra destacou as capacitações promovidas por KOINONIA, em 2005 e 2006, como uma das conquistas da comunidade. As capacitações ofereceram noções de direitos, auto-gestão e desenvolvimento social, ambiental e culturalmente sustentável. “Agora conhecemos os direitos”, afirmou Terezinha Leite, uma das líderes da comunidade.

Problemas

As comunidades quilombolas enfrentam muitas dificuldades em comum, como ficou demostrado nas apresentações de grupos realizadas na reunião. Problemas na educação foram citados por todas as comunidades presentes. Segundo Aline Martins, moradora de Campinho, a comunidade quer uma educação diferenciada e não que a história dos quilombolas só apareça na semana da Consciência Negra. “Queremos que a história da comunidade seja falada na escola”, afirmou a quilombola.

Na Ilha da Marambaia não há ensino médio. “Os jovens precisam estudar no continente e em geral não voltam para a comunidade”, lamentou Dionato de Lima Eugênio.

Danos ao meio ambiente também são problemas em comum. Os quilombolas de Alto da Serra denunciaram que uma empresa do ramo aviário vem despejando resíduos de sua produção no rio que passa pela comunidade, o que causa, além da poluição, aumento de insetos na região. Na Ilha da Marambaia, segundo os moradores, a pesca industrial prejudica não só o meio ambiente como os quilombolas que tem essa atividade como fonte de renda.

Assessoria Jurídica

Durante a reunião foi apresentada a entidade Mariana Crioula, associação formada por advogadas e estudantes contratada por KOINONIA como assessoria jurídica. A entidade assessora as comunidades quilombolas atendidas por KOINONIA.

A reunião foi encerrada com uma avaliação dos participantes. De acordo com Laura Maria dos Santos, diretora da Associação de Campinho da Independência, os resultados da reunião foram positivos: “Otimizamos os discursos”. Reunir quilombolas de diferentes comunidades também foi destacado como um dos benefícios da atividade: “Temos que nos unir para garantirmos nossos direitos”, afirmou Terezinha Leite.

O Programa Egbé pretende realizar mais três reuniões durante o primeiro semestre de 2007: Região dos Lagos, Região Norte e Região Metropolitana. A próxima reunião está prevista para acontecer no mês de maio na região dos Lagos.

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