Juventudes se unem em live pelo enfrentamento ao racismo religioso

No dia 21 de janeiro de 2026, data que marca o Dia Nacional de Combate à Intolerância Religiosa, lideranças jovens, educadoras(es) e representantes de diferentes tradições religiosas se reuniram na live “Juventudes tecendo caminhos de diálogo”. O encontro teve como objetivo fortalecer o enfrentamento ao racismo religioso e reafirmar a construção de uma cultura de paz, respeito e convivência entre as diversas crenças no Brasil.

A atividade também foi um momento de memória e denúncia. A data relembra os 26 anos do falecimento de Mãe Gilda de Ogum, yalorixá vítima de ataques de intolerância religiosa em Salvador, episódio que deu origem à criação do Dia Nacional de Combate à Intolerância Religiosa.

A mesa foi composta por Angélica Tostes, teóloga, cientista da religião e coordenadora no CESEEP (Centro Ecumênico de Serviços à Evangelização e Educação Popular); Giovani do Carmo Junior, filósofo, teólogo e coordenador no Programa MAGIS Brasil (Rede Jesuíta); Vítor Queiroz de Medeiros, sociólogo, pesquisador da USP e integrante do Instituto Andarilhagem; e Amanda de Souza, quilombola de Santa Rita do Bracuí, Egbon do Candomblé, militante do movimento quilombola e mobilizadora de KOINONIA.

Durante o debate, os participantes destacaram que, no contexto brasileiro, a intolerância religiosa está profundamente conectada ao racismo religioso, atingindo principalmente religiões de matriz africana, povos de terreiro e comunidades tradicionais. A juventude foi apontada como protagonista na construção de caminhos concretos de diálogo inter-religioso, capazes de transformar a realidade nos territórios e romper com práticas históricas de exclusão.

Angélica Tostes ressaltou a importância do encontro com a diferença como um processo de humanização, citando o poema de Arnaldo Antunes: “O seu olhar melhora o meu”. Para ela, o diálogo deve nos tornar pessoas melhores e mais comprometidas com o cuidado coletivo. Já Giovani do Carmo destacou que o diálogo é também um ato político: “Estamos formando uma comunidade pela via da palavra”, afirmou, reforçando o papel da comunicação e da escuta na construção de resistências.

A partir de uma perspectiva sociológica, Vítor Queiroz enfatizou a necessidade de políticas públicas que garantam a laicidade do Estado e a efetivação da liberdade religiosa como direito humano. Amanda de Souza trouxe a dimensão prática da resistência quilombola e religiosa, articulando o conceito freiriano do “esperançar” como ação cotidiana em defesa da vida, da ancestralidade e dos territórios.

O encontro foi encerrado com a mensagem “viver e amar sem medo”, reafirmando que o enfrentamento ao racismo religioso exige coragem, afeto e um compromisso coletivo com a justiça social. Segundo os organizadores, a live buscou fortalecer redes de juventude e plantar sementes de uma esperança ativa, capaz de construir uma sociedade verdadeiramente plural, onde a diversidade religiosa seja respeitada e celebrada.

Confira na íntegra em nosso canal do YouTube: https://www.youtube.com/live/pc29GMNKj54?si=Q1Jr38H8GQoi5x2M

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